GAME OVER?

GAME OVER

Paulo Zifum

Estamos no fim da partida. Partimos em janeiro e já estamos no fim de dezembro. O jogo é atravessar os 12 meses e chegar com boas realizações no final. Nem todos chegam.

Na reta final, dizem que quem já perdeu não dá pra fazer nada. Só resta assistir e dar aquelas profetizadas decantadas do tipo “esse ano foi difícil, mas o ano que vem as coisas vão melhorar”.

Mas, será que é possível nos últimos dias recuperar um ano? Ou será que devemos só entregar os pontos? A reposta é sim e não.

Alguns anos são difíceis, e determinados fracassos exigem que o participante se recolha por alguns dias. Reconhecer uma derrota denota equilíbrio. Existem perdas que são irreversíveis. O ano que passou pode ter sido um desastre. Entregar os pontos, nesses casos, é o que se tem a fazer.

Porém, é possível no dia 30 fazer algo surpreendente para “virar o jogo”. Com a ajuda de Deus, podemos realizar proezas, restaurar emoções, aprumar o espírito, retomar sonhos, consertar o coração e relacionamentos. É possível receber uma visão redentora do “ano lixo” e fazer um balanço não convencional das perdas e danos. Atitudes extraordinárias podem mudar os rumos da nossa história. Orações suplicantes podem ser atendidas antes que o “jogo” acabe.

 

NATAL ANTES DE MORRER

 

Sem título

Paulo Zifum

Lc.2.25-35

https://www.bibliaonline.com.br/nvi/lc/2

Algumas pessoas morrerão sem saber o que foi o Natal. Morrerão sem ver o Cristo do Senhor, sem conhecer o Salvador. Envolvidos por pisca-piscas, aconchego familiar e mesa farta, podem pensar que Natal  é apenas uma boa tradição. Infelizmente, a maioria não ultrapassará os limites do valor social e comercial dos ensejos natalinos.

O texto bíblico do link  acima fala do sonho de um idoso que desejava conhecer Jesus, o Cristo, antes de morrer. E é exatamente esse o sentimento que os cristãos dividem no Natal. Eles não querem apenas brindar a amizade do “amigo secreto”, querem ajoelhar diante de Jesus e adorá-lo. Querem, como Simeão, ter alegria de “tomar o menino nos braços” e dizer que a vida já faz todo o sentido e que um  Natal apenas é suficiente.

Em 1716, Bach “tomou o menino” ao harmonizar o décimo movimento da Cantata 147 em Leipzig, Alemanha. O nome desse movimento? Jesus bleibet meine Freude, (Jesus, a Alegria dos Homens ou Jesus, o desejo dos homens). Confira a tradução:

Jesus continua sendo minha alegria. O conforto e a seiva do meu coração. Jesus refreia a minha tristeza. Ele é a força da minha vida. É o deleite e o sol dos meus olhos. O tesouro e a grande felicidade da minha alma. Por isso, eu não deixarei ir Jesus do meu coração e da minha presença.

Infelizmente é possível ouvir cantatas magníficas sobre o Salvador sem contudo “tomar o menino nos braços”.  É possível comemorar o Natal a vida inteira e morrer sem conhecer a Jesus.

Quantos podem dizer que após esse Natal já estão prontos para morrer porque “viram a Salvação”?

