DEUS FICA FELIZ

DEUS FELIZ
 
Paulo Zifum
 
Confiança é  fé
É adoração que agrada a Deus
Quando a gente faz uma arca
Sem lugar pra navegar
Ou a gente sai de Ur
Sem saber o que vai dar
Deus fica feliz
E nos tem como amigos
 
Quando a gente perde tudo
E não para de adorar
Perde a casa, perde os filhos
 E vê a saúde acabar
Deus fica feliz
E nos tem como amigos
Amigos confiam
Mesmo que duvidem de si
E não exijam nada para serem fiéis
 
Quando a gente sai a campo
Com cinco pedras e um bodoque
Sem proporção e preparo de tempo
Sem perguntar se vai viver
Confiados apenas em Seu poder
Deus fica feliz
E nos tem como amigos
Amigos confiam
Mesmo venham a morrer por isso
 
Quando a gente fica em pé
E não se curva como moribundo
Mas enfrenta a carne, o diabo e o mundo
Mesmo arriscando a fornalha ardente
Deus deve ficar muito contente
Quando a fé é excelente
Ele deve ficar feliz
Quando partimos assim
Em direção a Ele
Confiantes
 
Quando a gente confia
Ele também confia
E confiou à Maria
O pobre menino Deus
Para ela cuidar de Deus
E assim se selou a amizade
De Deus e seus amigos
E sempre que a gente confia
Deus nos olha e sorri
Eles confiam em mim!
 
 
 
 

RETALHOS HUMANOS

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Paulo Zifum
 
Essa colcha de retalhos, De trapinhos e pedaços, É chamada de Igreja
Nunca foi coisa de rico, Esse divino jeito, De costurar a Vida
 
Dos retalhos, os mais pobres, Ele escolhe e os costura, Com o fio da fé de ouro
E o que era desprezível, Passa a ter significado, No tecido da História
 
Veja a Bíblia, uma colcha, Toda de retalho humano, Se não fossem costurados
Não seriam nem notados, Sem a fé dada por Deus, trapo só, nada seriam
 
Abraão sem fé seria, Um trapinho lá de Ur
E Jacó sem fé seria, toda vida enganado
E Judá sem fé seria, triste homem derrotado
Mas a fé os costurou, No que Deus faria então
Uma história inusitada, de amor e redenção
 
E a colcha foi tecendo, Com retalhos pecadores, Gente de passado ruim
A surpresa de Raabe,  Escolhida meretriz,  Nos ensina uma lição
Para Deus agir no homem, da excelência abre mão
Ele escolhe o farrapo, o retalho desprezado
E na linhagem de Jesus, põe o não recomendado
 
Os retalhos escolhidos para que Jesus viesse
Foram Maria e José, costurados por sua fé
Eram pobres e não tinham o que oferecer
Mas era Cristo quem iria de uma vez os enriquecer
E do ventre de Maria um retalho se nos deu
Tão humano, indefeso, 
 
Vejam todos! Que escandalo! Os parentes de Jesus!
Mentirosos, Assassinos, Imorais, Gente sem luz
Mas o Espírito deu-lhes fé, semelhante a de Abraão
E juntando os retalhos dessa gente em confusão
Deus teceu o improvável, do impossível fez sua arte
Perdoando seus retalhos,  juntando de toda a parte
Fez a colcha de Jesus e o cobriu Colorindo uma colcha do impossível
Feita de homens e mulheres, 
 
mas que foram colorindo, a beleza de sua graça
Manto pobre e sem graça
Que cobriu aquele menino, posto numa manjedoura
 
 
 
De onde se menos espera
Vem aquela seria
A vovó do Rei Davi
Pela fé
 
 

ALMINHA MINHA

 
 
