JESUS, O DISCRETO

Paulo Zifum

Eis o meu servo, a quem escolhi, o meu amado, em quem tenho prazer. Porei sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará justiça às nações. Não discutirá nem gritará; ninguém ouvirá sua voz nas ruas. Não quebrará o caniço rachado, não apagará o pavio fumegante, até que leve à vitória a justiça” (Mt.12.18-21).

Jesus comia e bebia com alegria (ao contrário de seu primo João). Embora fosse uma pessoa festiva era um homem muito discreto. Em sua tentação (uma prova de fogo), ele rejeita a proposta de Satanás de fazer marketing pessoal para alçar a fama. Durante seu ministério procurava sempre o anonimato quanto a obras que realizava, obras essas sempre entre os pobres.  Jesus evitava respostas que pressionavam e causavam culpa. Ele exigia decisão, mas sempre deixou seus discípulos à vontade para procurar outro mestre.

São muitos os casos que provam a discrição de Jesus, mas um em particular merece atenção: o caso da refeição na  casa de Marta e Maria. Quando Jesus chegou com seus discípulos, Maria, para comunicar seu profundo interesse em ouvir os ensinamentos do mestre, se ajoelha a seus pés. Marta saiu para arrumar comida e hospedagem, mas logo se viu sobrecarregada, e, inconformada, pediu a Jesus que liberasse Maria para ajudá-la. Jesus poderia ser rude pela petulância de Marta (talvez, por julgar a conversa deles algo de menos importância), mas responde de modo discreto e amoroso (Lc.10.38).

Um espírito discreto é típico de uma pessoa temperada. Podemos perceber isso em Jesus e suas respostas. Ele era sublime em seu trato com as pessoas, refinado em sua abordagem, mantendo a distância para não oprimir a ninguém. E, o fato de exigir clareza dos que o seguiam não significava que era grosseiro e invasivo.

Ele poderia ditar as coisas, mas preferia perguntar: “quem dizem que eu sou?”. Poderia impor, impressionar, mas foi tão discreto que até João, um profeta, duvidou. Ele se “despiu” em cada contato pessoal, em cada demanda, fazendo questão de servir. Sublime kenosis! Deus encarnado com uma humildade de tirar o fôlego.

Eu quero assim, responder sem ser dramático, sem ser pesado como um sol ao meio dia. Eu quero ter presença, sem ter que pedir licença e fazer o bem sem chamar atenção. Enquanto não aprendo isso direito, vou cantando a teoria  “e que diminua eu, pra que tu cresças  Senhor, mais e mais”.

*sugiro a leitura da poesia “Eulefante” e o texto “Eu Serei o Segundo” neste mesmo blog

música abaixo fala do nascimento de Jesus, embora discreto, os anjos cantaram para ele

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UM CAMINHÃO DE MUDANÇAS

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Paulo Zifum

Eu mudei. De caminhão. E foi um caminho grande até aqui. Mudei de vida e a vida dos outros. Coloquei minhas coisas no baú, não para guardar, mas para mudar. Lembranças que não queremos esquecer levamos de caminhão. Eu peguei a estrada e deixei gente querida que não cabia. Essa tal de mudança dói. Deus está por trás disso. Ele parou o caminhão frente ao portão e me disse: Você não pode levar tudo. Isso é uma mudança. Perguntei se podia olhar pra trás, só para acenar. Ele assentiu.

Cheguei de novo, como de outras vezes, num caminhão de mudança. Ê vida! E Deus não perde tempo! Muda a gente. Cada caixa que encaixei, cada móvel que movi, cada pedaço de mim que guardei, veio no caminhão. Ah! Como queria deixar algumas coisas! Mas as trouxe para mudar aqui. E aqui vou abrindo o coração, caixa por caixa, e, com ajuda do próximo, colocar tudo no lugar, até o dia de mudar, na hora que Deus mandar… o caminhão.