HOMEM LÍQUIDO

Tela: Guernica, Pablo Picasso

Paulo Zifum

Escorre, espalha e se encaixa na comunicação virtual como se tivesse presença, mas, na verdade, não existe.

Discorda de uma postagem e depois curte coisas que dizem a mesma coisa. Entra e sai sem tomar forma nenhuma e deseja ser moderno de um jeito onde nada seja definido. Tira milhares de fotos e não tem sequer um quadro em casa. A arte fotográfica que era sólida, agora é liquida, assim como as relações que não podem ser colocadas na parede. A felicidade, que antes estava relacionada a um compromisso com a consciência, agora é um fluído sensual que precisa de recarga numa tomada virtual. Esse é um quadro das pessoas em nossos dias.

Os que entenderam o homem moderno não lutam mais para o solidificar. Basta deixar que corra, deslize pelo tempo, até que ache seu mar. Deixe que entre na igreja e faça suas orações, mas não queira que seja uma peça que encaixe na comunidade. Ele não é peça alguma porque não se opõe a nada e nem deseja ocupar espaço algum. Só quer passar e curtir. Não fará comentário sólido, apenas soltará bolhas de “parabéns, tudo de bom”.

Ele tem opinião formada sobre política, vota com certeza, mas as coisas na política não mudam. Quando seus candidatos chegam ao poder, todo o projeto já se esvaiu e os ideais já não servem. Eleitores e candidatos se encaixam na nova vaga, misturando PT, com PSDB e PMDB num universo politicamente liquido. O que é sólido nesse cenário?

Escorre, esvai, escapa na rede social como se estivesse vivo, mas, na verdade, está liquidado.

Se você deseja ter uma opinião sólida, uma vida sólida, uma família sólida e realizar algo sólido nessa época, então, faça uma coisa: desligue seu celular, procure um lugar deserto, ajoelhe-se e peça a Deus que resgate sua alma. Depois de orar assim, não tente resolver sua volubilidade sozinho. Procure um cristão sólido, que anda na contramão da cultura moderna (vai ser difícil achar, mas não impossível). Achando essa peça rara, tente se encaixar a ela. Deus o ajudará a endurecer-se sem perder a ternura. 

*pesquise sobre Zygmunt Bauman (Modernidade Liquida) 

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