PASTORES SE SEPARAM DO PASTOR

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Paulo Zifum

A separação de Ló e Abraão (Gn.13) pode servir de parábola para muitos pastores de nossos dias. Homens que prosperaram em seus ministérios, um pouco, de modo proporcional a seus começos. Depois de um tempo surge conflito entre o modo bíblico de pastorear e modo “arrojado” de administrar a igreja. Alguns líderes nem percebem que os problemas não estão radicados nas tarefas (funcionárias), mas sim na definição de quem é o guia da caravana e qual o destino dela. Quando um pastor fica forte, sabe pregar e tem certa autoridade de homem, corre o risco de ouvir o Senhor Jesus dizer: “Sou seu irmão mais velho, não devemos continuar com conflitos de orientação. Escolha a direção e eu levarei minha igreja para a outra”. Mas o Senhor diz: “Você já está abastado e já chegou a reinar sem mim”. Seria isso possível?

Como Ló conseguiu interpretar a fala de Abraão como uma oferta favorável? Como pastores podem achar que a autonomia que lhes está sendo dada seja liberdade para pregar o que acham ser “funcional”? Não seria a bondade de Abraão algo para se desconfiar?

O pastor pode estar “armando suas tendas” para um lugar de onde nunca mais voltará como fez o Clero Romano na Idade Média. É bastante revelador: Muitos deixaram tradições, o estudo e interpretação histórico-literal, para seguirem modas. Por causa de conflitos e demandas institucionais, deixaram Abraão. E Abraão é nobre como o pai do filho pródigo: “e repartiu-lhe os haveres” sem fazer nenhuma resistência.

Quem é suficiente para essas coisas?

COBERTURA ESPIRITUAL

Sem título

Paulo Zifum

O conflito entre Abraão e Ló em Gn.13 revela muito sobre as visões que temos sobre nossa identidade, o propósito de nossas vidas, sobre o que compreendemos de nosso chamado. O conflito serve como fogo que revela o teor de nossa fé e nossa maturidade sobre a questão da autoridade espiritual. Derek Kidner diz: “A prova de toda a existência de Abraão, de sua obediência à visão, toma nova forma neste capitulo, na tentação de auto-afirmação contra Ló, e nos atrativos das cidades da planície. Com a terra prometida falhando novamente (12.10). Abraão se elevou na fé. Ele agiu com discernimento, bom senso e generosidade. Ele renuncia seu direito de escolha. Pela fé optou pelo que não podia se ver. Ló estava “baseado na visão de seus olhos” (13.10). As consequências, quanto aos dois homens, são instrutivas. Ló, escolhendo as coisas que se veem, achou-as corruptas (v.13) e inseguras, levando-o a tornar-se isolado e desprezado. Abraão, por outro lado, achou a liberdade”.

Os “rachas” são comuns e alguns são aceitáveis. A separação de Paulo e Barnabé não sabemos se foi saudável nem a de Moisés e Hobabe, mas a separação de Ló ficou sob suspeita. A proposta de Abraão visava liberar seu sobrinho, desobriga-lo de peregrinar com ele.  Abrãao tinha consciência de que Ló precisava fazer uma escolha, pois até ali não teve opção. O conflito trazia essa oportunidade: sair da cobertura de Abraão. Jesus fez algo parecido com seus discípulos: “vocês não querem aproveitar para ir”? Antes Ló tivesse respondido como Pedro: “Tio, só o senhor tem a bussola, eu não tenho para onde ir, vou te seguir até o fim” Ou como disse Eliseu: “tão certo como vive o Senhor, nunca te deixarei” – ou como Rute: “para onde tu fores irei, teu Deus será meu Deus”. Porém, Ló fez o que muitos fazem: saem debaixo da cobertura espiritual para uma “carreira solo”. Filhos fazem isso, cônjuges fazem isso, amigos e membros de igreja. Fazem isso, exatamente isso que Ló fez, interpretando de modo errado os sinais dos conflitos ou ousando “sem asas” numa esfera onde não são autoridade alguma.

Como andam seus movimentos com relação aos conflitos, carências, decepções e ansiedades? Você tem sofrido tentações de olhar para as “campinas atraentes” como Ló? Você tem sentido dificuldade de entregar decisões para permanecer embaixo da autoridade espiritual que Deus lhe providenciou?