QUEBRA PAU DE NATAL

natal confusãoPaulo Zifum

Quebra pau foi o que deu nesse Natal. A família do Nicolau resolveu fazer uma festa chique. Arrumaram tudo, luz, árvore, uísque, peru e um monte de gente com presente.  A brincadeira do amigo secreto tinha poucos amigos, e risco até de inimigos. Os convidados recebiam na porta uma touca do Noel. Ao som de um pagode pouco natalino, a mulherada usava uma roupa nada cristã. Estava tudo legal para a hora do “Feliz Natal”, mas, o que estourou não foi champanhe. Lalau estranhou um convidado, e voou touca pra todo lado. Ninguém sabia o que tinha ocorrido, mas tinha muito álcool envolvido e mulher de decote no vestido. Uma mesa virou e o espírito do Natal acabou. Tinha peru correndo no chão e gente gritando “não faz isso não”. O conjunto do pagode não parava de tocar, até que uma garrafa voou no ar e acertou em cheio o menino do pandeiro. Foi uma confusão geral na festa de Natal. -Para! Para! -pedia alguém pelo menino Jesus ameaçado num presépio sem luz, onde já tinha cerveja derramada. Que presepada! A festa acabou assim: sem abraço e sem cortar o pudim. Nicolau com a fala mole desabafa com sua nega: “É mulher! Que confusão! Da próxima vez não vai ter uísque, não”. Sentados, sem convidados, ouvem reverentes a natalina árvore da China que tocava “Noite Feliz” com som chiado. Que beleza!

PURO DE CORAÇÃO

Paulo Zifum

Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” Mt.5.8

Eu não sou puro de coração, logo, não enxergo muito bem. Minhas visões de Deus ainda são muito rudimentares, proporcionais à pureza que julgo ter. Não enxergo a Deus, por isso meu comportamento com as pessoas é tão afetado. Percebo em mim uma versão do provérbio que diz que “quem teme o homem arma-lhe ciladas, mas quem confia no SENHOR está seguro” (Pv.29.25). Não sinto-me seguro com as pessoas. Percebo quando não sou honesto. Meu coração é cheio de julgamentos e em meus pequenos tribunais estou sempre certo. Posso afirmar que meu coração é impuro porque flagro sentimentos inadequados de inveja, vaidade, desejo de controlar  e de ser admirado. Minha pureza não está em relevo. Minha pobre válvula de emoções bombeia corrupção. Meu coração é mocinho e bandido.

Misturado homem que sou! Quem me livrará desse estado? Como verei a Deus? Tenho ídolos. Tenho vícios.  Não vejo o Senhor! Desejo. Sonho. Porém, no momento, não estou vendo com clareza.

 

 

ELE BATE NA PORTA

Paulo Zifum

Cristãos gentis, acolhei o que ouvis. O Senhor bate em vossa porta porque soube da pobreza espiritual que vos acometeu, e cegueira também. Ele visita lares cristãos sem paz. Deseja entrar para ajudar, visto que a carestia afetou a oração que não se faz. Irmãos gentis, o toque divino ouvis. Abri a porta teólogos e ministros! Não percebeis vossos cultos mornos? O Fogo está fora e quer entrar. Ele com colírio vossos olhos quer curar. Crentes gentis, não vedes nem ouvis? O Senhor quer cear. Tendes ainda amor para lhe dar. Não deixeis esperando aquele que vos ama.

Quando Ele entrar sentirá o cheiro das coisas velhas e ranço de coisas malignas. Lançará fora o mal e de vós todo o mau. Seu olhar tratará os vícios e seu perdão resumirá o passado colocando-o no abismo. Ele entrará e o diabo sairá, findando a opressão. Ele ordenará a paz e vos pegará pela mão reconciliando corações.

Cristãos gentis, é Jesus a quem ouvis. Podeis esconder-vos num cargo eclesial? Podeis mentir quanto a vosso estado espiritual? Não é essa porta de Laodicéia que manteis cerrada? Noteis vosso infortúnio. Sois cristãos, mas viveis como gentios. Ouvi a voz do lado de fora. O Senhor bate, bem tarde da noite.

 

TEM JEITO, SIM

Paulo Zifum

Se você está sem forças para orar por alguém que parece não querer salvação, então leia sobre o ladrão da cruz. O relato não é apenas algo curioso destacado pelo historiador, antes, uma poderosa mensagem de esperança.

Algumas pessoas seguirão errantes mesmo, até o fim. Alguns nunca largarão seus vícios e jamais abraçarão a virtude. Não importa quantas súplicas fizerem, a pessoa seguirá resistente envolta numa natureza vaidosa, imoral, criminosa até…

Até a hora em que Deus abrir o coração. E o ladrão é um exemplo disso. Algumas pessoas precisarão morrer para alcançar libertação. E essa é uma das maneiras de Deus agir.

