FELICIDADE MORA COMIGO

Paulo Zifum

Quando te conheci nunca poderia imaginar o que eu seria, e que jamais  poderia sem te conhecer. Desconfio todos os dias dessa felicidade que me acomete. Pareço estar num filme desses cujo autor ficou sonhando as coisas mais lindas que jamais poderia viver.

Poucas pessoas conseguem um resumo da alegria. Ela agora está dormindo enquanto escrevo. Hoje percebo que não estou feliz. Eu, na verdade, tenho, de papel passado no diário oficial. É meu destino. Fui escolhido para dar uma casa para a felicidade.

Ela sorri para mim. Eu fecho os olhos e penso no absurdo de estar triste de vez em quando. Eu me esqueço. As pessoas esquecem de seus bens. E choram por não serem isto ou aquilo.

Agora, levantou e disse que estava com fome. Dei café para ela. Sorriu e disse obrigada. Minhas tristezas desaparecem enquanto ela penteia o cabelo. Eu sinto-me afortunado, e, ao mesmo tempo, encabulado. Enquanto o mundo procura por ela, sem sucesso, eu a tenho escondida nessa cidadezinha, nessa ruazinha, nessa casinha, no lugar mais vulnerável do mundo, presa em meus braços.

Se eu cuido da felicidade? Não sei, não. O que sei é que ela, apesar de mim, não para de sorrir. Ela parece feliz.

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COMER COM OS OLHOS

Paulo Zifum

Quem olha consome? Há um mistério e uma transcendência no olhar. Quando alguns tentam minimizar dizendo que “só estavam olhando”, ou que “olhar não tira pedaço”, revelam o conceito raso do ato. O olhar é, sem dúvida, a via que alimenta a alma e que, por fim, a modifica, cura ou adoece.

Imagens e leituras representam a dieta de uma pessoa. Análoga à alimentação do corpo, podemos notar nossa predisposição para coisas “gordurosas e calóricas”.  Nosso cantor Erasmo Carlos já se questionava: “Será que tudo o que eu gosto é imoral, é ilegal ou engorda?“.

Deus criou o olhar como unidade de entrada da alma, tipo USB. Você espeta (olha), porém, precisa abrir o arquivo para consumir. Visualizar uma mulher, de fato, é um passo, mas “não tira pedaço” se não abrir o arquivo do desejo. Olhar uma roupa na vitrine e comprar são passos de consumo. Admirar algo e ser atraído pela estética pode gerar em nós um desejo de consumo.

Eu pesquiso imagens no Google e o site me oferece o que busco e o que não busco. Clico “violão” e recebo tudo que está associado a essa palavra. O “espeta e abre” é muito rápido e. de modo imediato, passo a comsumir imagens. A pupila dilata diante dos “sabores”. O arquivo de imagens do Google é o meio mais discreto de ver pornografia para olhinhos cheios de fantasia.

A Bíblia é um livro de alerta e Deus a inspirou para nos dar juízo no olhar. Quando Ele colocou a “Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal” no jardim do Éden, ele comunicou que a visão das coisas é um privilégio, mas traz suas responsabilidades. Ele disse: “Vocês não podem consumir tudo que veem. A placa onde se lê “proibido” os ajudará”. A ironia é que, em todo o mundo, só havia uma restrição, e foi exatamente a única coisa proibida que Adão e Eva quiseram. Foi assim: “Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu-o e o deu a seu marido, que comeu também. Os olhos dos dois se abriram, e perceberam que estavam nus; então juntaram folhas de figueira para cobrir-se.” A Queda Gênesis 3:6,7

Deus criou os “olhos” e  o “olhar”. A máquina ocular, nossos cientistas já decifraram quase tudo, porém, o mistério do “olhar” permanece onde ocorre a liberdade da escolha. E tudo que Deus criou é bom, porém, a História do Olhar nos revela que nossas escolhas pendem para o lado negativo, trazendo a máxima de que “o peixe morre pela boca”, ou seja, “a alma morre pelos olhos”. São Tiago disse: “Quando alguém for tentado, jamais deverá dizer: “Estou sendo tentado por Deus”. Pois Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado pela própria cobiça, sendo por esta arrastado e seduzido. Então a cobiça, tendo engravidado, dá à luz o pecado; e o pecado, após ter-se consumado, gera a morte.” Tiago 1:13-15.