FILHO HOMEM

Levi

Paulo Zifum

Ele chegou menino. Recebeu nome hebraico. Nome de tribo sacerdotal. Recebeu profecia quando nasceu, de que seria firme e não teria medo. Mas quase morreu ao nascer. Foi criado sob os olhos de sua mãe e trovões de seu pai. Recebeu dons de Deus. Semelhante a Tribo de לֵּוִי, ele é músico. Com 6 anos, numa noite de inverno, olhou para as estrelas e desejou conhecer a Cristo. Com 14 anos sofreu impacto do mundo quando o Hacker invadiu seu sistema. Tornou-se alvo, mas correu para Cristo, que o escondeu. Sob a bondade e firmeza de sua mãe e fendas emocionais de seu pai, sobreviveu às pressões da juventude sem identidade. Achou a sua em meio à dúvidas. Quase escorregou, mas o Senhor o sustentou. Foi despedido aos 17 para fora do ninho. Hoje, com 18, está no mundo, em alto mar. Amarrado ao mastro, para cumprir sua vocação de homem, que ainda não sabe ao certo onde o levará. Sob os olhos marejados de sua mãe e quietos de seu pai, sob as orações piedosas de muitos, o menino se despede das coisas pueris, embora, como todo homem, guarde os sonhos de menino. De vento em popa, velas abertas, bússola bíblica, vai o marujo לֵּוִי. Vai a seu destino, que, segundo Deus, não pode ser frustrado.

SER MÃE É PUNK

Paulo Zifum

-Caramba. Preciso colocar feijão de molho. -Onde você vai querida? -Mãe, tô com fome. -Tem um pernilongo me picando.- Acorda, tá na hora da escola! -Já falei, tá na hora! -Levantar! -Saiam já dá cama! -Você ainda está nesse banheiro? -Vai sair sem comer! -Deus te abençoe. -Feijão! Esqueci o feijão no fogo!- Reunião da escola? -Pra quê essa reunião às 10h da manhã? -Mãe? A senhora veio desse jeito pegar a gente? -Ai! -Esqueci! -Tá na mesa! -Vai esfriar! -É pra comer salada também. -Deixa para seu irmão. -Por que você coça tanto essa cabeça? -Piolho de novo? -Vovó tá no telefone. -Não, mãe, eu já marquei o exame. Depois que eu levar os meninos na escola eu passo ai para te ajudar. -Passa essa roupa pra mim. -Mãe, perdi meu celular. -Não chora, a gente acha. -Já não falei pra não andar de skate na rua? -Tá doendo! -Fica com o Joãozinho que vou levar o Pedro no hospital. -Mas, mãe? Eu tenho aula de inglês agora a tarde! -Vem cá João. Obrigado mãe! -Não quero você andando com aquele rapaz. -Querida, onde você está? Estou sem a chave. -Estou na farmácia e já chego. -Amor? Que cheiro de queimado é esse? -Você trouxe o remédio do piolho? -Deixei o ferro ligado. -Oi, pelo menos! -Pedro quebrou o pé. -Dá banho no Joãzinho. -Nâo posso, tenho uma reunião daqui meia hora. -Você pagou a conta de telefone? -O que tem pra jantar? -Pão. -Só pão? -Tem comida na geladeira. -Mãe, me ajuda na tarefa de casa? -Mãe, vou poder ir no passeio da escola? -Meu tênis abriu. -Vou esganar quem entrou com o pé cheio de caca. -Desliga essa televisão! -Fecha agora esse computador! -Onde a senhorita está? -Por que demorou para atender esse celular? -Vocês fizeram devocional? -Vamos fazer oração juntos. -Deitados não! Ajoelhados! -Já pra cama vocês dois!   -Mãe, o chuveiro não está esquentando. -Seu pai vai chegar daqui a pouco e não quero ninguém acordado. -Querida? Cheguei! -Oi. -O Pedro está melhor? -Está com um pouco de febre. -Vai tomar seu banho. -Você já viu o resultado do exame? -Já. -E aí? -Estou grávida. -Vamos orar?