NÃO NOS DEIXE CAIR

Paulo Zifum

O mundo em que vivemos é feito de tentações e os homens tornam-se cada dia mais feios pelo fato caírem em quase todas. Dentre as tentações mais danosas estão a mentira, o roubo e a imoralidade. A carne é fraca e “enche a pança” de fantasias, exige que seja sempre poupada de qualquer sofrimento. A carne usa a mentira para não se esforçar e também para se vingar covardemente. A carne prefere roubar em vez de trabalhar e dormir em vez de orar. E orar foi o que Jesus mais ensinou dizendo: “orareis assim: Pai não nos deixe cair em tentação, mas livra-nos do mal”.

A queda nas tentações é inevitável e a súplica a Deus, imprescindível. Nossa capacidade de vigilância é traída pelos interesses da carne. Se Deus nos deixar, caímos. Se ele não nos livrar do mal, somos consumidos.

Falamos bobagens, pensamos porcarias e fazemos as coisas mais estranhas. Quando o famoso rabino Henry Sobel foi preso roubando uma gravata, podemos imaginar do que somos capazes se Deus não nos segura pela mão. A tentação pode ser um susto, uma crítica, uma perda, uma promoção, um elogio, um amigo, um convite, um desejo, uma raiva ou uns míseros trocados.

Soa tão oportuno para nós o pedido “não nos deixe cair em tentação”e, acrescido de “livra-nos do mal” faz-nos mais sábios que realmente somos.

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Getsêmani

Paulo Zifum

Era quinta-feira.  Jesus havia tomado a última e extenuante ceia com seus discípulos. Em vez de dormir, vai  para o Jardim do Getsêmani para orar. Ali, ele trava talvez sua maior batalha: confirmar a decisão de tomar o cálice da ira divina. Um jardim ficou responsável por carregar uma das cenas mais dramáticas para os cristãos: a hora em que Jesus, por três vezes pediu:  “se possível, afaste de mim este cálice”.

Jesus passou por várias tentações como homem, mas duas são marcadas por locais emblemáticos: a do deserto  e a do jardim . No deserto, Cristo luta com o diabo e vence as tentações que todo ser humano sofre em busca de identidade, influência e poder. No jardim, luta contra si mesmo e trava sua maior batalha a ponto de pedir trégua.

No Getsêmani,  Jesus estava sozinho para tomar uma decisão: se poupar e desistir ou continuar e enfrentar a face irada de Deus.  A morte não era a angústia daquela hora, mas receber a culpa dos pecados de muitos e ser desamparado pelo Pai.

Mas o Getsêmani não fala de sofrimento apenas. Fala da vitória sobre a carne. E o que é a carne senão a vida que jamais transcende? É aquela vivida apenas para se poupar e auto-gratificar-se. Se o primeiro homem foi derrotado num jardim, agora,  Jesus homem vence no jardim ao dizer “contudo, seja feito não que eu quero, mas, sim, o que tu queres”.

E foi ali nesse jardim que o mestre disse “Vigiai e orai para que não entreis em tentação, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca”.

A carne providencia para o cristão as mais diversas aflições, mas o Senhor fortalece dizendo:”tende ânimo, eu venci o mundo” (Jo.16.33). Esse ânimo provém da fé de que é possível vencer nossa própria vontade por meio de Jesus. A condição para essa vitória é buscar a Deus em nosso jardim (aquele lugar de solitude onde falamos de nossas intenções de desistência ou devaneios). É ali que vencemos a tentação afirmando nossa obediência. É ali que nos comprometemos com renúncias e entregas.

Antes do Calvário tem um Jardim onde os fiéis conversam com Deus sobre suas decisões, resolvem amar, perdoar ou pedir perdão. Ali, resolvem contar a verdade e viver de verdade, exatamente pela decisão de morrer.

