ESCONDER JOÁS

MATANÇA DOS INOCENTES  de Guido Reni

Paulo Zifum

Quando Atalia, soube que seu filho, o rei Acazias, fora assassinado, mandou matar todos os seus netos, herdeiros do trono. Mas, Jeoseba, filha do rei Jeorão e irmã de Acazias, pegou o pequenino Joás e o escondeu num quarto, junto com a sua ama, evitando assim que fosse morto. Seis anos ele ficou escondido com ela no templo do Senhor, enquanto a sinistra Atalia governava o país (2Rs.11.1-3).

O texto acima é um dramático relato bíblico que nos faz pensar nas crianças. Elas não escolhem a época em que nascem e frequentemente ficam expostas. A perseguição contra os infantes é marca da história humana. Satanás move suas agências para impedir que herdeiros legítimos governem o mundo. Ele tem obsessão pelo poder e crianças são sempre uma “caixinha de surpresas”.

Desde Faraó até Atalia, chegando a Herodes, há uma atmosfera de malignidade para matar crianças. E hoje os modos de “roubar, matar e destruir” um pequenino vão de palavras de maldição até visualizações na internet. Uma vez atingida, a criança fica incapaz de reinar para o bem do mundo. Não é o egoísmo, hedonismo e narcisismo dos jovens um sinal de que não escaparam?

Mas, ainda bem que o mundo está cheio de Jeosebas e Joiadas que escondem crianças em situação de risco. E essa é a razão de ainda termos homens e mulheres sóbrios para manutenção do bem. Porém, de quem estamos falando?

Falamos de mães que, quando percebem o perigo se apressam em esconder os filhos de três maneiras: 1-Com orações a Deus. 2-Com uma boa surra. 3-Com uma boa Escola Bíblica. As mulheres ágeis como Jeoseba não ficam assistindo os demônios marcharem contra a criança indefesa. São capazes de disciplinar com vara para proteger suas crias do “monstro da rebeldia” (pois quebrar uma vontade que não quer limites é o modo sapiencial de esconder do mal). A criança entregue a si mesma fica exposta ao “leão que anda em derredor“. Essas mães, avós e tias arrancam Joás da cama e carregam para Escola Bíblica Dominical.

Falamos de pais que fazem como Joiada (leia sobre ele na continuidade do texto de Reis). São homens corajosos que usam a espada para proteger a vocação de seus filhos. Homens que sabem proteger dos ataques sinistros do Diabo. Verdadeiros sacerdotes que não se calam diante de “ideologia de gênero” ou qualquer tentiva do Estado de educar filhos segundo o Maligno. Governos podem usurpar o poder por anos, mas Joiada sabe que o menino escondido se levantará no tempo de Deus para cumprir misericórdia e justiça.

Falamos também da Igreja que tem acolhido crianças e protegido gerações inteiras. Meninos e meninas que, se não fossem escondidos, jamais teriam sobrevivido. Eu sou uma dessas crianças e não sei o que seria de mim se não tivessem me escondido em Cristo.

A conclusão que chegamos é que a tarefa de “esconder” crianças do mal é um discernimento que todos os cristãos devem ter, segundo a palavra que diz: Levanta-te, e toma o menino… porque Herodes há de procurar para o matar”  Mt.2.13

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PAVIO QUE FUMEGA

Paulo Zifum

O famoso poema hebraico diz: “ainda que eu passe pelo vale da sombra da morte“. Nessa frase podemos extrair ricas matizes da fé num Deus pessoal. Uma das que aprecio é quando qualificamos o “vale da sombra” como a perda de uma pessoa amada. A morte de um ente, de um amigo, de uma figura que nos protege, pode configurar uma escuridão em nossa vida. Pessoas são como um lâmpada em nossa estrada. Podemos  notar isso quando militares do Rei Davi o proibiram de se expor à guerra ao dizerem: “Nunca mais sairás conosco à guerra, para que não apagues a lâmpada de Israel”. (2Sm.21.17).

