SEBASTIÃO E DEUSDETE

TIÃO E DEUSDETE

Paulo Zifum

Tio Sebastião Ramos foi um parente que eu não conheci. Ele era de temperamento calmo e bom. Era bem humorado e fazia travessuras sem mal. Gostava de caçar com bodoque junto do amigo inseparável Deusdete. Mas o que mais faziam era pescar o surubim com um pedaço de pão-de-sabão ou sabão-do-reino. O bicho chegava roncar ao tira-lo do Rio Doce. Naquela época, minha mãe dizia que a vida era simples, o estudo precário, as amizades eram fiéis, as doenças eram severas e o catolicismo se misturava com  crendices que norteavam a vida.

Bastião era sensível, apegado à família. Aos doze anos foi pego chorando porque suas duas irmãs menores, Camelita e Edite, usavam vestidos puídos: “preciso arrumar um trabalho, eu sou homem e posso andar rasgado, mas não posso ver as meninas assim”. Sua mãe prometia consertar, mas chega uma hora que a pobreza não pode ser remendada. Com Chico vaqueiro arrumou serviço, campeando gado, prendendo bezerro e tirando leite. Ganhou dois réis, significante quantia com a qual conseguiu comprar um pedaço de chita que entregou à mãe para fazer dois vestidinhos. O trabalho era uma virtude evidente no jovem, que de tão maduro, foi aceito como tal aos quatorze anos pelo ritual adulto de poder fumar cigarro de palha com meu avô Joaquim Ramos.

Sebastião achava que os moças de Pedra Corrida (distrito de Açucena-MG), eram muito fáceis. Não que fossem indecentes, mas ele dizia que tinha apreciação pelas moças dos cantões que eram mais “vergonhosas”. Ele já falava de casar. Porém, não sabia que sua vida seria abreviada.

Deusdete, seu fiel amigo, trabalhava no único botequim do vilarejo. Quando o dono viajava, Deusdete fechava o boteco e ficava jogando sinuca com Sebastião enquanto comiam conservas às expensas do patrão.

No dia de seu aniversário de quinze anos, Bastião foi ao bar do amigo à tarde. Talvez para confraternizar. Nesse dia Deusdete estava mexendo no revólver do patrão, mas não sabia que tinha uma bala. Foi mostrar para um cliente, virou o tambor e aconteceu um acidente. Houve um disparo, desses, perdido, como nossas palavras descuidadas, como nossos atos impensados que não temos ideia quanto da vida cortarão. Bastião estava de saída na porta do bar.

Foi cambaleando até sua casa, que ficava ao lado. Minha mãe ouviu em grito: “Acode, acode, que o Deusdete me matou”. A irmã pensou, pelo som do tiro, que a brincadeira de soltar bomba com Deusdete tinha causado acidente. Carmelita amparou o irmão no portão de casa às 15h. Bastião caiu ao chão, no dia de seu aniversário. Morreu na hora em que também havia nascido.

Seu sepultamento foi feito do outro lado do Rio Doce, onde amava ficar.

O pobre Deusdete, sumiu de Pedra Corrida.

Vovô quase enlouqueceu. Diziam que andava pela ferrovia mexendo em pedras. Escapava de afogar no rio porque amigos o protegiam. Desgrenhava os cabelos num lamento como do Rei Davi ao chegar no portão de casa: “Ah! Meu filho! Meu filho!”.

Hoje meu tio teria 87 anos.

A ARTE: A SARÇA QUE ATRAI

Paulo Zifum

‘Que impressionante! “, pensou Moisés. “Por que a sarça não se queima? Vou ver isso de perto. ” O Senhor viu que ele se aproximava para observar. E então, do meio da sarça Deus o chamou’ Ex.3.3-4

Filmes, músicas, poesias, pinturas e esculturas as vezes conseguem subir tão alto que tocam sinos no céu. Para os cristãos, as metáforas do amor de Deus podem ser identificadas em algumas obras de arte. Um exemplo disso é o filme Sete Vidas com Will Smith. Cenas do filme editadas com a música Fix You do ColdPlay trazem vislumbres da mensagem bíblica de redenção. Conheça o filme e a tradução da letra. Guardadas as devidas proporções, é possível fazer pontes. O ator principal não se encaixa como um messias, pois é um homem culpado tentando se redimir ajudando os outros. Mas o enredo fala do amor sacrificial.