Todos nós olhamos. Olhamos com pureza e alegria, ou com lascívia e inveja. Clicamos naquilo que corresponde ao que somos, como disse Jesus:  “Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!” Mateus 6:22,23

Você tem fome de quê?

* O cara que escreveu a poesia “Não porei coisa má diante dos meus olhos” (Salmo 101.3) um dia estava na varanda de sua casa e viu a mulher do vizinho tomando banho. O que houve? Clique aqui  https://www.bibliaonline.com.br/nvi/2sm/11 e confira que um olhar pode nos levar mais longe do que gostaríamos de ir.

 

 

ATÉ A ORELHA

Paulo Zifum

Talvez passe despercebido para muitos leitores, mas, se você prestar atenção, o momento em que Jesus cura a orelha de um soldado é bem estranho. Não há nada de normal na atitude de Jesus (Evangelho de João, capítulo 18).

Pense comigo. Jesus vivia os últimos dias de seu ministério num colapso emocional porque estava sendo ameaçado por homens sob ingerência de Satanás. Ele sentia o hálito do mal. Sabia que Judas o trairia e que seus discípulos o abandonariam.  Depois da última e melancólica ceia, Jesus vai orar num jardim público chamado Getsêmani. De repente, um tumulto. Soldados surgem  no escuro e Judas aparece dando o famoso beijo-código para identificar Jesus naquela penumbra. Ao ameaçarem pegar a Jesus, surge nosso herói Pedro com sua espada para defender o Mestre. Ele atinge um soldado com um golpe na orelha. Um tumulto se faz. Porém, lendo o texto bíblico, um efeito slow motion parece surgir. Jesus ordenou a Pedro que abaixasse a arma e socorre o soldado, curando o ferimento causado por seu corajoso e aloprado discípulo.

Como? Como Jesus conseguiu enxergar e amar um inimigo numa hora dessas? Esse relato parece acréscimo editorial em busca de um tom sensacional para a trama. Porém, temos todo o contexto para afirmar que atitudes como essa era uma constante na vida do Mestre.

Nós? Deixaríamos as orelhas caírem. Por muito menos já achamos “bem feito” quando pessoas que nos odeiam sejam punidas.  Podemos até segurar nossos Pedros dizendo “tudo bem, não precisa brigar por mim”, mas, prestar atenção na dor do outro e esquecer-se de nós mesmos para curar um inimigo, isso sim, é demais para nós. Deixamos o nome do próximo arrastar na lama, caso esse tenha nos ameaçado. Dificilmente defendemos gente hostil.

Malco (nome daquele soldado) deve ter ficado colocando a mão nessa orelha pelo resto da vida. Deve ter repetido a cena em sua mente diversas vezes tentando entender que tipo de homem era Jesus.

Quem é suficiente para essas coisas?

OUÇA A CANÇÃO ABAIXO

 

AGENDA FEIA

Paulo Zifum

Toda pessoa tem uma rotina, e alguns, vão além, fazendo uma agenda para o dia, para o mês, para o ano e para uma vida. A agenda é uma obra que planejamos pelo senso de organização que Deus nos deu. É uma reposta ao tempo futuro para onde mandamos um email dizendo: farei isso, é isso que farei. 

As agendas são feias ou bonitas. Há uma beleza estética e também uma feiura. Há uma nobreza humana e também uma pobreza. Há uma inspiração no planejamento apaixonado e cheio de ideais. Porém, existe a  maligna (normalmente secreta), onde os planos de roubar, matar e destruir revelam a face mais feia da humanidade. O que dizer da agenda de  alguns personagens da história? Homens e mulheres que acordavam e sonhavam com o bem. Entretanto, o “bem”, quando era bem particular, parece que não fez bem para a raça (ex.: a agenda de Hitler, Stalin).