 

 

O BRASIL DO PREGO DE PRATA

prego

Paulo Zifum

Era uma vez um homem endividado que andava cabisbaixo pela rua. De repente, uma limusine vermelha para a seu lado, abaixa o vidro e um cavalheiro distinto o chama pelo nome: -José! Ele, sem reconhecer, aproxima e só identifica dentro do carro o dono do cartório da cidade, que pede logo para que suba. Quando entra, o rico diz com fala animada: -Hoje é seu dia de sorte, José! Ao chegarem numa  mansão, sentam-se ao redor de uma mesa de granito. -Desejo fazer uma doação para você! -diz o homem de terno preto impecável. O dono do cartório explica que bastava assinar e receber a doação da propriedade onde estavam, e, também, uma generosa renda vitalícia. Com os olhos marejados, o   pobre homem pega a caneta para mudar seu destino, porém, é interrompido por seu benfeitor, que diz: -Você não vai ao menos perguntar quem sou eu? Depois de mil desculpas, indaga a identidade do cavalheiro que lhe sussurra no ouvido. O pobre assusta, solta a caneta confuso, mas, por fim, a pega de novo. Dessa vez, o dono do cartório é quem segura sua mão e lhe chama à atenção para as duas cláusulas únicas que diziam: 1ª -Há, em todas as paredes da casa, pregos de prata que não podem ser removidos e  que mesmo após a doação continuarão pertencendo ao doador. 2ª-Se o beneficiário resolver mudar-se da casa perderá tudo o que foi doado bem com a renda vitalícia. Um silêncio breve é quebrado pelo dono do cartório que diz: -Vamos! Você não tem nada a perder. Anos depois, quando dava uma festa no salão principal da mansão, todos são surpreendidos por um convidado que pendura uma carniça no prego de prata. Os convidados quase desmaiam. O proprietário exige que aquele mal seja removido, mas, eis que surge o generoso cavalheiro a bradar: -“Esse prego é meu, será sempre meu e eu penduro nele o que eu quiser”.  

O que você acha? O cavalheiro seria o lobby norte americano? A limusine vermelha seria o pensamento marxista? E agora José?

 

EU MORO NO BRASIL DE LULA POR DEUS

Paulo Zifum

EU: brasileiro, culpado da infração do oitavo mandamento (Ex.20.15) juntamente com meus compatriotas, reconheço que somos um mau exemplo para as nações por nosso comportamento pródigo (torramos os recursos com obras superfaturadas) e ímpio (para nos pegar é preciso muita investigação e sorte, um ímpio nunca reconhece que sabia de nada).

MORO: verbo morar -1ª pessoa – presente do indicativo, que indica onde estou vivendo agora. No presente momento não posso negar que minha residência foi negociada em nome de um partido político capaz de cooptar outros partidos.

LULA: Meu atual senhorio. Ele deu-me muitos benefícios, porém, jamais pensei que mandaria pagar uma conta tão alta. Hoje estou envolvido com corrupção. Meu senhorio diz que não. Não confio nele. Eu deveria ter ouvido meus amigos nascidos na época de 50 que me alertaram sobre essa escolha.

DEUS: Soberano que institui reis e os destitui. As nações democráticas escolhem seus líderes e  ditadores escolhem nações para comandar, porém, esse poder só é efetivado se o Céu assinar. Deus é quem dá posse a todos os cargos de autoridade (Rm.13-1-1).

Se você não está confuso nesse ano histórico do Brasil e compreende um pouco de teologia e política, então será capaz de situar-se no cenário nacional. Você mora num país cujo senhorio foi instituído por Deus, e o único que pode destituí-lo é Deus. As manifestações nas ruas só serão atendidas pelo Céu quando os representantes do Brasil pedirem perdão a Deus pelos crimes de roubo. O governo do Brasil é apenas o resultado de uma “tomografia” dos brasileiros. Precisamos da cura da nação e não substituir os doentes dos leitos terminais da Capital.

