QUEM É VOCÊ NA INTERNET?

Paulo Zifum

IMG_2313

Tirei essa foto pensando na internet. O que você vê? Tem gente que vê, lá em cima, os donos da Apple e Microsoft, outros dizem que são os donos da Google e Facebook. Há quem diga que os caras embaixo somos nós, carregando a net de arquivos. O barco? Esse é difícil de definir. O mar embaixo também. Os caras lá em cima não poderiam ser os internautas e os trabalhadores os donos dos aplicativos? A foto não nega o sistema democrático, apenas mostra que, sempre, há um comando dizendo para onde a humanidade tende a ir.

Tudo isso é muito divertido. Quem é quem nessa nau? Mas, a pergunta mais importante é a seguinte: Para onde? Os filósofos, profetas e cientistas tentam uma visão distante sobre essa poderosa embarcação que recebe nova tripulação todos os dias. Será que um dia todos estarão à bordo? Os índios de smartphone e os monges online. Não há velhice sem net e não há criança sem tablet. Todos à bordo no whatsapp. Igrejas e ministros, religiões e todo tipo de entretenimento. Todo o comércio integrado e o dinheiro na nuvem. E as questões da metafísica e cosmologia persistem: Quem somos? O que somos? De onde viemos e para onde vamos?

Graças a Deus, essas respostas podem ser achadas na internet, porque o arquivo mais importante da humanidade está na WEB. Você sabe qual é? Por esse arquivo a salvação pode chegar online se o leitor confessar a mensagem que recebeu. Parafraseando Paulo: “para estes certamente arquivo de morte para morte; mas para aqueles arquivo de vida para vida. E para estas coisas quem é idôneo?” (2Co.2.16).

Eu não sei qual o seu papel na internet, mas eu olho para foto e me vejo importante. Estude 2Co.2.14-17 no link abaixo

https://www.bibliaonline.com.br/nvi/2co/2

ME VEJO LÁ

Paulo Zifum

Ah! O homem! Maravilhosa criatura de sonhos e visões. E vai a lugares onde imagina. E realiza façanhas. Ele se vê no futuro. E diz: déjà vu. Quem é como o homem? Se Deus permite, não tem limite. Ah! O homem! Criatura aventureira. Se vê num barco para Társis, folgado  e livre. Se imagina numa terra distante, longe do olhos de Deus.  Assim como sonha, faz. Se Deus não impede, consequência não mede. Pensa em fugir daquele que não compreende. E se Deus permitir, vai conseguir. E vai, faz festa e ri. Enquanto recurso houver, imagina loucuras. Até que o sonho acaba e a vida amarga. Quando o filho acorda, imagina Deus, volta. E sonha com seu perdão. E pensa em sair do inferno, onde nem se imagina. E se vê nos braços do Pai, chorando, em casa de novo. Se Cristo disser que sim, voltará ao paraíso. Ah! O homem! Envolto de esperança. Enquanto fôlego tiver, no último suspiro pode realizar o sonho derradeiro. Se for Deus, seu amor último, ressuscitará para sonhar. Se não, então, o sonho acabou.

ABSALÃO ME FEZ CHORAR

Paulo Zifum

Quando Davi chorou a morte de seu filho Absalão, um abismo se abriu. O rei havia ordenado: “por amor a mim, tratem bem o jovem Absalão” (2Sm.18.5). Pediu em voz alta diante de todo o exército. Mas sua ordem não foi obedecida. Pressentia que a profecia de Natã se cumpriria e que, mais uma vez a dor viria pela carne dos filhos. Quem pode sentir a angústia de Davi? Os pais que fracassaram na educação de seus filhos encontram nesse drama da Bíblia, a companhia ideal para chorar. Quando chega a notícia ruim do filho rebelde, Davi sente a punição de modo inexplicável. O autor do livro de Samuel sabia que nada poderia ser explicado. A morte física de um filho é seguida pela morte emocional de um pai culpado. Davi exclama: “Quem me dera ter morrido em seu lugar” (2Sm.18.38). Ninguém daquele exército cheio de ódio poderia compreender aquele pai que não via seu filho como inimigo. Carne de sua carne, Absalão era para Davi a versão de seus pecados. Era o filho que lembrava sua saída do Éden, que o fez reviver Caim e agora o fazia descer num Sheol de dor. Alí, no campo de batalha, soldados festejavam a vitória. Mas, os homens comuns jamais poderão ver o que os poetas sofrem. “Naquele dia, o exército ficou em silêncio na cidade, como fazem os que fogem humilhados da batalha.
O rei, com o rosto coberto, gritava: “Ah, meu filho Absalão! Ah, Absalão, meu filho, meu filho! ” (2Sm.19.3-4). Quem pode entender a vergonha de mães e pais em visitas nas portas de cadeias? Quem pode absorver o sentimento de ouvir um filho se dizer homossexual? Quem pode compadecer-se de um pai que livra a esposa da faca do filho drogado? Quem capta a desordem de um desgosto de filha? Quem é capaz de sentir com o pai a falta de seu filho pródigo?