Uma agenda tem três juízes: o próprio autor, o outro e Deus. Esses três normalmente discordam. O primeiro é projetista, o segundo é aliado ou opositor. O terceiro é o Soberano que pode permitir ou não a realização (e nesse ponto os teólogos discordam sobre o papel desse Juiz).

A questão é que a agenda de uma pessoa pode ser bela ou feia. E um crivo para avaliar é o sagrado texto de Romanos 12.1-2 que diz: “Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

Quando apresentamos nossa agenda diante de Deus na intenção de agradá-lo, corremos o risco de não conseguir. Nossos pensamentos não combinam com os pensamentos de Deus. Nossa racionalidade almeja acertar a agenda do culto, mas há mundanos padrões de liberdade, justiça e amor enraizados em nós. Precisamos refazer a agenda de nossa mente, a agenda profissional na relação com o mercado, a agenda da governança, a agenda das motivações de pesquisa científica, a agenda da vida conjugal, a agenda da educação de filhos,  a agenda do ministério religioso, a agenda do prazer e principalmente da vingança e perdão.

Nossa agenda normalmente é feia. É uma correria do acordar ao deitar que causa uma péssima qualidade de pensamentos durante o dia e muitas ansiedades e preocupações à noite. A agenda humana é precária e cheia de interrupções como a do Titanic e da Challenger. Somos uma formiguinha carregando peso sobre-humano para fazer reservas de um inverno que não sabemos se desfrutaremos. Nossos planos são, por vezes, muito arrogantes.

A beleza de uma agenda bela ocorre quando se encaixa na boa, agradável e perfeita vontade de Deus. É uma experiência maravilhosa quando nós planejamos segundo o amor de Deus. Quando planejamos nossa vida na direção do amor. A agenda que mostra confiança em Deus é linda, como vemos na vida de Abraão (Gn.12). A história de Marta e Maria nos mostra o que é uma agenda bonita para Jesus (Lc. 10.38). E entre todas as agendas, a de Cristo, é, sem dúvida, a mais bela.

Também pode-se começar bem e terminar mal como fez o Rei Asa. Começou dentro da boa, agradável e perfeita vontade de Deus, pois o texto diz que “o coração de Asa foi perfeito todos os seus dias” (2Cr.1517), mas, no final, não conseguiu “completar a carreira nem guardar a fé” (2Cr.16). 

Como é a sua? Qual o plano que você tem para sua vida? Sua agenda profissional é boa para sua família? É bela para as pessoas para as quais Deus te enviou?

 

HOMEM LÍQUIDO

Tela: Guernica, Pablo Picasso

Paulo Zifum

Escorre, espalha e se encaixa na comunicação virtual como se tivesse presença, mas, na verdade, não existe.

Discorda de uma postagem e depois curte coisas que dizem a mesma coisa. Entra e sai sem tomar forma nenhuma e deseja ser moderno de um jeito onde nada seja definido. Tira milhares de fotos e não tem sequer um quadro em casa. A arte fotográfica que era sólida, agora é liquida, assim como as relações que não podem ser colocadas na parede. A felicidade, que antes estava relacionada a um compromisso com a consciência, agora é um fluído sensual que precisa de recarga numa tomada virtual. Esse é um quadro das pessoas em nossos dias.

Os que entenderam o homem moderno não lutam mais para o solidificar. Basta deixar que corra, deslize pelo tempo, até que ache seu mar. Deixe que entre na igreja e faça suas orações, mas não queira que seja uma peça que encaixe na comunidade. Ele não é peça alguma porque não se opõe a nada e nem deseja ocupar espaço algum. Só quer passar e curtir. Não fará comentário sólido, apenas soltará bolhas de “parabéns, tudo de bom”.

Ele tem opinião formada sobre política, vota com certeza, mas as coisas na política não mudam. Quando seus candidatos chegam ao poder, todo o projeto já se esvaiu e os ideais já não servem. Eleitores e candidatos se encaixam na nova vaga, misturando PT, com PSDB e PMDB num universo politicamente liquido. O que é sólido nesse cenário?