É comum filhos, pais, cônjuges e amigos ficarem com grande temor por causa da escuridão que se faz quando um desses faróis se apagam. E a situação se agrava quando o candeeiro esmaece nas horas mais críticas.

Nesses momentos perguntamos o porquê Deus permite que isso aconteça. E Deus, em vez de responder, apenas desce conosco, em silêncio. E Ele mesmo não se importa com a escuridão porque as trevas e a luz são para ele a mesma coisa. Embora saiba que no vale não podemos ver nada, Ele nos faz sentir os “toques” de sua vara e seu cajado. É um desafio acreditar sem ver, confiar sem entender.

É totalmente razoável chorar sobre o “pavio que fumega”  e fazer perguntas inconformadas a Deus. Vários personagens da Bíblia fizeram sinceros dramas no momento em que luz apagou (Jacó, quando perdeu José. Davi, quando morriam os heróis). Temos necessidade de segurar nosso candeeiro, seja um filho, amigo, herói, pai ou mãe. Deus entende isso.

Há também uma precariedade na incerteza de quanto tempo dura uma lâmpada. Somos uma luz que Deus acende, mas podemos apagar a qualquer momento. O plano de iluminar um filho até que se case nem todos puderam realizar. Jesus disse: “Por mais um pouco de tempo a luz estará entre vocês. Andem enquanto vocês têm a luz” (Jo.12.35).

Pessoas podem partir e nos deixar num tremendo vale de escuridão. E só quem já desceu sabe o quanto é assustador. Nessas horas, o Salmo 23 salta acima de todas as poesias. E ele mesmo é o “toque” do cajado do Bom Pastor, que muitas vezes não acende outra luz, mas nos dá a segurança que nenhuma pessoa nessa vida poderia nos dar.

PALAVRA MEDICINAL PARA A VIDA CONJUGAL

filme 3

Paulo Zifum

Falar é a única forma de realizar um casamento legítimo. Diante do Juiz de Paz os nubentes devem dizer “sim” e isso basta. Falar é também uma das formas de se manter um casamento. Com palavras podemos tanto curar como adoecer. Palavras podem ser medicinais ou letais. Por vezes temos boas intenções, mas a comunicação é uma fonte de confusão. A língua é como um leme que pode fazer a vida conjugal rasgar como um Titanic na dureza do gelo do coração.

O ser humano precisa de ajuda no uso de suas palavras. Precisa de um tratamento do coração para poder produzir palavras medicinais, palavras  de vida. E nisso os cristãos concordam: Em nós não habita bem nenhum e nosso coração é enganoso e corrupto. Nossas palavras são frequentemente sobre “sentimentos racalcados”, em torno que temas “batidos” como a defesa de alguma razão, reclamação de algum direito ou alguma ameaça fria.

Esse é o motivo, talvez, porque o Espírito Santo desceu como língua de fogo. Talvez uma alusão a Isaías capítulo 6 onde se faz necessário “queimar a boca” primeiro. O Espírito Santo na festa do Pentecoste veio sobre cristãos e os capacitou a falar e a orar. O profeta Joel já havia predito que o Espirito seria derramado sobre “toda carne” e que o sinal seria: falar segundo os oráculos de Deus. E parece que um dos bons sinais da pessoa cheia do Espírito é que ela fala de modo surpreendente, fluindo rios de água viva.

O casamento tem muitas enfermidades. Não poderá curar ou redimir-se só com nossas palavras de “me desculpe” ou “vamos tentar assim”. O casamento precisa da medicina de Palavras Bíblicas e orações no Espírito que só ele produz. Precisa de palavras de compaixão e compreensão que são dadas ao cônjuge e que vão além de suas limitações. O Espírito Santo pode desenvolver em nós “o mesmo sentimento que houve em Jesus” e nos fazer dizer palavras que farão o coração de nosso cônjuge “arder” de modo redentor.