Sim. Algumas obras de arte nos fazem ler, imaginar, ouvir e ver aquilo que é transcendente. São raios da graça comum. Deus nos atrai a Ele pela “sarça” das coisas belas produzidas pelo homem. E ainda que o autor afirme que não estava jamais pensando em nenhuma história de redenção cristã, tudo há de clamar Cristo.

Todo amor àgape que queima nas artes pode ser uma “sarça” usada por Deus para chamar atenção daqueles a quem Ele escolheu. O incomum nos arrebata. A beleza, que não deve ser um fim em si, cumpre seu propósito quando nos guia de volta para quem nos criou.

E quando “tiramos as sandálias” não deveria ser para um artista ou para sua arte que arde magnífica. Há um convite para nos ajoelharmos aos pés daquele que morreu na Cruz para nos salvar: Jesus Cristo! Foi Ele quem consertou tudo e redimiu tudo (veja a cena do filme Paixão em que Jesus diz: “Ecce ego nova facio omnia – Is”).

Concluímos que a arte trará, em algum momento, insigths e anseios de redenção (partindo da premissa que todo homem é essencialmente religioso e busca transcendência). E Paulo fala: “para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós; Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração” At.17.27-28.

Dr. Davi Charles Gomes diz que a arte serve para atrair atenção, de modo que vendo o belo, o homem esquecido se lembre de Deus e volte para Ele. E como glória de Deus enche a terra, o homem sensível dirá: “para onde fugirei da tua face?, se subo ao céus, lá estás, se desço ao mais profundo abismo até lá tua mão há de me guiar” (Sl.139).

Deus pode falar conosco enquanto arrebatados frente à Volta do Filho Pródigo de Rembrandt, numa sala de cinema ou ouvindo uma bela canção.

ÉDIPO PARA CRENTES

Paulo Zifum

Édipo é um personagem da mitologia grega. Eis um resumo da tragédia:

Laio, casado com Jocasta, foi alertado pelo Oráculo de Delfos que uma maldição iria se concretizar: seu próprio filho o mataria e que este filho se casaria com a própria mãe. Por tal motivo, ao nascer Édipo, Laio abandonou-o para tentar matá-lo, porém, o menino foi recolhido por um pastor. Depois, Édipo foi adotado pelo rei de Corinto e voltou a Delfos. Ao consultar o Oráculo recebe a mesma previsão dada a Laio, que mataria seu pai e desposaria sua mãe. Achando se tratar de seus pais adotivos, foge de Corinto. No caminho, Édipo encontra um homem que o manda sair de sua frente. Eles travam uma luta e Édipo o mata sem saber que era seu pai.  Conhece uma mulher e se casa com ela sem saber que era sua mãe biológica. Quando consulta novamente o Oráculo, por ocasião de uma peste, Jocasta e Édipo descobrem que são mãe e filho, ela comete suicídio e ele fura os próprios olhos por ter estado cego e não ter reconhecido a própria mãe.

Podemos ilustrar verdades com esse mito da seguinte forma:

Satanás é um Oráculo que semeia no coração humano um ressentimento injusto para com Deus. O ser humano, é um Édipo que depois da queda no Éden, tem um comportamento errante, tem dúvida de sua identidade, não sabe sua origem. E quantas coisas comete em sua ignorância? E Deus não leva em conta esse tempo.

O ser humano mostra nas guerras (no lar, no trabalho, na política) sua obstinação para com todos que se colocam em sua frente. Mas quando Édipo mata, ele sabe o que está fazendo? Jesus pede perdão por ele .

