CALOR DA ALMA

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Paulo Zifum

Está quente
Tudo pelando
Eu fico pelado
De modo decente
No lugar velado
Pra ficar  molhado
 
E se alma calorada
De vez em quando
Não fica pelada
De modo decente
Contrita e velada
Fica rachada
 
Está quente
Tudo pelando
Quem fica vestido
De modo indencente
Em lugar público
Empinando nariz
Fica seco e infeliz
 
Tirai a roupa pesada
Da vaidade diária
Inadequada
Ficai pelados
Vós pios humanos
De modo decente
Pois o calor ardente
Do pecado residente
Inana a alma
 
Aliviai-nos, Senhor!
Banha-nos do teu perdão
Dai-nos coragem para confessr
Nos tira do calor de Dante
Dessa culpa causticante
 
Mas temer nossos pares
E encarar seus olhares
Nos impede a liberdade
Da confissão sem pudor
Do não cobrir e mentir
 
Confessai homens trajados
De sobretudo preto
Confessai mulheres embrulhadas
Em vestidos escuros
Confessai a Jesus
Esses vossos pecados
E no banho da graça
Ter a alma nua calorada
Perdoada e molhada
 
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DEUS CALADO

o-que-pode-significar-o-silencio-de-deus

Paulo Zifum

Deus não é falante
É calado, tipo silêncio
Sorri moderado
Chora escondido
Fica irado, zangado
Mas, quase não fala
É calado
 
Deus não é falante
É calado, tipo a Bíblia
Conta resumindo
Explica reduzindo
Fica abscôntido, mistério
E quase não fala
É sério
 
Deus não é falante
É calado, tipo objetivo
Envia Seu Filho ao mundo
E nele resume tudo
Fica calado, ao lado
Mas, diz todo o Amor
No “está consumado”
 
Esses religiosos tagarelas
Que dizem que Deus fala
Seguram seu fantoche divino
E bimbalham a Bíblia
Como se Deus fosse vulgar
Como fosse divertido
Promessas aqui e ali
De um serviçal cósmico
E o pobre povo crente
Desconhece o Deus silente 
 
Deus é calado
De poucas palavras
E essas que arrogam sua defesa
Por fim, esforço vão
Ele delas não faz questão
Se basta
 
Deus é calado
Porque já disse tudo
Sobre futuro existencial
Sobre nosso medo animal
Quem assim acredita
Na Bíblia medita
Poderá então escutar
O Deus calado falar
 
 
 
 
 
 
 
 

PESSOAS NA BALANÇA

Belshaz-Rembra[1]
 
Paulo Zifum
 
“Por isso ele enviou a mão que escreveu as palavras da inscrição. Esta é a inscrição que foi feita: MENE, MENE, TEQUEL, PARSIM. E este é o significado dessas palavras: Mene: Deus contou os dias do teu reinado e determinou o seu fim. Tequel: Foste pesado na balança e achado em falta.   Daniel 5:24-27
 
