SOMOS UNS BOCÓS

 

escreve caca

Paulo Zifum

Não brincar para não se sujar. Fazer esforço suicida para não parecer tolo ou ridículo. Trabalhar para comprar até não ter mais tempo para conversar na praça. Andar rápido no metrô, no trânsito para não chegar atrasado, sem perceber que está sempre quase. Sempre, até para ir à igreja e ao aniversário. E tudo acaba se resumindo em mais velocidade e estética. Coisas que o tempo levará feito um ladrãozinho, junto com toda ostentação boba. E se ele fosse uma pessoa, apareceria no velório e diria: Seu trouxa!

Uma mãe disse que deu tantas aulas como professora que não viu seus filhos crescerem. Um médico deu tantos plantões que não percebeu que havia se tornado um grande cirurgião divorciado e recasado com a segunda opção inferior. Não vale de nada férias no Havaí quando não se consegue a afeição sincera dos filhos. Um pastor prega muito bem e recebe elogios, mas não tem nada interessante para fazer em casa. Um filho tem pais maravilhosos, mas passa a maior parte do tempo doméstico num computador desgraçado (termo usado para algo que não produz vantagens da bondade). Um patrão que tem como pagar melhor os funcionários que se esforçam, mas prefere reter o dinheiro porque está se precavendo para as crises financeiras. Bocó! Não vai viver melhor retendo a alegria do outro!

Ninguém consegue ser feliz vivendo tenso. O ambiente em casa é tenso, o trabalho é tenso, a igreja é tensa, até a festa é tensa. As preocupações? São ridículas! E o pior é que nos esforçamos para manter esse… esse… como poderíamos dizer… essa… essa…

Bem, as palavras exatas são muito chatas.

Vamos olhar no espelho e sermos sinceros: A vida assim é um grande desperdício. Eu, às vezes, acho que a turma que fica cantando desafinado no karaokê do boteco vizinho, tá fazendo algo decente. Não que seja producente. E esse negócio de tentar justificar tudo pode parecer bem coerente, mas no fundo é coisa de gente doente.

Queria muito deixar de ser assim. Queria mesmo comprar um balãozinho caro de gás só para soltar no céu azul, mas, não consigo. Levo pra casa e fico brincando de soltar no teto da sala. Por que sempre, sempre evito me molhar na chuva? Depois que virei bocó, nunca mais nadei pelado. A última vez foi na bacia segurado por mamãe. É coisa de filme deixar a roupa na areia e correr o risco de aparecer alguém e roubar as indumentárias.

E esse negócio de tomar cuidado para evitar roubos, torna as pessoas tão… tão… cuidadosas. É tanto cuidado que surge a dúvida se vale a pena ter um bem tão perigoso. O riqueza inspira os ladrões e as seguradoras. Os bocós? Estão entre os dois.

Cantar mais, rir mais, brincar mais, é um desejo da “árvore de dourados pomos” que Vicente de Carvalho descreveu. Somos como aquela criança na qual se faz cócegas e ela diz: -Não! Não! Não! Não! Aí você deixa de fazer e ela diz: -Mais! Mais! Mais! Mais! É assim que muitos sentem quando se aproximam do fim. Percebem que disseram uma vida de “não”, e, tardiamente, desejam as cócegas que desprezaram.

A gente pode! A gente quer! Mas, o porque cargas d’água a gente não consegue, não sabemos.

Quer dizer, os cristãos sabem, o apóstolo Paulo sabia e disse no 7 de Romanos: Por que somos tão bocós? Por causa do pecado! Fazemos o que não queremos, o que queremos não fazemos. Comportamento que afeta nossa moral e, por fim, atinge a felicidade social.

Jesus disse: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. E disse isso para um bando de bocós que não admitiam jamais que eram ridículos (Jo.8.32). E o que todos nós precisamos? De que Deus nos dê compreensão da Verdade sobre o pecado e suas conseqüências. Precisamos receber de Jesus a liberdade que nenhuma filosofia de vida pode oferecer.

Embora eu saiba sobre essa Verdade, ainda não a circundei. E enquanto não conhecê-la plenamente, direi e direi: “Desventurado bocó que sou, quem me livrará desse comportamento besta?”

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5 comentários sobre “SOMOS UNS BOCÓS

  1. Li esses post a uns dias, me identifiquei, e declarei, não serei mais bocó! Achei q seria tão fácil qto declarar.
    Hj fui a ceia cedo, já estava preocupada com o almoço. Passei a ceia pensando q não podia atrasar, meu pai tem hora para comer. Aí lembrei “não tenho manteiga”, como se não bastasse eu ser bocó, falei pro meu marido “vc terá q ir comprar manteiga” e logo desanimou. Não sei se ele estava pensando na palavra ministrada, mas a partir daquele momento, começou a pensar na manteiga e no trajeto ao sol até o mercado. Dps discutimos e q ele comprou na compra compra eu gastei, mas eu defendia q eu não coloquei na lista e não compramos este mês, eu compro, eu faço a lista. E a ceia acabou.
    Tomando banho me lembrei disso, não sei pq, e pensei, q bocó q sou, perdi a ceia, ou parte dela, por causa e um almoço, e fiz meu marido perder por causa e uma manteiga.
    Será mais difícil deixar de ser bocó do q eu pensei.
    Ainda bem q voltei a igreja, e dessa vez a janta está pronta, pq bocó como sou, iria pensar na janta.
    Ass. A bocó

  2. Hj é sabado, minhas filhas, 8 e 10 anos, estão em casa me esperando pra brincar. Desci ao escritorio agora 18:43hs, peguei o comuputador pra estudar para um compromisso amanhã. Vi no email de um amigo o link para esse post e li o texto. To largando o estudo agora. Vou la brincar com as meninas. Sinceramente…ainda um pouco em crise, mas vou. Obrigado.
    ….espero que não escandalize ninguem ao dizer que o estudo é para o culto de amanhã. Fui!

  3. Nossa como sou bocó!
    Passo o dia pensando no emprego que se foi, na casa que precisa estar impecável, no almoço, no jantar etc etc etc…..
    Esqueço da alegria que é rolar no tapete com as crianças , ficar abraçadinha no sofá com o marido…. Enfim, que bom que li esse texto, pois agora, tenho certeza que o ES me lembrará que é necessário parar, respirar e viver.

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