Mas Édipo segue sem redenção, confuso de sua identidade. E de tantas opções, escolhe sempre o que é proibido, atraído pelo pecado como numa maldição. E, por fim, na história humana, filhos e pais carregam a culpa de toda a rejeição, revolta e ignorância. O desespero tem tomado conta de muitas famílias. Pais não conversam com seus filhos. Filhos ficam expostos no mundo porque seus pais são mais infantis e inseguros que eles. E quantas mães assistem seus filhos viverem de modo vil, envolvidos com  corrupção e drogas? Por fim, morrem no desgosto.

E Édipo, cheio de remorso e ressentimento para com Deus, cego espiritualmente, desce melancólico, cantando belas cantigas sensuais, até o penhasco de sua vida sem sentido.

Graças a Jesus que nos “livrou do corpo dessa morte” (Rm.7). Graças a Jesus que “levou sobre si nossas maldições” (Is.53). Hoje, Édipos que andavam errantes, vivendo na linha do desespero, encontram sua identidade como filhos de Deus. E Satanás não mais os confunde. Édipos que voltam para casa, perdoam o pai, restauram o curso da vida. Consagram mente e corpo para Deus, casam e criam seus filhos na Igreja, dando-lhes a segurança que o temor do Senhor oferece.  O oráculo de Deus em Cristo mudou nossa história. Felizes os que creem em tão grande salvação!

CELIBATO

Paulo Zifum

A referência de celibato  na Bíblia é o apóstolo Paulo, que, dos autores bíblicos, foi o que mais doutrinou sobre o casamento, divórcio e celibato. Ele expôs a gênese do casamento (Ef.5.3; 1Co.6.16b), seu caráter monogâmico (1Co.7.2; 1Tm.3.2), indissolúvel (Rm.7.2-3; 1Co.7.39), mostrou que o sexo é fundamental para a vida conjugal (1Co.6.15; 7.3-5). Paulo trabalhou a importância da hierarquia do csamento (Ef.5.22; Cl.3.18; 1Tm.2.11-14). Definiu que o casamento é também uma proteção espiritual (1Co.7.9).

Paulo expôs também novas revelações sobre o casamento. Ao analisar o mandamento de Genesis que estabelecia a ordem do casamento, Paulo mostra que por meio da Igreja e de sua realidade escatológica, ocorreram mudanças no aspecto do “dever do casamento”. Jean-Jaques von Allmen comenta esse novo conceito:

Paulo reconhece em sua resposta que a situação da criação já não é definitiva na regência do Espírito Santo. Em outras palavras, ele assume que o casamento já não é a única maneira que o ser humano encontra  para sair da solidão. Já existe a Igreja, o Corpo de Cristo, da qual os crentes são membros, e que os arranca do desequilíbrio do isolamento . O casamento já não é, pois, o destino normal de todo homem e de toda mulher. Torna-se um carisma (1Co.7.7) que deve ser sentido e se impõe através do grau de sensualidade de cada fiel

Jesus qualificou o celibato como algo feito para Deus (Mt.19.10) e Paulo diz que o celibato deve ser incluído nos alvos de consagração do crente (1Co.7.7, 8 -32-35). O apóstolo celebra a vida celibatária e isso muda o conceito normativo do casamento.

Esse assunto precisa ser colocado em pauta na Igreja de hoje por alguns motivos: Evita pressões descuidadas do tipo “você precisa casar”. Ajuda o jovem a considerar essa via existencial e tocar projetos sem ficar frustrado. Faz a Igreja considerar que o solteiro celibatário é um dom que Deus  concede a seu povo e por isso deve ser celebrado e não lamentado.

Agora, um aspecto deve ser destacado: o celibato é uma resposta para rapazes delicados e moças duronas. Alguns nascem com a estrutura hormonal alterada (que podem tanto não ter atração pelo sexo oposto quanto um desejo por pessoas do mesmo sexo) precisam de orientação. A Igreja deve ser madura para lidar com isso e instruir pais a não ignorarem o fato de ter filhos com essa peculiaridade.