Todos os pais precisam ouvir o lamento de Davi. Todos os filhos tem um Absalão dentro de si. A Bíblia ensina tanto a solidariedade da raça quanto o alerta para os possíveis desfechos da história familiar. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Coral cantando When David Heard

O QUE DEUS QUER OUVIR

Paulo Zifum

O publicano, porém, estando a alguma distância, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim pecador” Lc.18.13

Se eu fosse Deus, com todo o conhecimento que Ele tem, seria muito difícil me cultuar. Eu interromperia o culto o tempo todo. –Não canta isso não! -Ei, você. Pare de repetir esse mantra! -Não é bem isso que você está sentindo agora? É? -Porque você não fala sobre sua infelicidade? -Se é para vir com essa má vontade, por que não ficou em casa? Ei? Eu não disse isso não! Pára! Eu não pedi nada assim! -Não quero esse dinheiro sofrido, pega de volta! –Você não vai pedir perdão pelo que fez? Só vai entrar e ficar com essa cara de anjo? Eu não suportaria a falsidade e a enrolação. Seria muito difícil. Acho que ninguém voltaria no próximo domingo.

Mas, ainda bem que Deus não é assim. Embora fique realmente irritado com o culto hipócrita (Caim em Gn.4; Saul em 1Sm17 e o clássico em Is.19.23), parece que Ele se ocupa mais em cuidar dos quebrantados e dos espíritos angustiados. Deus passa o culto inteiro em comunhão com seus filhos pródigos que voltaram e com os de coração agradecido. Segundo Gn.4 e Lc.15, só depois que o culto acaba é que procura um Caim e um Filho mais velho para tratar a atitude descontente deles. O amor e a paciência dele é sem fim. Mas, seu interesse no culto, não está nos que entram no “piloto automático” da liturgia e repetições, e sim naqueles que, com sinceridade, derramam o coração como crianças. Deus alivia os que falam o que Ele quer ouvir, que tratam o que Ele quer tratar. Deus quer curar nosso coração frustrado e cheio de medo, mas se nossa ida ao culto é uma busca cega por felicidade e segurança, o caminho estará bloqueado.

Os cristãos de quase dois milênios concordam que o domingo é um dos encontros com Deus mais especiais da semana. Às vezes podemos reunir dois ou três em nome de Jesus, mas no domingo, reunimos 50, 100, 300, 1000 para buscar o Senhor. E ele prometeu estar ali para atender a concordância e a adoração, para ali ordenar a benção segundo o Salmo 133. Mas, o culto coletivo depende do culto racional individual. Quanto mais indivíduos forem sinceros e humildes, mais Deus se revelará nesse culto. O Espírito Santo pode acender com as confissões certas ou apagar com a falta de honestidade. Não deixe que sua ida ao culto piore sua vida (1Co.11.17). Vá e fale o que Ele quer ouvir. Com certeza, será muito proveitoso!

A BELEZA DA SANTA CEIA

Paulo Zifum

Como é bela e amável a esperança que o Senhor deu aos mortos quando se deitou ao lado deles, como um deles. Ressurja e apresente-se para cantar louvores a ele que o ressuscitou da destruição.” Liturgia ortodoxa síria

Quem ama o Senhor e lê o texto acima, fica sem fôlego. O tema fala do estonteante mistério da encarnação de Jesus, levada às últimas consequências. A morte do Senhor é o tema devocional da Ceia do Senhor, realizada num rito bem simples.

Cristãos participam da solenidade onde recebem das mãos de um ministro devidamente treinado, um naco de pão e um pequeno cálice de suco de uva. Esses elementos trazem consigo a representação do sacrifício de Cristo, sendo o pão a figura do corpo do Senhor moído como o trigo em sua prisão e morte e sendo o suco da uva a dramática imagem do sangue derramado na cruz do Calvário.

Cabe ao ministro explicar o significado desses elementos e frisar aos participantes de que a repetição da Ceia foi uma ordem dada por Jesus, para memória de seu ato de amor. A observância da Ceia mantém a identidade e a unidade dos cristãos no mundo inteiro numa tradição que une gerações desde a vinda de Cristo.

Algumas igrejas obedecem a Ceia com muito mais nobreza que outras. Entre grupos cristãos a Ceia tem qualidades diversas que externam as emoções que a envolvem. Há igrejas que investem na beleza estética, porém com pouca devoção. Outras ceiam com muito emocionalismo, mas com liturgia improvisada.

