EU ACHO QUE ME CONVERTI

Paulo Zifum

Quebrantamento : Depois que ouvi o Evangelho e aceitei seus termos sobre meu estado como pecador, passei a viver uma vida quebrantada. Passei a pedir perdão, não como algo raro ou forçado pelo poder alheio, mas por sentir contrição, por sentir o peso da ofensa de meus rompantes egoístas. Perdi a conta de quantas vezes me humilhei pedindo perdão a Deus e para pessoas. Passei a me importar com a jornada de voltar atrás e procurar reparar meus erros. Tenho muitas dificuldades para viver assim, mas estou perseverando. Estou consciente das pessoas que são atingidas com a má contribuição de meus pecados e peço a Deus que as ajude enquanto também abandono a vida rabugenta.

Amor ao Próximo: Depois que senti o amor de Deus as pessoas agora saltam  em minha frente e eu as percebo. Nunca meu próximo ficou tão perto. Nunca o deixei chegar tão próximo. Passei a enxerga-las com afeto e admirá-las. Deixei de vê-las como ameaça. Passei a me sensibilizar com elas e a preocupar-me com suas lutas e infortúnios. Tornei-me solidário com minha raça. É claro que algumas fazem esse trabalho tornar-se quase sobre-humano, mas a maioria dos pecadores é bem amável. Sinto-me feliz pelo fato de dedicar parte da minha vida servindo meus familiares e desconhecidos, nas ruas, pelo telefone ou até pensando no bem para elas. Não consegui praticar o amor sacrificial pelo inimigo, doar grandes somas de meu dinheiro ou até um rim. Esse amor ainda não sei como é. Mas acho que estou me saindo bem na fase inicial. Sinto-me mais humano e redimido.

Devoção: Depois que tive um encontro com Cristo (coisa que não posso provar que tive), passei a me relacionar com Ele de maneira intensa. Esse é um assunto bem secreto, e quanto mais secreto mais parece-me digno. Minha devoção me leva a buscar a Jesus como quem sonha com um paraíso ou uma grande realização na vida. Hoje acho que passar horas de oração é a melhor maneira de passar a vida (embora tenha preguiça muitas vezes). Tenho emoções indescritíveis lendo a Bíblia. A pessoa de Jesus, seu nascimento, sua vida e morte causam em mim fortes comoções pelas revelações que aumentam cada dia. E o que mais me encanta nEle? É algo inexplicável relacionado com o perdão que Ele oferece. Um perdão que o mundo não pode me conceder, uma anistia que ninguém pode oferecer. Sinto-me perdoado de modo que tenho paz. E é nessa paz onde minha devoção lança fora todo medo e faz-me aquietar-me num culto coletivo ou numa hora silenciosa. Eu que era superficial e agitado, agora sou dado a contemplação.

Estou seriamente pensando em concluir que eu me converti. Venho passando por isso há quase 30 anos. Acho que algo muito importante está ocorrendo.

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PREÇO PARA SER DISCÍPULO

Paulo Zifum

Muitos seguiam a Jesus de modo entusiasta. Uma multidão de gente eufórica o perseguia cheia de admiração. Mas o Senhor escolhia seus discípulos. Esses escolhidos eram convidados a pagar o preço para seguir o mestre de modo inteiro e imediato. Os Evangelhos contam que nem todos conseguiam pagar 100%, ou seja, deixar tudo de modo imediato e inteiro. Alguns cristãos demoram anos para chegar ao status inteiro porque não conseguem obedecer ao chamado na hora em que a voz diz: Vem e  segue-me! Pedro, por exemplo, conseguiu atender ao Senhor imediatamente sem hesitar, mas no final de três anos de discipulado fraquejou e voltou a estaca zero, ficando de segunda época para um novo chamado.