Para jovens convertidos que não se sentem atraídos pelo sexo oposto, a doutrina do celibato deve ser estimulada e ele deve sentir-se feliz por Deus lhe conceder tal dom. Para jovens cristãos que lutam com um desejo proibido de homossexualidade, o celibato é um meio de santificação.

O ensino dessas coisas é oportuno, senão urgente hoje. Antes que o mundo e o diabo sugiram caminhos alternativos que levam ao pecado, a Igreja deve ensinar a honra e a vocação que Deus dá a cada um, tanto para casar como para permanecer solteiro.

*foto: John Stott, pastor evangélico britânico, considerado pela Time um dos 100 homens mais influentes do mundo

BUFÃO BRASILEIRO

Paulo Zifum

De uma maneira geral ele (brasileiro) parece ser em nossos dias um homem que se contempla a si mesmo e que contempla os outros como se o mundo fosse um palco e como se a sua vida devesse ser destituída de sentido, caso não pudesse se constituir como um espetáculo a que assistem certo número de pessoas assíduas e atentas. Esse traço que se encontra certamente em outros povos que como nós tenham sido sujeitos à influencias do estetismo, se apresenta naturalmente na nossa psicologia em graus extremamente variados, indo de um simples desejo de não deixar passar desapercebido um mérito, uma ação, uma qualidade, ou uma intenção louvável, às manifestações excessivas de um exibicionismo sem pudor ou de um cabotinismo indiferente às exigências mais rudimentares da modéstia.” Desenvolvimento e Cultura – Mário Vieira de Mello p.333

Os abraços prolongados, a palmada leve nos ombros, as expressões exageradas de louvor e entusiasmo, a facilidade com que proclama sua amizade por tais ou quais pessoas que conhece apenas – todos esses traços parecem, à primeira vista, poder ser explicados por um fundo irreprimível de sua natureza generosa. Mas quando se constata que há um outro verso da medalha, quando finalmente se consigna que na ausência dos amigos da pessoa por quem professou uma tão calorosa amizade não raro encontra a oportunidade de atribuir-lhe defeitos de uma extrema gravidade”  Desenvolvimento e Cultura – Mário Vieira de Mello p.335

Bufão, no sentido figurado, é aquele a quem falta seriedade nas relações humanas. A cultura do brasileiro revela uma ênfase na aparência, um comportamento exibicionista, uma preocupação excessiva com a opinião dos outros (típico no facebook). Esse expediente aparece na igreja, na escola, nas empresas. O autor Mário Vieira de Mello escreveu o texto acima em 1967 fazendo uma crítica contra o “vício” cultural de não se levar a ética a sério. Mário clamava contra a corrupção, mas não contra o sintoma dela percebido (roubo do erário, desvio de verbas, superfaturamento de obras, eternização no poder), antes contra a raiz da corrupção presa no “subterrâneo” da alma do brasileiro, a saber, a falta de moral e ética.

O que preocupa é a atuação de cristãos e denominações evangélicas brasileiras nesse cenário nacional, que, infelizmente, não é de todo séria. Vez em quando aparece na mídia uma caricatura evangélica fazendo papel de bufão, nitidamente usando coisas sagradas para se promover.

Pense bem: se você percebe esse tipo de mentalidade  e comportamento em você, em seu pastor ou sua igreja, fique alerta. Podemos estar morbidamente dormindo com os mortos, como Paulo destaca no texto abaixo. Deus nos ajude!

Portanto, não participem com eles dessas coisas. Porque outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz, pois o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade; e aprendam a discernir o que é agradável ao Senhor. Não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz. Porque aquilo que eles fazem em oculto, até mencionar é vergonhoso. Mas, tudo o que é exposto pela luz torna-se visível, pois a luz torna visíveis todas as coisas. Por isso é que foi dito: “Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e Cristo resplandecerá sobre ti”. Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus” Ef.5.7-16

*a imagem usada nesse post  poderia chamar “mexendo no face”

CHEIRO DE GENTE BOA

vicente

Paulo Zifum

O nome de pessoas boas é perfumado. A gente passa, sente e procura de onde vem. A bondade natural exala suave e a pessoa nem se esforça. É dela. Amor de mãe, carinho de pai, fidelidade de irmão, olhar de amigo, tudo cheira tão bom! Tem gente cheirosa de alma, meu Deus! Nesse mundo tão…

Os mais cheirosos não são vaidosos, ainda que a bondade cause vaidade (porque ninguém é cuidadoso o bastante a ponto de não sentir uma pontinha de glamour madeirado por sem bom). E o bom do qual falamos não é de cantar, escrever ou fazer qualquer arte. Falamos da bondade de viver para os outros. Vida cheirosa é vida doada.

