ESTATÍSTICA PARA RELACIONAMENTOS

estatistica

Paulo Zifum

               Briguei com uma pessoa muito querida. No meio da discussão ela fez aquilo que pessoas com raiva fazem rápido e mal feito: Estatística. Quando estamos em posição de ataque, somos tentados a usar “dados químicos”.  Aqui vai um pedaço da briga:
                -Você combina uma coisa e depois faz outra.
                -Não se preocupe, foi só uma pequena mudança, mas volto em tempo.
                -Sim. Em cima da hora, para fazer tudo às pressas.
                -Você está exagerando. 
                -É. Você sempre faz desse jeito.
               E assim a temperatura subiu e a briga foi estancada com resmungos de saída. No caminho analisei a injustiça do “ataque contra civis”. Comparado às centenas de vezes que dediquei-me integralmente, eu não deveria ser cobrado como se aquela situação me definisse. Como vingança, lancei-me à estatística e descobri uma dezena de vezes que a pessoa, já não tão querida, tratou com despreparo os eventos em que eu estava à frente. e pensei: Quando o evento é dela eu tenho que dedicar-me por inteiro, mas quando…
                Assim começa uma disputa, quando não, uma guerra. E isso se aplica desde suscetibilidades pessoais e até de nações. Somos traídos por nosso coração ardiloso e rancoroso, e acabamos encomendando a “estatística do desafeto”, onde os dados que interessam são super valorizados.
                Jesus viveu e contou histórias onde os relacionamentos são postos à prova de estatísticas. Para ensinar a Pedro sobre a estatística do amor, Jesus contou a história de um homem que foi perdoado de uma dívida impagável de milhões, mas foi incapaz de aliviar um pequeno inadimplente que lhe devia menos de cinco mil reais. Essa história, que revela o lado sombrio da humanidade, era uma resposta à pergunta de Pedro sobre quantas vezes se deve perdoar alguém.
               Uma vez trouxeram a Jesus uma mulher adúltera para que a julgasse. Jesus olhou e viu os homens com pedras nas mãos e, logo percebeu que não se tratava de uma consulta, pois a decisão de matar a mulher já tinha sido tomada. Então, Jesus provoca a estatística correta e desafia: “Quem não tem pecado, atire a primeira pedra”.
               Jesus viveu cada palavra que ensinou (muito diferente de nós que somos incapazes de  viver por nossas palavras). Uma das provas mais dramáticas ocorreu na cruz. Jesus estava exausto, depois e quase doze horas de espancamento físico e emocional. Alí ele invoca a mais estranha das estatísticas e diz: -Pai, perdoe-os, porque não sabem o que fazem”. A habilidade de Jesus para usar a estatística em nome do amor contrasta com a nossa agilidade para usar dados a nosso favor. 
               É claro que não estamos falando aqui da coleta de dados usada para se evitar maus investimentos ou checar riscos. Uma família deve avaliar o passado de um noivo antes de agrega-lo . Uma empresa deve investigar um executivo antes de dar poderes a ele. Mas, estamos falando do assunto iniciado neste artigo,  a saber: nossos relacionamentos mais próximos, nossas oportunidades de ajudar afetivamente alguém, nossa dificuldade de usar dados favoráveis.
               A frase “tudo o que você disser, poderá ser usado contra você” é uma máxima nas relações humanas. O problema é que, na maioria das vezes, a estatística é usada para o mal, como arma do legalismo ferrenho que há dentro de nós.
              Para Deus, somos o futuro que ele planejou. Para os homens, somos o nosso passado. Para Deus o perdão cobre a estatística do fracasso. Para os homens, a estatística explica a rigidez do presente. E quando usamos os dados do passado ruim do outro para definir nossa atitude, então, não somos muito diferentes de Hitler. 
             Não sou à favor de um mundo mole, sem regras claras e cheio de hipocrisias. Acredito na Bíblia  que alerta contra a justiça frouxa e a impunidade por parte das autoridades constituídas. Mas, na relação diária, não devemos ser policiais ou juízes uns dos outros. Jesus nos ensinou a sermos gentis e entregarmos o balanço estatístico para Deus. Ele, no final, dará a cada um segundo suas obras.
             Depois de um dia pensando nisso, aquela pessoa querida voltou a ser querida e meu banco de dados também voltou a ser cristão. Agora, procuro desconfiar do uso rápido da estatística relacional e resisto a rastejantes pensamentos de auto comiseração. Deus cobre minha multidão de pecados e, se não fosse isso, eu seria só o que meu passado diz. Mas, pela estatística da esperança, Cristo me comprou, mesmo eu sendo esse pântano que fui e sou. Desejo me relacionar com as pessoas com essa base de dados. Com a ajuda de Deus, assim farei.
Anúncios

Um comentário sobre “ESTATÍSTICA PARA RELACIONAMENTOS

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s