Se você acha que alguém não tem jeito, pense naquele ladrão ao lado de Jesus na Cruz. Provavelmente recebeu avisos de sua mãe e muitas exortações, mas, nada o dobrou. Até que ouviu Jesus pronunciar o perdão em favor de seus algozes. E, ali, se rendeu ao Salvador. Seu último suspiro de vida foi embalado pela doce voz do Senhor, dizendo: “Hoje estarás comigo no paraíso” (Mateus 27:38; Marcos 15:27; Lucas 23:32-43; João 19:18). Morreu salvo.

O ladrão da cruz me enche de esperança.

RETORNO DO FILHO

levi return

Paulo Zifum

Depois de um ano longe de casa, meu filho retornou. E o choro no aeroporto foi tão necessário para nossa relação pai e filho! O Skype e outros recursos suavizaram a distância, mas a ausência na mesa do almoço abriram um grande vazio na família. Nenhuma tecnologia pode substituir o abraço.

Enquanto meu filho esteve fora, pensei: serei bom quando ele voltar. Darei atenção sem tensão. Darei carinho sem pedágio. Darei olhar sem julgamento. Vou provar pra ele que cresci e que podemos viver uma nova fase da amizade.

Ele sempre foi um bom filho e, numa terra distante, provou ser mais responsável e, sobretudo econômico. Diferente dos filhos pródigos, meu rapaz tornou-se muito contido e prudente. Gastou pouco para tentar nos aliviar.

Senti muito sua  falta, mas, sabia o quanto é importante permitir que os filhos ponham o pé na estrada com uma mochila de sonho nas costas. E é preciso não apenas deixar ir, mas também patrocinar a viagem e a pensão, e por vezes também a diversão.

O retorno dele foi uma festa. Pois, quando a graça de Deus enche o coração de um pai, torna possível planejar cada gesto de amor, resistir todo e qualquer rancor e fazer o retorno ser como quem volta para Deus

Sabemos que nem todo filho deseja voltar e nem todo o pai faz questão. Existem filhos que não sabem como voltar por causa do fracasso e não querem encarar o rosto paterno. Existem pais que não sabem receber filhos de volta, só querem resultados. As experiências de pais e filhos longe do amor de Deus nunca chegam a ser um reencontro.

Espero sempre ser como o Pai de Lucas 15: o que deixa ir e celebra a volta, que comunica que o desempenho é secundário e que tem o coração aberto para recomeçar, dando confiança.

Meu filho retornou para casa. Espero que experimente o beijo e o abraço divino enquanto estiver comigo. E seja assim até que pegue a mochila de novo. Quero sempre estar no portão no fim de tarde, feliz, com o coração cheio de Deus.

 

 

DEUS NÃO TEM PRESSA

Paulo Zifum

A Bíblia fala sobre Deus. Uma das características destacadas é que Ele não tem pressa. Essa afobação é típica do homem preso ao tempo. Traídos por nossa limitação de visão do futuro, corremos muito, pegando coisas, filhos e amores, na tentativa de colocar tudo em segurança. Porém, a vida é como filme de suspense: depois de correr e achar um lugar seguro, a instabilidade surge exatamente ali.

Deus não tem pressa. Ele cria o mundo em seis dias ou seis mil anos (depende de 2Pe.2.8), quando podia cria-lo em segundos. Mas, a pressa não tem poesia e tira a beleza do processo. Deus cria o homem de modo lento e depois cria a mulher de modo mais lento ainda. Ele espera Noé construir uma arca  e espera um século para mandar o dilúvio. Ele espera Abraão ficar velho para dar a ele uma missão e faz o mesmo com Moisés. Os processos de desenvolvimento de uma pessoa são acompanhados por Deus sem pressa porque Ele sabe o tempo necessário entre a partida e a chegada. Deus, como motorista da história é tranquilo e seguro, mesmo que o congestionamento seja do tamanho do Era das Trevas. Deus não fica aflito quando as pessoas não querem contribuir nem quando os adoradores mudam para o time adversário. Ele, o Senhor do Tempo, supervisiona tudo.