Quando falo os nomes dessas pessoas eu sinto um aroma no ar. Quando digo Vicente, Carmelita, Fabrícia, Duda, Nice, Luiz, eu sinto como se estivesse esfregando florezinhas de lavanda e jasmim. Experimente! Feche os olhos, fale o nome e respire fundo. Se não sentir, é porque seu nariz está entupido. Tente de novo.

Eu quero, um dia, que ao falarem meu nome, aspirem gostoso. Não façam isso ainda porque está tudo muito misturado. Se bem que tenho meus momentos.

Seja grato a Deus porque ele colocou pessoas em sua vida para que você saiba o que significa “o bom perfume de Cristo“.  Gente boa que nos atrai para fora do pântano.

Vamos! Tente! Fale: Jesus!

Se não sentiu nada, tente de novo. Se sentiu apenas cheiro de naftalina de religião ou algum mofo, é porque não é o Jesus de verdade. Sua última lembrança de Adão está desatualizada.

O Lírio pisado no Gólgota, a Rosa esmagada na Cruz, tem perfume inconfundível.  Tente de novo. Ele virá até você e quando o sentir saberá o que é a Bondade de Deus. E, talvez, ela já esteja bem perto por meio de suas flores mais queridas.

JESUS SALVA, MAS NÃO EDUCA

Paulo Zifum

Não. Não foi de Nietzsche a nota que “Jesus salva, mas não educa”. Foi uma vovó que disse isso ao ser constrangida com os maus exemplos de cristãos da sua família. E essa frase é como remédio: em doses certas é medicinal. Podemos dizer que muitos convertidos ainda continuam rudes e com um temperamento bronco e nada cristão.

É feio um cristão sem a elegância do Sermão do Monte! Mas, se o Sermão do Monte é a referência da educação cristã, então, das duas uma: ou Jesus salva e não educa, ou pouca gente foi realmente salva.

Eu prefiro um pensamento moderado: Jesus salva, mas educa num processo lento. Algumas áreas ele demora um pouco para educar. Ele não ensina física quântica para a galera do primário. Ele segue com Jacó até completar as lições, que, às vezes, demora um pouco.

O incidente de Lucas 9:51-56 mostra que Tiago e João ainda não estavam educados quanto à graça de Deus. Queriam se vingar, revidar num comportamento nada educado comparado a mansidão do Senhor. Eles eram salvos, mas ainda não tão educados. Pedro também, depois do Pentecoste, já presidente da Igreja de Jerusalém, convertido e maduro, cometeu um deslize nada educado em Antioquia (Gl.2.11). Pois, é! Nem todo salvo é educado e alguns não salvos dão lições de educação até em crentes. Gamaliel é exemplo disso (At.5.34).

Concordo que, os salvos, enquanto sendo salvos, podem causar a Jesus constrangimentos com as reclamações do tipo “o Senhor não ensinou nada pra esse pessoal“? Claro que, o mau testemunho de falsos cristãos (pedra de tropeço) terá um julgamento final, porém, os cristãos em processo de educação terão salvo-conduto. O perdão dado aos salvos não é para continuarem mal-educados, mas para seguirem a metanóia até que sejam nobres, mansos e humildes. No meu caso, vai demorar um tempinho!

“Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente, enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo. Ele se entregou por nós a fim de nos remir de toda a maldade e purificar para si mesmo um povo particularmente seu, dedicado à prática de boas obras”. Tito 2.11-14