O preço do discipulado é como um boleto que chega para o escolhido. Para alguns vem parcelado e para outros quase de uma vez. Tem gente que chega na igreja e o casamento torna-se o tema central do “renuncie a si mesmo”, para outros são os negócios, para uns o recolhimento da vaidade. O preço para seguir a Cristo para a maioria vem em doses dia a dia, as parcelas vão desde assumir ser cristão na escola até tratar a preguiça. Para cada discípulo o Senhor trará um desafio específico. Zaqueu. assim como o jovem rico, tinha de desapegar das posses, mas outros podem tomar a Cruz em mortes que não envolvam coisas materiais como no exemplo do perdão a um malfeitor.

É claro que nem todo sacrifício é legítimo do cristianismo. A alma religiosa pode pagar preços insanos de romaria a jihad, de vigílias a grandes somas de ofertas e nem por isso alcançar qualificação. O preço exigido pelo Senhor é dirigido àqueles a quem ele escolhe e isso não pode ser concursado pelo homem.

O preço do discipulado chega para cada um dos escolhidos de modo a confirmar que foram de fato chamados. Alguns estão indolentes como Jonas, dormindo no porão da igreja. Outros estão postergando como Moisés, suplicando para outro pagar. Muitos, no meio da multidão de seguidores tentam evitar o chamado e se escondem numa profissão ou tradição de família, justificando-se por questões culturais ou alegando medo. Um candidato pode até negar o Senhor como fez Pedro, pode se desviar, mas inexoravelmente virá o encontro com o Senhor, na praia ou na cidade, na igreja ou em casa, na juventude ou velhice, o boleto vai chegar com o símbolo de uma Cruz: “pagável no próximo ato”.

Os discípulos leem isso e agradecem a Deus pelo santo chamado. Agradecem por conseguirem tomar a cruz e renunciarem a tantas coisas nessa vida para ganharem a Cristo e serem achados Nele como disse o apóstolo Paulo.

Não sei você, mas eu estou com uma parcela em mãos e tenho feito cálculo dessa aventura de seguir o Senhor. Leio o boleto e sei claramente o preço. Nunca minha vida cristã foi clara! Nunca o preço de morrer para mim mesmo foi tão bem aceito. Sinto-me um discípulo!

EXIGIR DECISÃO DOS CRENTES

Paulo Zifum

Eu e minha casa serviremos ao Senhor” Josué 24.15

Exigir decisão é uma das funções da liderança. A Bíblia nos fala de um momento crucial na vida da recém criada nação israelita depois que venceram os povos de Canaã e tomaram posse da terra. Esse momento, liderado pelo velho general Josué, exigia cuidado porque as facilidades e prosperidade que a nação viveria poderia ocasionar enfraquecimento da fé   Quando tudo parecia estar resolvido, Josué levanta a dúvida: Será que é isso mesmo que vocês querem? Vamos conferir! (Js.24.14).

Pais e líderes da Igreja de tempos em tempos, devem convocar os crentes a reafirmar seu compromisso com Deus. Tudo parece estar resolvido, todos são crentes e está tudo bem, até que Deus levante um líder para confrontar a todos. O Senhor fez isso com seus discípulos, pois diz:”Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele. Então disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos?” (Jo.6.66-67). Nessas horas os cristãos tem a rica oportunidade de reafirmar, renovar a aliança com Cristo. E todos nós precisamos parar, avaliar se de fato estamos andando no Senhor, se de fato o conhecemos como Soberano, se realmente nosso coração está no culto, se de fato o servimos de modo inteiro.

Josué tinha mais de 80 anos quando fez a pergunta simples que impactou aquela geração. Depois de sua morte, ninguém se desviou, pois diz: “E serviu o povo ao Senhor todos os dias de Josué, e todos os dias dos anciãos que ainda sobreviveram depois de Josué, e viram toda aquela grande obra do Senhor, que fizera a Israel.” Jz.2.7. Mas quando não temos  líder para nos confrontar, podemos cair no despenhadeiro que a geração posterior a Josué caiu, pois também se diz: “outra geração após ela se levantou, que não conhecia ao Senhor, nem tampouco a obra que ele fizera a Israel.
Então fizeram os filhos de Israel o que era mau aos olhos do Senhor” Jz.2.10.