Eu, tenho pressa. Fico aflito e corro demais. Com a língua pra fora e o coração batendo a mil, tento impedir que algo estrague, atrase ou se perca. Ele olha pra mim com aquele olhar lançado sobre Marta e diz: Pra quê isso tudo? Aquiete-se! Descansa um pouco. Os que esperam em mim renovam suas forças. Eu estou trabalhando enquanto você dorme.

É. Ele não tem pressa, mesmo!

O QUE VOCÊ FAZ SENTIDO

Paulo Zifum

Falo com as plantas e com os cachorros. Perdi meu carrinho cheio de compras no mercado. Fazer uma compra econômica dá trabalho. Encontrei um amigo e notei que ele tinha no carrinho as mesmas coisas. Contei a ele do sumiço. Ele riu e disse que tinha inveja das compras que fiz, mas que nenhuma câmera o filmou porque é como um gato.

Costumo escrever agradecimentos para as pessoas. Acho que sou afortunado por alguém arrumar algo quebrado das minhas coisas. Depois de pagar o serviço fico feliz por essa rede de favores. Ajudar sapos a voltar para lagoa parece coisa de gente muito infantil. Falar bem das pessoas é uma maneira de fugir do mal.

Coloquei creme de barbear dentro do tubo de creme dental de um amigo. Minha amiga ofereceu-me uma colher de chá de algo delicioso que estava fazendo. Até hoje minha boca queima como o Hades. Ela ri eternamente. Eu deixei a gasolina do carro acabar várias vezes. Nunca me privei da aventura de ver até onde daria. Uma semana após andar a cavalo descobri que não tinha uma nova verruga. A coisinha tinha perninhas bem miudinhas.

Voltei para casa algumas vezes a pé, só com a chave do carro no bolso. Parece até que a gente voa quando começa pensar. Minha esposa muda tanto as coisas da casa de lugar que nunca terei Alzheimer. Paro para olhar flores e cato trecos na rua. Ferro velho, bazar e brechó são como shopping. Tem tudo que eu procuro.

Ainda sinto culpa por ser preguiçoso e por trabalhar demais. Por que não posso tomar mais de uma garrafinha de Yakult? Tenho vergonha de pensar que Deus riu quando o pernilongo surgiu. Um amigo diz que meus textos não são bem trabalhados. Eu disse que tenho preguiça de arrumar porque passo horas escrevendo.

Eu agradeço por você estar lendo e fico também sem graça por torrar seu tempo. Eu sou um embaraço. Mas, isso não faz sentido.

NARUTO CRENTE

Paulo Zifum

Não ocorre sempre. Dentre milhares de homens que nascem, poucos são realmente guerreiros. Quem já assistiu o desenho japonês Naruto pôde conhecer como é a alma de grandes guerreiros. Funcionam fora da curva e lidam com o medo de modo diferente da maioria dos mortais.

Naruto é um personagem imerso no imaginário da cultura oriental, onde os poderes emanam dos espíritos ancestrais e ordens espirituais impessoais.

Se eu fosse inventar um Naturo Crente eu falaria dos poderes procedentes da unção de Deus. O chamaria de Davi, daria um amigo para ele chamado Sansão e um sansei chamado Elias e o meteria em todas as confusões de guerra do Antigo Testamento. E não faltariam inimigos e vilas para defender.

O que mais gosto no Naruto é seu esforço para entender a “unção”. E ele é recompensado em sua busca. Notei que sua dedicação para fazer algo importante é muito reveladora (motivação secreta dos guerreiros). Se auto-afirmar é tão humano!

Identifico-me também com as crises que passa na procura de sua identidade. Mas o que mais gosto é sua loucura e rompantes de coragem. Sempre achei que os homens muito prudentes, cuidadosos demais, não abrem os caminhos mais importantes. Os maluquinhos vão, pulam e voam. A unção é algo inexplicável.

Conheço alguns “Narutos Crentes” na vida real. São meus favoritos.