           Fui pesar-me numa farmácia e fiquei indignado. Para mim a balança estava errada e precisava de aferição. A ação de colocar pessoas na balança é comum. Fazemos isso de modo prático, todos os dias. A questão importante é se praticamos uma pesagem justa, com referências justas. O fato é que há muita corrupção em nossa “soberana” mania de atribuir valor às pessoas. 
           A expressão “foste pesado na balança e achado em falta” é curiosa. A balança é um dos instrumentos de medida mais antigos que se conhece, composta por um travessão com um eixo central, tendo em cada extremidade um prato. Em um desses pratos se depositava uma peça de peso padrão, e no outro se colocava o objeto que se desejava pesar. Quando se estabelecia o equilíbrio do travessão, podia-se conhecer o peso relativo do objeto. 
         O princípio da balança é a comparação. Somos comparados o tempo todo pelos outros. Medimos e avaliamos com nossa “balança de ponto de vista”, e, dependendo do ponto, a pessoa pesada pode se achar em falta ou até em sobra.
         O primeiro homem a colocar alguém na balança foi Adão. A Bíblia nos conta que ele colocou sua esposa na balança e, ela foi achada em falta. Na passagem de Gênesis 3 parece que Adão está no balcão divino fazendo uma reclamação do produto, o que seria cômico se não fosse trágico. Mas, é a lógica do universo. Reclamar do algo criado é queixar-se do criador. 
        A Bíblia nos fala muito desse inevitável  exercício de “pesar gente” e dispara o alerta: “Não cometam injustiça num julgamento; não favoreçam os pobres, nem procurem agradar os grandes, mas julguem o seu próximo com justiça (Lv.19.15). “Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês. ” (Mt.7.1-5). “Não julguem apenas pela aparência, mas façam julgamentos justos” (Jo.7.24). 
       O problema de nossa balança é a referência. Algumas balanças não seguem padrão algum, mas se inclinam conforme a conveniência. Quando a referência do que é justo e bom reside no próprio indivíduo, partindo de suas próprias leis e regras, a balança pode ser extremamente antropocêntrica como foi a de Adão, de Caim, de Labão, de Saul, de Jonas, de Pilatos e outros personagens citados na Bíblia. Quando pesamos as pessoas segundo nossos próprios princípios e experiências incorremos no erro  detestável por Deus que diz: “O Senhor detesta pesos adulterados, e balanças falsificadas não o agradam (Pv.20.23). “Poderia alguém ser puro com balanças desonestas e pesos falsos?” (Mq.6.11). “Pesos adulterados e medidas falsificadas, são coisas que o Senhor detesta” (Pv.20.10). “Não tenham na bolsa dois padrões para o mesmo peso, um maior e outro menor” (Dt.25.13)
      Todos temos uma balança na mente e no coração, quebrada ou não, justa ou não, temos e usamos. Algumas pessoas, mesmo antes da conversão ao Evangelho, já estavam embaixo de uma Teoreferência, o que faz toda a diferença no modo de julgar as coisas. Um lar cuja o padrão da balança, o fiel da balança é Deus, será um lar onde se pratica a justiça. Na política, podemos constatar que as pessoas não valem o preço justo atribuído por Deus, mas são tratadas conforme os interesses financeiros em jogo. Quando nossa balança não tem uma base Teoreferente, o resultado do “achado em falta” , “achado justo” ou “achado em sobra” estará prejudicado pelo pecado dos interesses egoístas. E, ainda que as leis sejam justas, a corrupção achará um caminho para mudar resultados. 
     Jesus disse que “do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios, as cobiças, as maldades, o engano, a devassidão, a inveja, a calúnia, a arrogância e a insensatez. Todos esses males vêm de dentro e tornam o homem ‘impuro’ ” (Mc.7.21-23). É em nosso coração que as pessoas são mal pesadas. Devemos desconfiar de nossas referências. 
       Como você tem pesado as pessoas? Sua balança está aferida pelo “inmetro” da Bíblia ou pelo seu? 

