PESSOAS NA BALANÇA

Belshaz-Rembra[1]
 
Paulo Zifum
 
“Por isso ele enviou a mão que escreveu as palavras da inscrição. Esta é a inscrição que foi feita: MENE, MENE, TEQUEL, PARSIM. E este é o significado dessas palavras: Mene: Deus contou os dias do teu reinado e determinou o seu fim. Tequel: Foste pesado na balança e achado em falta.   Daniel 5:24-27
 
           Fui pesar-me numa farmácia e fiquei indignado. Para mim a balança estava errada e precisava de aferição. A ação de colocar pessoas na balança é comum. Fazemos isso de modo prático, todos os dias. A questão importante é se praticamos uma pesagem justa, com referências justas. O fato é que há muita corrupção em nossa “soberana” mania de atribuir valor às pessoas. 
           A expressão “foste pesado na balança e achado em falta” é curiosa. A balança é um dos instrumentos de medida mais antigos que se conhece, composta por um travessão com um eixo central, tendo em cada extremidade um prato. Em um desses pratos se depositava uma peça de peso padrão, e no outro se colocava o objeto que se desejava pesar. Quando se estabelecia o equilíbrio do travessão, podia-se conhecer o peso relativo do objeto. 
         O princípio da balança é a comparação. Somos comparados o tempo todo pelos outros. Medimos e avaliamos com nossa “balança de ponto de vista”, e, dependendo do ponto, a pessoa pesada pode se achar em falta ou até em sobra.
         O primeiro homem a colocar alguém na balança foi Adão. A Bíblia nos conta que ele colocou sua esposa na balança e, ela foi achada em falta. Na passagem de Gênesis 3 parece que Adão está no balcão divino fazendo uma reclamação do produto, o que seria cômico se não fosse trágico. Mas, é a lógica do universo. Reclamar do algo criado é queixar-se do criador. 
        A Bíblia nos fala muito desse inevitável  exercício de “pesar gente” e dispara o alerta: “Não cometam injustiça num julgamento; não favoreçam os pobres, nem procurem agradar os grandes, mas julguem o seu próximo com justiça (Lv.19.15). “Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês. ” (Mt.7.1-5). “Não julguem apenas pela aparência, mas façam julgamentos justos” (Jo.7.24). 
       O problema de nossa balança é a referência. Algumas balanças não seguem padrão algum, mas se inclinam conforme a conveniência. Quando a referência do que é justo e bom reside no próprio indivíduo, partindo de suas próprias leis e regras, a balança pode ser extremamente antropocêntrica como foi a de Adão, de Caim, de Labão, de Saul, de Jonas, de Pilatos e outros personagens citados na Bíblia. Quando pesamos as pessoas segundo nossos próprios princípios e experiências incorremos no erro  detestável por Deus que diz: “O Senhor detesta pesos adulterados, e balanças falsificadas não o agradam (Pv.20.23). “Poderia alguém ser puro com balanças desonestas e pesos falsos?” (Mq.6.11). “Pesos adulterados e medidas falsificadas, são coisas que o Senhor detesta” (Pv.20.10). “Não tenham na bolsa dois padrões para o mesmo peso, um maior e outro menor” (Dt.25.13)
      Todos temos uma balança na mente e no coração, quebrada ou não, justa ou não, temos e usamos. Algumas pessoas, mesmo antes da conversão ao Evangelho, já estavam embaixo de uma Teoreferência, o que faz toda a diferença no modo de julgar as coisas. Um lar cuja o padrão da balança, o fiel da balança é Deus, será um lar onde se pratica a justiça. Na política, podemos constatar que as pessoas não valem o preço justo atribuído por Deus, mas são tratadas conforme os interesses financeiros em jogo. Quando nossa balança não tem uma base Teoreferente, o resultado do “achado em falta” , “achado justo” ou “achado em sobra” estará prejudicado pelo pecado dos interesses egoístas. E, ainda que as leis sejam justas, a corrupção achará um caminho para mudar resultados. 
     Jesus disse que “do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios, as cobiças, as maldades, o engano, a devassidão, a inveja, a calúnia, a arrogância e a insensatez. Todos esses males vêm de dentro e tornam o homem ‘impuro’ ” (Mc.7.21-23). É em nosso coração que as pessoas são mal pesadas. Devemos desconfiar de nossas referências. 
       Como você tem pesado as pessoas? Sua balança está aferida pelo “inmetro” da Bíblia ou pelo seu? 
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3 comentários sobre “PESSOAS NA BALANÇA

  1. Ótimo texto. Difícil não atribuir peso as pessoas, e mais difícil ainda dar-lhes o valor correto. Fico imaginando Deus nos medindo com sua balança e pesos exatos. Seria impossível termos o peso “suficiente” da salvação, se Ele não completasse o nosso lado da balança com o sangue de Seu Filho.

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