ESTIGMA

Paulo Zifum

Erros do passado estigmatizam. Deslizes nunca são casos isolados. Há razões para achar que uma pessoa que mentiu numa situação tenha mentido em outras. Todos pensam: Ele mente! O estigma é uma marca ou cicatriz que impomos nas pessoas. Necessariamente é uma ferida que fazemos. Certo ou errado, todos acabam sendo definidos por seus atos.

O curioso do estigma é seu tamanho e profundidade. Se uma criança é descuidada no trato com adultos, será notada, mas à medida em que cresce a marca sumirá. Porém, uma mulher que teve sua infidelidade exposta nas redes sociais de uma cidade pequena terá uma marca da qual não poderá livrar-se tão fácil.

Marcamos as pessoas para nos protegermos delas: -Fulano não é confiável, porque não permanece em emprego algum. Ferimos a imagem delas em nossa mente sem que ela saiba:-Essa pessoa é arrogante. Acertamos e erramos nessa seleção, entretanto, não conseguimos viver sem colocar nossos “selinhos” de identificação, e porque não, punição.

O cristão luta contra esse tipo de comportamento, mas dependendo do senso religioso que adota, julgará as pessoas como “crentes” e “incrédulos”, assim como os muçulmanos distinguem os “fiéis” dos “infiéis”. O religioso poderá se sentir seguro ou desconfortável depois de descobrir a fé que o outro declara ter.

Os homossexuais lutam para que se remova o estigma que a eles foi imposto, e a Bíblia tem toda a culpa nesse caso (é um caso muito antigo). Os políticos não conseguem escapar da nódoa que o nome carrega (políticos não falham, são incompetentes e malandros). O homem que é lento ou gosta de fazer as coisas com calma dificilmente terá a compaixão.

Nem todo estigma é feito por peritos. Os peritos são pessoas que possuem conhecimento para distinguir um árabe de um muçulmano, um preguiçoso de um anêmico, uma mulher sensual de uma perigosa, um religioso de um piedoso, um homem violento de um traumatizado.

Quando “ferimos” alguém podemos causar um desastre social se fizermos a marca errada. É preciso saber estigmatizar. A injustiça é quase inevitável. Pais erram, filhos erram, amigos erram, noras erram, amigos erram. Somos uma sociedade injusta, e isso é um estigma. Adão começou isso mostrando o efeito colateral do pecado: estigmatizou Eva como culpada de tudo. De lá pra cá a tolerância é quase zero e muita maldade é cometida.

Jesus disse: “Não julgueis”. O apóstolo Paulo disse: “Nada julgueis antes da hora”. Salomão disse: “Não se precipite em dizer: -É santo!”. São Tiago finaliza ao dizer que o papel de julgar é exclusivo de Deus, não é uma perícia humana. Condenar pessoas como joio pode ser um erro. Podemos fazer marcas leves e insinuantes, mas nunca finais. Podemos nos precaver de associações com gente que parece ruim, alertar os filhos de amigos “diferentes”, porém, devemos reconhecer que nossos julgamentos são falhos.

Se for para estigmatizar alguém, aconselhamos seguir o exemplo do próprio Deus. Ele marcou Caim, o assassino, não para punir e sim para que não fosse vingado. A vingança e a retribuição pertence ao Senhor. A absolvição também. O Juízo final será um dia de muitas surpresas. Será um triunfo da justiça quando estigmas serão tirados ou confirmados, mas, dessa vez, sem erro.

Não nego que faço “feridas”. E também aceito que sou estigmatizado. Fazer o quê? Talvez nunca consiga mudar a opinião do outro a meu respeito. Isso dói no peito, mas não tem jeito, é do homem marcar o sujeito.

Eu confio em Deus, que lançou meus estigmas na Cruz de seu Filho Jesus. Ele foi ferido e marcado por meus pecados. Ele carrega essas marcas até hoje em seu corpo furado. Por isso devo me esforçar para cobrir os pecados do meu próximo em vez de marca-los com seus defeitos.

E aconteceu que, estando ele em casa sentado à mesa, chegaram muitos publicanos e pecadores, e sentaram-se juntamente com Jesus e seus discípulos. E os fariseus, vendo isto, disseram aos seus discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? Jesus, porém, ouvindo, disse-lhes: Não necessitam de médico os sãos, mas, sim, os doentes. Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento.
Mateus 9:10-13

 

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