Escorre, esvai, escapa na rede social como se estivesse vivo, mas, na verdade, está liquidado.

Se você deseja ter uma opinião sólida, uma vida sólida, uma família sólida e realizar algo sólido nessa época, então, faça uma coisa: desligue seu celular, procure um lugar deserto, ajoelhe-se e peça a Deus que resgate sua alma. Depois de orar assim, não tente resolver sua volubilidade sozinho. Procure um cristão sólido, que anda na contramão da cultura moderna (vai ser difícil achar, mas não impossível). Achando essa peça rara, tente se encaixar a ela. Deus o ajudará a endurecer-se sem perder a ternura. 

*pesquise sobre Zygmunt Bauman (Modernidade Liquida) 

FATOR ESAÚ

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Paulo Zifum

Não haja nenhum imoral ou profano, como Esaú, que por uma única refeição vendeu os seus direitos de herança como filho mais velho. Como vocês sabem, posteriormente, quando quis herdar a bênção, foi rejeitado; e não teve como alterar a sua decisão, embora buscasse a bênção com lágrimas.” Hb.12.16-17

Existem crentes como Esaú. São membros de uma igreja local, ocupam cargos, são músicos, professores e líderes de departamentos. O traço moral de uma pessoa pode ficar encoberto por anos, mas um dia será revelado. Normalmente coisas tolas como a fome de Esaú pode levar uma pessoa a ser profana. Uma ordem, uma regra, um mal entendido, podem provocar uma reação desrespeitosa ou uma ousadia indecente.

Falar mal da igreja, de seus líderes, usar uma linguagem chula de vez em quando ou rir de coisas sagradas pode parecer inocente, mas é sinal do traço de Esaú. Pensamentos de enjoo enquanto participa da Ceia, sentir-se enfadado no período de oração nem sempre confirmam aquilo de chamamos de fator Esaú. Porém a indolência e desprezo com o culto é preocupante.

Um crente pode cair em tentação e profanar coisas sagradas como fez o rei Davi (impedido de construir o Templo por manchas em seu histórico), sem contudo ser um Esaú. Davi teria matado Saul para ser rei se fosse um homem profano (1Sm.24).

Aparentemente Jacó, irmão de Esaú, era uma pessoa mais imoral, pois fez algo muito odioso ao enganar o próprio pai que estava cego -Gn.27). Mas, o que caracteriza o fator Esaú não é apenas ceder à um esquema ou facilidade. O que define Esaú é a relação com as coisas espirituais. Para um crente piedoso, a benção deve seguir protocolos de santidade e a vida deve estar sujeita à autoridade. Pessoas profanas desprezam conselhos e oportunidades em troca de opinião, comida, sono e um pouco de vantagem.

Quando Jesus disse: “o espírito está pronto, mas a carne é fraca“, alerta para esse fator. A falta de vigilância de alguns crentes pode custar anos de deserto, perda de bençãos, perda de ministério e perda de comunhão. Samuel disse a Saul: “que loucura você cometeu. Hoje você seria confirmado rei de Israel” (1Sm.13.12-13). E Saul fez exatamente como Esaú. Eles tanto desprezaram regras espirituais como tentaram recuperação de modo incorreto. Esaú tenta agradar Isaque (para entender você precisa ler Gn.28). Saul contrata serviços profissionais de encantamento (1Sm.28).

O fator Esaú está presente na Igreja, de modo claro ou sutil, podemos notar que alguns não levam a benção espiritual tão à sério como deveriam. Infelizmente, quando despertarem, já pode ser tarde demais.

Por isso sinto um aperto no estômago e faço a seguinte oração: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece as minhas inquietações. Vê se em minha conduta algo que te ofende, e dirige-me pelo caminho eterno.” Salmos 139:23,24

ESTIGMA

Paulo Zifum

Erros do passado estigmatizam. Deslizes nunca são casos isolados. Há razões para achar que uma pessoa que mentiu numa situação tenha mentido em outras. Todos pensam: Ele mente! O estigma é uma marca ou cicatriz que impomos nas pessoas. Necessariamente é uma ferida que fazemos. Certo ou errado, todos acabam sendo definidos por seus atos.