Teologia Aplicada sobre o Espírito Santo/ Textos Bíblicos usados: Pv.16.24; Pv.18.21; At.2.1-4; Jr.17.9; Tg.3.6; Jo.7.38; Fp.2.5; Ef.5.18;

TIA ROSE

rose

Paulo Zifum

Aos 10 anos eu brigava muito com minha irmã. Minha mãe, para tratar nosso desafeto, riscou um círculo de pólvora, nos colocou dentro,  invocou os exús e fez um “descarrego” com arruda. Foi uma cerimônia inesquecível. Era assim que minha mãe e minha avó (curandeira e feiticeira) tentavam nos educar. Cresci em meio ao sincretismo religioso, porém, aos 14 anos fui convidado para visitar uma Igreja. Foi lá conheci Tia Rose.

Converti-me num retiro ouvindo dela a explição do Evangelho. Passei a ser discipulado por ela numa classe com 20 adolescentes. O fervor de Tia Rose nos arrebatava ensinando as Escrituras. Com um ensino adulto e sóbrio, ela mesclava com brincadeiras, gincanas, desafios, nos fazendo decorar textos bíblicos inteiros.

Ela era capaz de nos “fritar” com aulas relevantes sobre conduta, honra aos pais, honestidade e coragem cristã diante do mundo. Nunca saíamos ilesos de uma aula. Aprendemos a orar e a amar a Deus. Aqueles meninos de minha classe tornaram-se homens e mulheres comprometidos com Deus, pastores, missionários, presbíteros, professoras de EBD até hoje. Fomos marcados para toda a vida.

Minha mãe converteu-se e hoje é uma Loide, mas Tia Rose é e sempre será minha Eunice (2Tm.1.5). Rose não apenas educou seus filhos no Caminho, mas encaminhou a muitos outros filhos. Seus Timóteos estão nas igrejas, sendo muito úteis, assumindo ministérios e vivendo uma vida de santidade. Ela também gerou muitas Eunices, que logo se tornarão Loides.

Seu legado será eterno.

Obrigado Tia Rose

Com carinho

Timóteo

LOIDE E EUNICE

EUNICE LOIDE

Paulo Zifum

Felizes os que nasceram de mulheres como Loide e Eunice (2Tm.1.5). Porque os filhos herdam os traços de personalidade dos pais, mas não podem herdar a fé. A fé não é transmitida automaticamente e nem pelo acidente do convívio.

Depois de educar os filhos, algumas  avós continuam a missão com os netos, criando uma escola de reforço. Eunice ensinava seu menino grego em casa e a vó completava contando as histórias da fé enquanto enchia o neto de bolinhos com azeite. O pai de Timoteo era pagão, mas não fazia oposição para a educação judaica. Mãe e filha investiram ensinando o menino sobre o Antigo Testamento. E, embora Timóteo não tenha recebido a marca da aliança no corpo (circuncisão do prepúcio), seu coração estava impingido do ensino, piedade e orações da avó e mãe.

Elas trabalhavam em equipe num trabalho reconhecido pelo apóstolo Paulo (2Tm.3.14-15). E qual trabalho? A educação infantil baseada nas Escrituras. Não uma educação feita de “colcha de retalhos” do pensamento humanista ou moralista, mas cheia de Bíblia, oração e fé. Timóteo foi criado num contexto grego e não tinha acesso à sinagoga, mas isso não impediu que o menino adquirisse uma cosmovisão judaica.

Hoje as mães e avós na fé não se limitam aos filhos biológicos. Elas estão nas igrejas, focadas no ensino de crianças. E muitos podem testemunhar que tiveram Loides e Eunices como guias espirituais.

Quando Timóteos surgem como padrão dos fiéis, no procedimento, na fé e na pureza, quando uma igreja tem uma geração de homens e mulheres de fé… pode procurar que Loide e Eunice estão em ação.