BUFÃO BRASILEIRO

Paulo Zifum

De uma maneira geral ele (brasileiro) parece ser em nossos dias um homem que se contempla a si mesmo e que contempla os outros como se o mundo fosse um palco e como se a sua vida devesse ser destituída de sentido, caso não pudesse se constituir como um espetáculo a que assistem certo número de pessoas assíduas e atentas. Esse traço que se encontra certamente em outros povos que como nós tenham sido sujeitos à influencias do estetismo, se apresenta naturalmente na nossa psicologia em graus extremamente variados, indo de um simples desejo de não deixar passar desapercebido um mérito, uma ação, uma qualidade, ou uma intenção louvável, às manifestações excessivas de um exibicionismo sem pudor ou de um cabotinismo indiferente às exigências mais rudimentares da modéstia.” Desenvolvimento e Cultura – Mário Vieira de Mello p.333

Os abraços prolongados, a palmada leve nos ombros, as expressões exageradas de louvor e entusiasmo, a facilidade com que proclama sua amizade por tais ou quais pessoas que conhece apenas – todos esses traços parecem, à primeira vista, poder ser explicados por um fundo irreprimível de sua natureza generosa. Mas quando se constata que há um outro verso da medalha, quando finalmente se consigna que na ausência dos amigos da pessoa por quem professou uma tão calorosa amizade não raro encontra a oportunidade de atribuir-lhe defeitos de uma extrema gravidade”  Desenvolvimento e Cultura – Mário Vieira de Mello p.335

Bufão, no sentido figurado, é aquele a quem falta seriedade nas relações humanas. A cultura do brasileiro revela uma ênfase na aparência, um comportamento exibicionista, uma preocupação excessiva com a opinião dos outros (típico no facebook). Esse expediente aparece na igreja, na escola, nas empresas. O autor Mário Vieira de Mello escreveu o texto acima em 1967 fazendo uma crítica contra o “vício” cultural de não se levar a ética a sério. Mário clamava contra a corrupção, mas não contra o sintoma dela percebido (roubo do erário, desvio de verbas, superfaturamento de obras, eternização no poder), antes contra a raiz da corrupção presa no “subterrâneo” da alma do brasileiro, a saber, a falta de moral e ética.

O que preocupa é a atuação de cristãos e denominações evangélicas brasileiras nesse cenário nacional, que, infelizmente, não é de todo séria. Vez em quando aparece na mídia uma caricatura evangélica fazendo papel de bufão, nitidamente usando coisas sagradas para se promover.

Pense bem: se você percebe esse tipo de mentalidade  e comportamento em você, em seu pastor ou sua igreja, fique alerta. Podemos estar morbidamente dormindo com os mortos, como Paulo destaca no texto abaixo. Deus nos ajude!

Portanto, não participem com eles dessas coisas. Porque outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz, pois o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade; e aprendam a discernir o que é agradável ao Senhor. Não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz. Porque aquilo que eles fazem em oculto, até mencionar é vergonhoso. Mas, tudo o que é exposto pela luz torna-se visível, pois a luz torna visíveis todas as coisas. Por isso é que foi dito: “Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e Cristo resplandecerá sobre ti”. Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus” Ef.5.7-16

*a imagem usada nesse post  poderia chamar “mexendo no face”

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