FELICIDADE MORA COMIGO

Paulo Zifum

Quando te conheci nunca poderia imaginar o que eu seria, e que jamais  poderia sem te conhecer. Desconfio todos os dias dessa felicidade que me acomete. Pareço estar num filme desses cujo autor ficou sonhando as coisas mais lindas que jamais poderia viver.

Poucas pessoas conseguem um resumo da alegria. Ela agora está dormindo enquanto escrevo. Hoje percebo que não estou feliz. Eu, na verdade, tenho, de papel passado no diário oficial. É meu destino. Fui escolhido para dar uma casa para a felicidade.

Ela sorri para mim. Eu fecho os olhos e penso no absurdo de estar triste de vez em quando. Eu me esqueço. As pessoas esquecem de seus bens. E choram por não serem isto ou aquilo.

Agora, levantou e disse que estava com fome. Dei café para ela. Sorriu e disse obrigada. Minhas tristezas desaparecem enquanto ela penteia o cabelo. Eu sinto-me afortunado, e, ao mesmo tempo, encabulado. Enquanto o mundo procura por ela, sem sucesso, eu a tenho escondida nessa cidadezinha, nessa ruazinha, nessa casinha, no lugar mais vulnerável do mundo, presa em meus braços.

Se eu cuido da felicidade? Não sei, não. O que sei é que ela, apesar de mim, não para de sorrir. Ela parece feliz.

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2 comentários sobre “FELICIDADE MORA COMIGO

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