O ideal é que a Ceia seja uma solenidade bela, bem preparada pelo ministro e que os participantes tenham elevada reverência. A Ceia do Senhor não é um velório, mas também não é uma festa descontraída. É carregada (densa) pelo significado profundo de uma morte única, em torno de um ser humano sem igual, para marcar um momento ímpar da história, cujos efeitos não podem ser mensurados.

Embora uma singela refeição, não pode ser reduzida a um simples ato religioso de elevação moral e trato da consciência. O participante que desfruta de comunhão com o Senhor, tem na Ceia alimento espiritual e também adquire mais segurança para sua alma esfacelada de fracassos pessoais. O Espírito Santo torna a salvação evidente ao confirmar a graça e o perdão no coração daquele que comunga da Mesa do Senhor.

As razões (culto racional) envolvidas na Ceia operam profundas afeições no cristão bem ensinado, mas são desconhecidas por aqueles que não tiveram progresso no conhecimento do Evangelho. O cristão tomará a Ceia por toda vida sem, contudo, alcançar uma compreensão plena da profundidade, largura e altura do amor, presente no sacrifício do Cordeiro de Deus. Por isso, repetir essa Santa Refeição nunca é enfadonho.

Como é bela e amável a esperança que o Senhor deu aos mortos quando se deitou ao lado deles, como um deles. Ressurja e apresente-se para cantar louvores a ele que o ressuscitou da destruição.”

Como você toma a Ceia do Senhor? Deus nos ajude a comer e beber desse memorial discernindo sua beleza, encanto e seriedade.

SAIR DA IGREJA

Sem título

Paulo Zifum

Existem três tipos de saída de uma igreja. A saída de igreja à qual me refiro é o ato oficial de se desligar de uma comunidade local. O primeiro tipo é o PARTO, quando uma pessoa estava sendo gerada para realizar uma tarefa específica em outro lugar. Quando cumpre seu tempo, precisa sair. Essa saída é natural tanto para a igreja quanto para a pessoa. No parto há alegria, pois a saída tem propósito. Mudança de cidade, envio para uma missão ou apenas término do tempo de educação cristã (algumas igrejas formam membros para servir em outras). Não precisamos mencionar que todo parto é um risco e que existem os prematuros. A segunda saída é a do tipo UTI. A pessoa precisa sair para ser protegida de si, do contexto e dos outros, não porque a Igreja quer, mas porque o “acidentado” não pode ser tratado no local do acidente. No Antigo Testamento, em Números 35.6, mencionam-se as “cidades refúgio”. Sair para outra igreja local pode ser um socorro para quem o fracasso impôs uma situação com a qual nem a pessoa nem a igreja tem habilidade de tratar. São limitações da compreensão da Graça que não podem ser negadas e é extremamente sábio aceitar que o melhor para aquele caso e momento é a saída, a permissão de um recomeço. O terceiro tipo de saída é a REBELDE. Esse tipo nem sempre é identificado por simular PARTO e UTI.  A saída de uma igreja normalmente envolve decepções ou “certezas” de opinião. As frases “Deus está me chamando para outro ministério” ou “sinto que meu tempo aqui acabou”, são legítimas e deve ser respeitado o direito do membro definir assim. O problema é que nem sempre há trabalho de parto e nem o “Samu” da igreja local é acionado. Há risco em movimentos muito independentes. A saída por rompimento, feita com ressentimento ou embaixo de uma saraiva de raiva, é REBELDE, e os que saem assim sofrerão a maldição de passar a vida “saindo”, se Deus não agir com misericórdia. Um conselho? Se você saiu rebelde, perceba o processo do filho pródigo em Lucas 15, note os estágios, vença o orgulho e volte. Se a igreja cometeu injustiça ou negligência (o que é comum), volte, porque é melhor estar ofendido na igreja do que sair dizendo ao Pai que a casa dele não serve pra você. Se não saiu ainda, não saia e não queira sair. Se sair for uma solução, duvide. Se sair for uma direção, peça à igreja que recomende. Se a igreja não tem habilidade para operar a saída, corra para uma igreja que tenha a ética da “cidade refúgio”. Mas, cuidado! Alguns refúgios são covis de lobos e não de ovelhas. Se você está sentindo a saída pela “contração” dos relacionamentos, da vocação ministerial ou da oportunidade de mudança, fique tranquilo. A igreja e você sabem que é natural e não precisa de muita explicação. Toda saída mexe com as afeições e pode causar sofrimento. Porém, se uma saída, tem os aspectos descritos em Isaías 55, o verso 12 garante: “vocês sairão com alegria, serão guiados em paz”. De qualquer modo, se for sair, deixe Deus te guiar.