A PORTESIA

Paulo Zifum

“De vez em quando Deus me tira a poesia. Olho pedra, vejo pedra mesmo.” (Adélia Prado).

A poesia é uma porta. O que tem lá? Quase ninguém quer saber. Palavras molduradas, que tomam o comum e criam arte sutil. Algumas saem de lá e desfilam entre os vazios, mas as mais ricas de lá nunca saem. E quem passa por essa porta? As almas sensíveis ou descuidadas entram e, saem se não forem poetas. Porque poeta não se torna, se nasce. Algumas professorinhas chamam a atenção para a portesia, mas o mundo é tão duro que elas quase não tem sucesso.

Eu entrei e ouvi a esperança para o mundo. O poeta pediu: “Toquem os sinos! Esqueçam seus sacrifícios perfeitos! Há uma rachadura em tudo, mas por ela entrará a luz.” (Leonard Cohen). Eu ouvi meu campanário. Olhei para meus ideais, dei alívio e pausa. Pela rachadura da queda vem o Filho. Não saio mais daqui.

Anúncios

Um comentário sobre “A PORTESIA

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s