ESTRANHAMENTO

estranhamento

Paulo Zifum

              A sensação de estranhamento é, talvez a primeira experiência forte que sentimos na vida. Nascemos da água para o ar, e, depois disso, uma série de mudanças ocorrem, quase todas com um certo transe de estranhamento. Na adolescência acontece todo tipo: com o corpo, com o cabelo, com os pais, com os amigos e com o mundo inteiro. No casamento  estranhamos o cônjuge diversas vezes. Amizades criam espinhos. O local de trabalho torna-se Sheol. Estranhamos as pessoas diferentes e seus costumes.
             Somos como formigas numa trilha. Se cair uma folha no caminho, perdemos a direção. A folha da mudança do horário faz gente passar o ano inteiro em zigue-zague. A folha de uma opinião contrária, a folha de uma crítica causa em alguns um verdadeiro desespero. A folha da perda, folhas de tamanhos diferentes, fazem as formiguinhas pirarem. Estranhamos quando os móveis da vida mudam de lugar. Muitos detestam mudanças ou perda de controle.
             Estranhamos, não apenas o mundo externo, mas a nós mesmos. Alguns ignoram alterações importantes numa negação infantil, mas, seria melhor dialogar esse “outro” no espelho. A frase “até eu me estranhei” é teatral, mas, quem é que nunca atuou numa peça bizarra? Eu mesmo não acreditei no que fiz depois de uma tentativa de assalto, quando me vi gritando histérico (neurose caracterizada por perturbações passageiras da inteligência, da sensibilidade e do movimento) no meio da rua, tentando pegar o bandido. Algumas “cacas” que fazemos nos causam estranheza por toda a vida,  em contrapartida, algumas loucuras podem ter sido a melhor coisa que fizemos na vida.
            A amizade pode nunca mais ser a mesma depois de algumas decepções. Tudo fica estranho e desconfiado. As pessoas são injustas e estranham por puro preconceito, mas muitas vezes com razão, dependendo tamanho do nosso egoísmo. 
             Sentir-se estranho, ter vontade de fazer algo estranho, de abandonar tudo, de chutar “o pau da barraca” e deixar tudo cair na cabeça de todo mundo ou apenas se recolher em posição fetal e sentir dó de si até chegar o resgate, é coisa humana. Estranhar e ser estranho faz parte da vida dos terrosos, da relação pais e filhos,  das amizade e dos confrontos de tese e antítese. Quem não estranha nada já chegou no “nível hard” do Apóstolo Paulo que disse ter aprendido a “viver contente em toda e qualquer situação” de saber “estar humilhado ou exaltado”.  Mas, a maioria das formiguinhas, ainda não chegaram nesse nível e ficam muito perturbadas com coisinhas pequenas como um desafeto e paralisam na dificuldade de perdoar ofensas.
            A Bíblia conta a história de muitos estranhamentos. Depois da queda do Éden, tudo ficou sinistro. O pecado causou tanto estrago que o homem passou a ver a seu próximo como uma ameaça e nossos caminhos tornaram-se opostos aos caminhos de Deus. Noé foi i único de sua época que não se estranhou com Deus. No incidente da Torre de Babel Deus criou as “línguas estranhas” e ninguém mais se entendeu. As narrativas bíblicas nos revelam o estranhamento histórico da humanidade. O Evangelho de João nos diz que Deus enviou seu Filho Jesus ao mundo, mas o mundo o estranhou e rejeitou. Os judeus escolheram Barrabás em vez de reconhecerem o Rei dos reis. E a profecia dizia que Jesus se faria maldição estranha em nosso lugar, para que, aqueles que cressem nele fossem feitos filhos de Deus e não mais estranhos à aliança.
             Um dia, não  seremos mais como meninos agitados por todo vento e toda folha de palavras, mas seremos maduros a ponto de não estranhar nada nem se escandalizar com nada.  Pelo Espírito Santo seremos transformados na imagem do Filho de Deus, e, enfim alcançar a estabilidade para dizer: “nada estranho naquele que me fortalece”. 

MINHA MENINA

Sem título

Paulo Zifum

Ela cresceu tanto
Minha menina
E tanto que não posso mais leva-la no colo
Minha menina
Pediu que guardasse as bonecas no sótão
Minha menina
Pediu um sutiã e um celular
Minha menina
Ouvi dizer que gosta de alguém
Minha menina
Eu fiquei estranho
Minha menina
Disse a ela que não tem idade
Minha menina
Ela perguntou para quê
Minha menina
Para namorar, eu disse
Minha menina
Riu e disse que não pensava nisso
Minha menina
Sabe disfarçar
Minha menina
Vai ficar mocinha
Minha menina
Vai me deixar com medo
Minha menina
Mas vamos crescer juntos
Minha menina 
E eu quero mudar de assunto
Minha menina
Ainda bem que algumas coisas não mudam
Minha menina
E seu olhar será sempre
De minha menina