QUANDO ENTRISTECEMOS ALGUÉM

arame

Paulo Zifum

Ah! Um suspiro com falta de saúde. Quando a gente deixa triste alguém a quem amamos parece uma pneumonia no coração. Ele não respira direito. Dói o peito. E o pior é quando não tem jeito, quando o tempo cravou a melancolia lá no fundo da memória que não apaga.

Hoje fui fazer uma caminhada para conversar com Deus sobre isso. Fui passando a mão no arame farpado, pulando dele os espinhos, achando a vida bem negativa em seus intervalos. Murmurando, parei frente a um Eucalipto robusto junto à cerca. O arame que um dia esteve apenas encostado, machucando, foi absorvido pela árvore quase um palmo dentro dela. Nas extremidades donde o arame cruel saía, ainda sangrava um pouco.

Quanto tempo aquelas farpas roçaram a pele sensível do Eucalipto? Como deve ter sido o processo de absorção do espinho?

Agora cada centímetro de crescimento fisga a alma com mais uma lembrança de que a história é o arame farpado da cerca da vida

.fisga

Eu suspiro como um preso nesse Eucalipto. Não podemos mudar o passado. Penso em José no Egito* lembrando de seus irmãos, com o estômago cheio de 10 farpas de arame. Sinto-me mais confortado quando o Eucalipto cresce forte apesar de mim. Não posso mudar o que ocorreu, nem sair dessa memória. É a “vida desse meu lugar, é a vida”.

Peço a Deus que dê amor para quem me engoliu.

*José tinha 10 irmãos que o venderam como escravo. O modo como administrou isso mostrou um crescimento espiritual surpreendente (Gênesis cap.37 até cap.50).

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