O curioso do estigma é seu tamanho e profundidade. Se uma criança é descuidada no trato com adultos, será notada, mas à medida em que cresce a marca sumirá. Porém, uma mulher que teve sua infidelidade exposta nas redes sociais de uma cidade pequena terá uma marca da qual não poderá livrar-se tão fácil.

Marcamos as pessoas para nos protegermos delas: -Fulano não é confiável, porque não permanece em emprego algum. Ferimos a imagem delas em nossa mente sem que ela saiba:-Essa pessoa é arrogante. Acertamos e erramos nessa seleção, entretanto, não conseguimos viver sem colocar nossos “selinhos” de identificação, e porque não, punição.

O cristão luta contra esse tipo de comportamento, mas dependendo do senso religioso que adota, julgará as pessoas como “crentes” e “incrédulos”, assim como os muçulmanos distinguem os “fiéis” dos “infiéis”. O religioso poderá se sentir seguro ou desconfortável depois de descobrir a fé que o outro declara ter.

Os homossexuais lutam para que se remova o estigma que a eles foi imposto, e a Bíblia tem toda a culpa nesse caso (é um caso muito antigo). Os políticos não conseguem escapar da nódoa que o nome carrega (políticos não falham, são incompetentes e malandros). O homem que é lento ou gosta de fazer as coisas com calma dificilmente terá a compaixão.

Nem todo estigma é feito por peritos. Os peritos são pessoas que possuem conhecimento para distinguir um árabe de um muçulmano, um preguiçoso de um anêmico, uma mulher sensual de uma perigosa, um religioso de um piedoso, um homem violento de um traumatizado.

Quando “ferimos” alguém podemos causar um desastre social se fizermos a marca errada. É preciso saber estigmatizar. A injustiça é quase inevitável. Pais erram, filhos erram, amigos erram, noras erram, amigos erram. Somos uma sociedade injusta, e isso é um estigma. Adão começou isso mostrando o efeito colateral do pecado: estigmatizou Eva como culpada de tudo. De lá pra cá a tolerância é quase zero e muita maldade é cometida.

Jesus disse: “Não julgueis”. O apóstolo Paulo disse: “Nada julgueis antes da hora”. Salomão disse: “Não se precipite em dizer: -É santo!”. São Tiago finaliza ao dizer que o papel de julgar é exclusivo de Deus, não é uma perícia humana. Condenar pessoas como joio pode ser um erro. Podemos fazer marcas leves e insinuantes, mas nunca finais. Podemos nos precaver de associações com gente que parece ruim, alertar os filhos de amigos “diferentes”, porém, devemos reconhecer que nossos julgamentos são falhos.

Se for para estigmatizar alguém, aconselhamos seguir o exemplo do próprio Deus. Ele marcou Caim, o assassino, não para punir e sim para que não fosse vingado. A vingança e a retribuição pertence ao Senhor. A absolvição também. O Juízo final será um dia de muitas surpresas. Será um triunfo da justiça quando estigmas serão tirados ou confirmados, mas, dessa vez, sem erro.

Não nego que faço “feridas”. E também aceito que sou estigmatizado. Fazer o quê? Talvez nunca consiga mudar a opinião do outro a meu respeito. Isso dói no peito, mas não tem jeito, é do homem marcar o sujeito.

Eu confio em Deus, que lançou meus estigmas na Cruz de seu Filho Jesus. Ele foi ferido e marcado por meus pecados. Ele carrega essas marcas até hoje em seu corpo furado. Por isso devo me esforçar para cobrir os pecados do meu próximo em vez de marca-los com seus defeitos.

E aconteceu que, estando ele em casa sentado à mesa, chegaram muitos publicanos e pecadores, e sentaram-se juntamente com Jesus e seus discípulos. E os fariseus, vendo isto, disseram aos seus discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? Jesus, porém, ouvindo, disse-lhes: Não necessitam de médico os sãos, mas, sim, os doentes. Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento.
Mateus 9:10-13