O-pai-misericordioso-e-os-dois-filhos
Paulo Zifum
 
Alma confusa, quase penada
Estás tão sofrida  e tão desanimada
Estás um pouco carente e bem adoentada
E também tão medrosa e muito inquietada
Talvez porque os respingos impuros de sua vida pregressa 
Ainda lembrem as trevas de sua anatomia
Eras alma odiosa e porque não sebosa
Eras tão egoísta, infiel e jocosa
E cheia de vícios, de vaidade e maldosa
Alma, alminha
Não olhes tanto pra trás
Olhe só até a Cruz
E aquiete sua culpa
No perdão de Jesus
Seja só alma minha
Seja sempre segura
Seja livre e serena
Sob o Sangue que cura
Seja calma e descanse
Seja pura e constante
Seja boa e amiga
Seja útil e fiel
Como quem volta ao céu
E ainda que sofrida
Tão confusa e atingida
Nesse mundo de perigo
O Espírito está contigo
E sob o sangue do Cordeiro
Fale, cante ao mundo inteiro
Que o passado foi remido
Teu presente faz sentido
E o futuro está garantido
Vai minh’alma e vigia
Destemida e limpinha
Siga sempre alma minha

USAR SACO DE LIXO

 
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Paulo Zifum
 
Se livrar ou dar fim
Sejam coisas ou bichos
 
Tratar mal a esposa
Dar gelo no marido
Se livrar de amigos 
Coloca-los no limbo
Sacrificar sentimentos
Usar saco de lixo
 
Comer em excesso
Gastar com luxo
Ganhar ilícito
Juntar só pra si
 Trair confiança
Usar saco de lixo
 
Omitir-se covarde
Não falar a verdade
Evitar sacrifício
Em próprio benefício
E pisar no mais fraco
Lançar dentro do saco 
Como se fosse lixo
 
E se foi friamente
E de modo indecente
A limpeza é sujeira
Lixo de outra maneira
Cuide do coração
Esse aterro, lixão
Use o saco pra si
 
 
 
 
 
 
 

ARCO DO TRIUMPHO

ARCO

Paulo Zifum

Pretendo ser mais do que sou
Para ser alguém
Desfilar com meu alazão
Pelos portões de Roma
Receber os meus lauréis
Ter a glória em seu momento
Isso é bom! Isso é bom!
 
Mas foi num desses portões
Que Davi se humilhou
Entre as servas, empregados
Foi que o rei se misturou
Esvaziou-se de seus trajes
Adorou e adorou
 
E os da ordem micalesca
Não conseguem entender
Que a vaidade gigantesca
Quer a glória absorver
Mas Davi foi mais esperto
E a seu verme foi conter
Disfarçou-se de anônimo
Para não se corromper
 
E o plano mais secreto
De triunfo obter
Pode esconder por completo
A vaidade do poder
Seja numa discussão
Ou domínio sobre alguém
Pela busca a verdade
Sem amor ou piedade
Faz um mal e não um bem
 
Eu pergunto a mim mesmo
O que pretendo fazer?
Nos portões de Roma entrar
E desfilar com meu poder
Ou no Arco da Cruz passar
E meu ego dissolver
 
Dividido eu cavalgo
Ora sim e ora não
Entre o ser e o não ser
Sinto Deus a me vencer
E no Arco de Seu Filho
Derrotado por sua graça
Seu triunfo hei de ter
 
 
 

MEU CAMINHO DE DAMASCO

Paulo Zifum
 
ConversionStPaul
 
 
És mais claro pra mim
Mais perto, mais certo
Não te vejo no clarão
Mas te ouço em teus portões
“Sou Jesus a quem te opões”
 
Isso é novo pra mim
Não pensei  que fosse assim
Nem podia imaginar
Que minha fé é inadequada
Que meu zelo não te agrada
 
Mas, contudo, me alegro
Eu te ouço no clarão
No caminho de Damasco
Que surpresa a voz e a luz
Nada vejo, ó meu Jesus!
 
Qual cristão se vê assim?
Tão oposto ao que quer Deus
Coração tão enganado
Eu me achava “Paulo, Paulo”
Mas ouvi foi “Saulo, Saulo”
 
Ao ouvir tua doce voz
O meu nome a chamar
Disse, é muito para mim
“Sou Jesus”, ele falou
Minha vida, então mudou
 
Quantas vezes, eu não sei
Em Damasco cairei
E verei o que ainda sou
E cegarei em Seu clarão
Para minha conversão
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

A IMAGEM

começo e fim
Uma imagem
Pode ser poesia
E sonho
Filosofia
E Meta
Teologia
Uma imagem
Pode fazer perguntas
Pode dar respostas
Ou tirar certezas
E criar medo
Ou consolar com esperança
Uma imagem
Pode ser sua
Passado
Futuro
Ou, agora
O Presente