Em nossos dias algumas “casas” (sejam núcleos familiares ou igrejas) caem nas garras da cultura e suas conveniências. Os filhos podem não manter o pacto assumido pelos pais, por isso, todas as famílias e igrejas precisam de tempos em tempos reunir-se em assembleia não para tratar de coisas administrativas, festas, projetos e compras, mas para fazer uma “profilaxia do coração”. O Mundo e o Diabo introduzem dúvidas e tentam os cristãos com sensualidade e vaidade, mas são os ídolos do coração, que brotam da Carne, que é fraca, que faz com que os filhos de Deus vacilem. E quando os crentes ficam divididos deixam de ser aptos para o Reino. A resolução de Josué deve ser exigida dos pais aos filhos, dos líderes da igreja aos membros e o compromisso deve ser reafirmado sempre.

VELHO JOSUÉ

Paulo Zifum

Josué, filho de Num. Assim chamava o condecorado general, primeiro líder militar de Israel. Moisés também liderou uma ofensiva militar, mas a manobra foi totalmente sobrenatural. Josué marchou em terra com soldados humanos. Quando Oséias nasceu (seu nome original) Moisés ainda era príncipe do Egito. Imaginamos que  Josué cresceu ouvindo sobre a fabulosa história de Moisés, o bebê hebreu encontrado no Rio Nilo e criado como filho de Faraó e ainda como esse Moisés matou um egípcio e desapareceu fugido. Pode-se dizer que Josué viveu nos piores tempos de escravidão de seu povo hebreu.Tornou-se proeminente líder de sua tribo antes dos 40 anos. Provavelmente teve pais piedosos que o ensinaram sobre a esperança da profecia dada ao grande líder José dias antes de sua morte. Josué viu Moisés chegar  de volta ao Egito e assistiu juntamente com sua família o poder de Javé derrotando a Faraó. Josué e sua família viram o mar se abrir, comeram a comida que caía do céu (manah) e tantos outros sinais maravilhosos no deserto. Josué se apegou a Moisés e tornou-se seu discípulo. Moisés percebeu que esse varão da tribo de Judá era de fato como um “leão novo” e por isso o colocou para liderar a guerra (Ex.17.9) e cumprir a vocação profetizada por Jacó: “sua mão estará sobre o pescoço dos seus inimigos,; os filhos de seu pai se curvarão diante de você. Judá é como um leão novo, como leão que se assenta, quem tem coragem de acordá-lo?” (Gn.49.8-9). Josué foi um dos 12 espias que lideraram a incursão secreta em Canaã. Foi promovido à substituir Moisés por ordem do próprio Senhor. Foi Moisés que mudou o nome de Oséias (ajuda em Hebraico) para Josué (Deus ajuda).Tornou-se líder espiritual de uma nação de mais de 5 milhões de pessoas. Ele tinha intimidade com Senhor e tomou a terra prometida também de modo sobrenatural, mas sempre com o uso da espada para finalizar a conquista. A guerra era um dos meios que Deus usou para fortalecer aquela segunda geração de homens livres que ainda carregava estigma da escravidão de seus pais. Josué viveu grandes aventuras com Deus.

A famosa resolução de Josué “Eu e minha casa serviremos ao Senhor” foi pronunciada no fim de sua vida, já bem idoso. Imaginamos ele, velhinho, rodeado com seus netos sendo obrigado a contar aquela incrível história da queda de Jericó e a sensacional resposta de oração que fez o sol parar. Imaginamos esse velho reunindo toda sua família, filhos e filhas, genros e noras, netos, bisnetos e tataranetos para confirma-los no pacto com Deus. Nem todas as “casas” de Israel tinham decidido permanecer firmes no pacto de servir apenas a Deus, por isso Josué convocou um referendo nacional com autoridades, juízes, oficiais e todo o povo para que houvesse um confronto pontual sobre a pureza espiritual da nação (Js.23.1-2). Sábio, percebendo que sua morte se aproximava e que Deus não havia levantado um líder para substituí-lo, Josué faz essa última assembleia solene. Ali ele publica a famosa decisão que, até nos dias de hoje, tem impacto sobre os cristãos do mundo todo.