DESPERDÍCIO DE NATAL

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Paulo Zifum

                      Todo ano as prefeituras investem grande soma de dinheiro para enfeitar a cidade. Pagam fortunas para iluminar ruas praças e trazer o circo para alegrar as multidões. Neste ano a prefeitura de Belo Horizonte gastou R$4.5 milhoes com pisca-pisca e contratou artistas pagando quase meio milhão. São José dos Quatro Marcos em MT gastou R$400.000 com uma árvore de Natal. Mas, a árvore da Lagoa Rodrigo de Freitas no RJ é insuperável com o custo de R$3 milhões. Não dá para somar tudo o que se arranca do erário municipal para dar ao Natal um pouco de “glamour”.
                     Faço parte de uma pequena comunidade religiosa e em nossa igreja gastamos R$42 com pisca-pisca. Fizemos uma pintura no palco com mão de obra doada e uma tinta que já tínhamos. Pedimos a uma pessoa que, ao invés de montar sua grande árvore em sua sala, montasse na igreja.  Paupérrimo! Mas, em compensação, gastamos R$1.200,00 contratando um professor de canto que ensaiou e ensinou técnicas vocais. O coral saiu e fez bonito. E tudo foi investido para uma apresentação assistida  por 150 pessoas. Nada foi desperdiçado.
                    Mas, o Natal original… esse, sim, foi um grande desperdício!
                    Há dois mil anos atrás, Deus contratou uma trupe gigante de anjos que ensaiaram um coral só para anunciar o nascimento de Jesus. Os anjos foram informados do local e qual seria o auditório. Que desperdício! Uma peça tão linda apresentada para meia dúzia de homens de uma empresa de segurança. E  lá foi o coral inteiro cantar para os pastores que estavam no turno da madrugada. Você conhece essa história? 
                    Os convidados da estrebaria ficaram constrangidos por estarem, só eles, num evento tão maravilhoso. Pois é. Não divulgaram o show para mais ninguém. Os magos, únicos convidados da elite,  devem ter recebido um email ou SMS, mas chegaram um pouco atrasados e nem assistiram ao coral celestial.
                   O local do nascimento foi bem discreto, quase sem gasto algum. A iluminação foi uma estrela guia, mas a prefeitura de Belém  não patrocinou. Não há registros de despesas com hospedagem. Não há registros de gastos de viagem. Mas foi tudo um grande desperdício! 
                  Herodes, rei na época, ficou sabendo do discreto Natal e morreu de inveja. Ou melhor, matou de inveja. Talvez por causa da comitiva dos Magos que procuravam por um rei recém-nascido. Esse rei sinistro gastou com a polícia para fazer o serviço sujo de apagar  o Natal, mas, não conseguiu. Jesus escapou das garras de Herodes por causa do caro serviço de inteligência que também estava à serviço do Natal divino. 
                 O Rei Jesus nasceu. E como foi seu nascimento? Discreto e de baixo custo humano (baixíssimo, diga-se de passagem), e, assim seguiu sua vida num padrão de baixo custo. Só o custo divino que foi uma exorbitância. Eles (a Trindade) gastaram praticamente tudo no Natal. Esvaziaram um terço da glória do céu para o investimento no Natal. A kenosis (termo grego para o “custo” da vinda de Jesus ao mundo) foi inexplicável.  Mas, no final, o baixo custo humano deu lugar ao alto custo da Cruz  (uma conta que se pagou com moeda humana,  a saber: o morte do homem Deus).
                 E foi assim o Natal divino! Um desperdício! Ó profundidade da riqueza!
                 Agora, vamos voltar ao assunto sobre o gasto natalino das prefeituras. Há quem diga que é um absurdo o que as autarquias federais gastam com o Natal. Mas, não acho que gastam muito. Elas só gastam mal.
                 Quem gastou muito foi Deus! O primeiro Natal foi caríssimo e nenhuma prefeitura megalomaníaca poderá superar!
                 O amor do Natal divino continua sendo desperdiçado e pouco compreendido. E os que conseguem compreender um pouco o que aconteceu há dois mil anos, acham o Natal humano muito pobre. Ficamos constrangidos.
                
 
 
 
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