O LENHADOR

Paulo Zifum

Quando eu era criança ficava impressionado com as mãos dele. Seus dedos eram grossos e quadrados. Toda vez que vejo um machado, o imagino saindo de casa ao romper do dia, entrando na mata para escolher seus desafios. Penso nas batidas secas e cadenciadas do machado. Penso nas lascas voando e o suor salgado escorrendo em seu rosto. Penso no perigo das toras gigantes desabando no ar. Penso nele cansado, sentando com sua marmita, meditando como faria para dar uma vida melhor para seus filhos. Penso que éramos a razão dele cortar mais árvores que os outros lenhadores e a lavrar dormentes até anoitecer. Penso nele voltando para casa picado de mosquitos, molhado de suor, com os braços doloridos e mãos cortadas. Penso nele entrando em casa, com seu machado nas costas. Ele só tinha tempo de tomar um banho, comer do prato que sua esposa com carinho colocava, dar um beijo nos filhos e deitar cansado. Imagino que ele sonhava com árvores caindo enquanto amolava seu machado.

Fui carregado nos braços de um lenhador, que me pegou e disse: meu filho!                Ainda vejo seu machado.                                                           Tenho saudade dele.

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4 comentários sobre “O LENHADOR

  1. Eu me lembro das costas dele cheia de carrapatos , que eu gostava de tirar. Nosso amado pai, amaremos sempre e eternamente.

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