TUDO ENTREGAREI, MAS ATRASAREI!

Sem título

Paulo Zifum

Ele está esperando. Dissemos que iríamos entregar. Ele está aguardando. Ele só pediu, mas não deu prazo. Ele é paciente. Dissemos que seria já, logo ou depois de amanhã. Mandamos vários e-mails de entrega. Gravamos até músicas de entrega: “Por que dele, por ele e para ele são todas as coisas”. Conversamos  com Ele sobre entrega. Somos uma empresa de sincera vontade. Mas, o encomendado objeto precioso não chega a seu destino. A entrega não acontece. Alguém diz: “Que bagunça essa empresa!” E a música de espera do telefone soa suave: “Tudo entregarei, mas atrasarei”. Se quiser já, ele virá buscar. Daí fará tudo acontecer. Fará gente se mexer. Sem cobrança, só favor. Com amor em meio à dor. Felizes os que entregam! Felizes os que atrasam, mas entregam! Um entregador pede: Dê mais tempo! Porém, empresas mais experientes no ramo dizem: “Pra quê? O que você tem só desfrutará se entregar. É por isso que Ele pede tudo. Apenas nos deixa programar a empresa e a intenção da agenda”.  Nos quer de volta para Ele. Os doentes entreguem a confiança. Os amantes seus amores. Os pais entreguem seus filhos. Os que sofrem perdas entreguem o que se foi. Os que sonham entreguem o que há de ser. Os que que possuem talentos e bens entreguem suas glórias. E cumpram a promessa que fizeram de entregar o coração inteiro.

Se, você tem essa empresa aberta e está atrapalhado com suas  entregas, já deve ter percebido a grande paciência dele e também os instrumentos que usa para agilizar os compromissos. Pois está escrito: “quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a vida por minha causa, a encontrará. Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma?”  Mt.16.25-26. 

A empresa que retem, por fim prestará contas como está escrito: “sua obra será mostrada, porque o Dia a trará à luz; pois será revelada pelo fogo, que provará a qualidade da obra de cada um. Se o que alguém construiu permanecer, esse receberá recompensa, senão, sofrerá prejuízo.” 1Co.3.12-15.

Como está sua empresa?

ERRO DE NAAMÃ parte 3

Paulo Zifum

Você leu o texto de 2Reis? Leu os posts anteriores? Então pode entender a conclusão que segue. Naamã se enganou ao achar que seu problema era só físico, externo. Jesus foi tratado sem honra diversas vezes, em algumas situações foi expulso do lugar onde estava e ofendido. Antes de qualquer crise de susceptibilidade, devíamos, no mínimo, verificar se já não temos sido alcançados com muitas bondades. Um espírito atento pode nos poupar de fazer cenas infantis em rompantes de mimo. Deus nos dará graciosamente em Jesus todas as coisas, mas, do modo dele, dependo do contexto. Ele colocará a mão sobre nós e nosso cálice transbordará  diante de todos ou, nos pedirá para nos despirmos do orgulho, deixando que as pessoas vejam nosso estado enfermo antes que opere a cura também diante de todos. A maneira como vamos até as pessoas ou como as esperamos revela o quanto entendemos da obra de Jesus Cristo. O Evangelho pode ser explicado em Naamã. Ali, vemos a humanidade leprosa, tentando se achegar a Deus por meio da mediação religiosa, com oferendas, escondendo o quanto se acha merecedora de ser servida. Ali, podemos notar que, o apelo que o pecador recebe de descer ao Jordão, confessando pecados, é uma “pequena morte”. O erro de Naamã foi não entender que é preciso morrer para renascer (a mensagem da Cruz). Ainda bem que, em tempo, Naamã resolveu se humilhar. Foi curado e teve uma experiência de conversão marcante. Eu quero ser sensível para essas coisas.

ERRO DE NAAMÃ parte 2

Paulo Zifum

Em II Reis 5, confirmamos que o ser humano, na busca de solução para o seu problema, ainda tropeça em seu orgulho. Esse orgulho multiplica partidos, ideologias e guerras. A humanidade tem um tipo de “lepra” que a faz preferir ser destruída a ser transformada. O erro de Naamã é clássico. A situação pedia humildade. Quando Eliseu tratou o distinto general de modo comum (aparentemente com desprezo), surgiu um conflito de relacionamento porque Naamã vivia baseado no mérito. Tudo fica tenso, no mundo todo, quando sentimos nosso valor reduzido a  um número, protocolo ou uma obrigação social. E, embora, o conflito de Naamã tenha sido com o profeta Eliseu (horizontal), a expectativa humana acaba sempre na última instância (vertical), a saber: Deus. Podemos, no planeta inteiro, ouvir um ruído de criaturas zangadas murmurando assim: “Deus, eu pensei que viria e colocaria a mão sobre minha cabeça e resolveria o meu problema”. Há uma decepção no ar. Cometemos o mesmo erro de Naamã em nossa relação com as pessoas e, consequentemente, com Deus.

