PÁSCOA, CASTIGO, PERDÃO E PAZ

Paulo Zifum

               A Páscoa é uma data que nos fala de punição e castigo. A palavra “castigar” provém do latim: castus (“irrepreensível”, “puro”, “fiel”) + agere (“fazer”). A intenção do castigo é redimir, salvar. O profeta Isaías, no capítulo 53 diz que o Cristo seria castigado e o agente seria o próprio Deus Pai. E por que a profecia anunciava que o Filho de Deus seria castigado?
              Cristo (Filho de Deus) veio ao mundo, concebido de modo sobrenatural, porém, seu nascimento ocorreu de modo natural, assumindo integralmente sua humanidade. Fato que o tornava representante legítimo da humanidade (Filho do Homem). E qual o propósito para Jesus assumir essa posição? A missão era cumprir a exigência da justiça divina de que o pecado deve ser punido de modo que os escolhidos de Deus fossem resgatados. A humanidade devia ser punida por causa do pecado cometido, mas Jesus, homem, assumiu a culpa e recebeu todo o castigo, morrendo numa cruz
                Esse aspecto forense é de difícil entendimento para alguns. Se você está lendo essas coisas pela primeira vez, corre o risco de seguir um raciocínio comum:  Deus não podia apenas anistiar, perdoar as ofensas sem exigir punição ou sacrifício? 
               O castigo é uma exigência que faz oposição à anarquia. No Reino de Deus não há impunidade. O dano deve ser reparado e a justiça deve ser feita. Mas, a punição para uma ofensa contra a divindade deve ser proporcional à dignidade do ofendido, logo, os homens deveriam sofrer uma punição perpétua. Ora, isso encerraria a todos numa alienação eterna. Salvo, se um homem fosse especial, e tivesse tanto a natureza humana para ser representante legal dos ofensores e, ao mesmo tempo, fosse um ente divino para suportar o castigo e sobreviver. Esse homem era Jesus, homem e Deus, divino e humano.
              Ele se dispôs e foi  enviado pelo Pai ao mundo para receber o castigo no lugar dos homens. E quais homens? Todos os homens? Não! Barrabás, personagem importante que surge no julgamento de Pôncio Pilatos, não recebeu salvação espiritual, embora Jesus pareça ter assumido o lugar dele. O castigo imposto a Jesus só tem efeito substitutivo para os que acreditarem nessa mensagem: Jesus Cristo, o Filho de Deus, morreu pelos pecadores, e todo aquele que nele crê será absolvido.
             A fé em Jesus manifesta a eleição dos homens que receberão o perdão e a paz. Ele, como irmão mais velho, tomou a frente e assumiu a culpa daqueles que estavam sendo adotados de todas as eras. De Abel ao último eleito, todos receberão o perdão pelos méritos do Filho de Deus. Como disse o apóstolo João: “Vejam como é grande o amor de Deus! A ponto de sermos chamado filhos de Deus!”. Não apenas o livramento do castigo, mas a adoção como filhos. 
           Aqueles que confiam nesse plano redentor e  acreditam em Jesus como seu substituto, sentem imensa gratidão pelo Filho de Deus e são constrangidos a direcionarem suas vidas para a missão de divulgação de qual é esse “castigo que nos traz a paz”. 
            Os cristãos ficam encantados com a pessoa de Jesus e declaram que Seu nome é: Maravilhoso, Príncipe da Paz, Pai da Eternidade e Deus Forte. Os que não compreendem sua morte e as implicações dela, consideram Jesus uma pessoa especial, mas jamais sentirão a emoção de terem um substituto do castigo, posto que não sentem a realidade da punição que aguarda a humanidade. 
          A punição virá, mas só terão paz no dia do julgamento, os filhos de Deus, recolhidos por trás de Jesus, Seu salvador castigado por seus pecados. Essa explicação poderia seguir por páginas, repetindo os mesmos termos, mas só o Espirito Santo pode dar compreensão deste mistério.
           Só aquele que recebeu a revelação de Jesus Cristo poderá dizer na Páscoa: Glória! Estou perdoado!
               
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