 

ERRO DE NAAMÃ parte 1

Paulo Zifum

Pensamos muitas coisas inadequadas sobre nossa dignidade. Tem gente que se desvaloriza e há quem se ache a verdadeira realeza.  Também confundimos desejando ser tratados sempre da mesma forma porque mantemos o mérito para isso. Nem um rei em tempo de guerra pode ser honrado da mesma maneira que em tempos de paz. Há um contexto para recebermos ou não deferência. A ação para conosco por parte da família, amigos, colegas de trabalho e dos atendentes em geral pode ser seca, sem nenhum protocolo que nos faça especiais. Quem discerne essas coisas pode ficar com uma fisionomia mais serena nas câmeras de circuito interno e reagir com mais equilíbrio quando é tratado como “mais um da fila”. Pessoas que nos servem não são obrigadas a fazer as honras porque chegamos.

A famosa história do general Naamã é um flagra do “circuito interno da Bíblia”. Revela um pouco de cada um de nós. Não vou contar ao leitor porque o mesmo pode acessar aqui https://www.bibliaonline.com.br/nvi/2rs/5/21+#v21  e ler história na íntegra. Ali podemos ver como estamos predispostos a  reivindicar, exigir nossa dignidade, quando deveríamos nos recolher em nossa pequenez.

BASTA

Paulo Zifum
 
O que basta?
Se a Graça não for dose única
Nada é suficiente
Se Cristo não for o summum bonum
Companhia, roupa e pão
Contentamento não darão
Se Cristo não encher todas as coisas
A dor, a privação, a perda e o diabo que esbofeteia
Dirão ser Cristo menos que é
E se for
O que basta?

A PRIMEIRA ROUPA

Paulo Zifum

Como surgiu a roupa? Genesis 3 conta-nos a origem do senso de nudez. Alguns podem achar a história de Genesis um folclore sobre as origens, mas, se pesquisar verá que não há nada que supere o relato bíblico. No princípio do mundo não havia alterações na temperatura do ambiente. Tudo era bom, ou seja, sem frio, sem medo ou vergonha alguma. Isso até o pecado ser cometido. Depois da queda, a primeira roupa conta nossa história e explica muita coisa.

Quando ficar nu tornou-se insuportável para Adão e Eva, eles se esconderam. Expostos: essa é a condição humana. Cobrir-se com o que? Eles não sabiam. Esconder-se de Deus não podiam. Então, o Criador resolve dar fim nesse desconforto. Ele decide fazer uma roupa para Adão e Eva. Essa ideia foi dele. A ideia primária de Adão foi esconder-se, mas a de Deus foi vestir e cobrir a vergonha de suas criaturas fracassadas. A roupa mostra o Senhor disposto a seguir o processo de tratar o pecado sem remover suas consequências. Minimizar o sofrimento sem tirar a disciplina. Agostinho disse que o pecado torna-se a punição do pecado. A vergonha já os punia. A roupa era uma misericórdia. Era um modo de mostrar que, embora estivesse triste com o pecado, não estava insensível ao vexame que o casal estava sentindo. Deus não sente prazer no desconcerto humano. A roupa não foi ideia humana, pensada para resolver o problema da vergonha (hoje usada como instrumento de vaidade). A ideia original foi proteger, cobrir o que estava exposto. O amor de Deus revela-se num detalhe. O material da primeira roupa foi feito da costura da pele animal (supomos um cordeiro) que Deus sacrificou para esse fim. E qual a foi a finalidade? Estilo? Vaidade? Não! Foi provisão, amor e cuidado divino, “porquanto o amor cobre uma multidão de pecados” (1Pedro4.8). O que houve no Éden anunciava que um dia, o Pai iria sacrificar seu Filho, não apenas para cobrir a vergonha humana, mas para tira-la de uma vez e restaurar todas coisas.

DANÇAR FAZ BEM

Paulo Zifum

Eu danço. Balanço. Fico eufórico e entrego-me feliz de modo puro ao som de qualquer música para acompanhar meus filhos que ficam na sala fazendo coreografias animadas. Dançamos juntos e rimos com as coreografias cômicas e performance para honrar a música.Eu e minha esposa dançamos sem planejar ao som terno qualquer música que aproxima. Os momentos onde dançamos com alguém obtemos um vislumbre da comunhão planejada por Deus ao criar todo o universo (que dança no ritmo divino segundo o Salmo 19). A humanidade é vista em sua versão de beleza (falo da dança a dois ou em grupo em sincronia). A dança ensimesmada pode ser bela e técnica, divertida e arrebatadora, mas o bem que torna a raça solidária não se faz quando um talento é isolado e adorado, mas quando “nós dançamos”.