Eu sou feliz por acompanhar brasileiros entrarem numa pequena igrejinha do interior do Rio de Janeiro. São doentes honestos cuja função é representar a nação diante de Deus. São produtores, avicultores e famílias da roça que sentem a anemia econômica e temem o fracasso de seus pequenos negócios. Eu os vejo entrar na capela e ajoelhar para fazer suas orações em favor do país, e dizem:

Ó Senhor, Deus do Universo, que visita a iniquidade dos pais nos filhos, que julga os segredos dos homens porque nada está encoberto diante dos Teus olhos. Pedimos que nos perdoe. O que hoje se vê em nosso país não é nem metade daquilo que Tu, ó Soberano, tens conhecimento. Tu sabes como temos sido corruptos e corruptores e como edificamos nosso país com injustiça. Todos do povo e seus magistrados, temos sido ativos e passivos quanto ao pecado da nação. Reconhecemos que temos uma governança corrupta e que por ela nossas vergonhas estão expostas para o mundo. Pedimos ao Senhor, que levante, dentre nós, homens justos que não se contaminaram conosco, para que nos liderem a sair desse caos. Suplicamos que removas de nós o governo que hoje é feito nossa imagem e semelhança e coloques um justo que reflita Teu caráter, ó Senhor, Deus das nações. Institua um líder que tenha coragem para expulsar os “cambistas do templo” e confrontar o “sumo sacerdócio” de modo que o Brasil volte a te buscar, ó Deus. Saberemos que nos perdoaste quando isso ocorrer. Enquanto não vens com teu socorro, lamentaremos esse charco onde vivemos, produto de nossa própria desobediência, pois, aceitamos que nosso pecado tornou-se nossa própria punição, como colheita do que semeamos. Oramos assim por nós, teus servos, e por todos que, confusos, gritam nas ruas de nosso país pedindo socorro para quem supõem que possa ajudá-los. Nós, elevamos nossos olhos para o Céu, pois o nosso socorre vem do Senhor. Venha a nós o Teu Reino. Amém.

 

MORO 2: Se há uma esperança, talvez seja pelo sinal diacrítico imaginário, constituído de dois traços formando ângulo, colocado sobre a primeira vogal do verbo acima conjugado, dando a ele nome. Um pingo basta.

 

APAVORA

pedro

Paulo Zifum

Açoitado pela vida que descontrola, meu barco conhece o medo de não ser feliz. Mas Ele surge no mar e caminha sobre o que me apavora, me assusta e desafia. Apavorado, saio daquilo que pensava afundar e começo a andar sobre mim. Tive meus momentos. Mas, Ele vê que o medo não me deixou. Meus pés ainda não sabem pisar na vida que apavora. Ele me levanta, me coloca de novo no barco de meu mundo seguro ameaçado por água e vento. Eu respiro molhado e ofegante. Ele me apavora.

LEVANTAR ÂNCORA

Paulo Zifum

Escutamos um grito. O Senhor dos Mares chama a tripulação para partir: -Aos seus postos marujos! Levantar âncora! Içar velas! Desfazer as amarras!

Esse comando nos desafia a trabalhar embarcados, assumir nosso lugar, remover o peso, dispôr nosso potencial e tomar a importante decisão de partir soltando os “apegos” da terra firme.

Cada um entende o grito do Senhor e sente coisas diferentes. Cada pessoa sabe os perigos que deve enfrentar e o que a prende no cais. Para “içar velas” é preciso se abrir para os ventos novos. E somente quando nos reconciliamos pedindo perdão é que soltamos as amarras. O passado pode ser bem resistente, porém a nova vida nos chama.

Um jovem noivo sente receio de marcar o casamento, uma filha teme contar aos pais um segredo, um homem precisa deixar seu atual emprego, um casal aceita o desafio de preencher a vaga num campo missionário, uma mãe resolve que seu filho só vai usar internet depois de ler livros e estudar inglês, um pastor decide jejuar por sua igreja, um desanimado abandona as desculpas e a dó de si, namorados cristãos fazem pacto de permanecer virgens para o casamento, um rapaz pede ajuda confessando o uso drogas, outro solta as cordas da mentira e do ganho desonesto.

Todos que ouvem o chamado de Deus tomam sua cruz, renunciam a si mesmos e sobem na “embarcação do discipulado”. Marujos que abrem as velas do coração para a direção das Escrituras, onde sopra o vento do Espírito Santo. Resolutos, mas submissos, colocam âncoras de sonhos pessoais no convés, se desembaraçam das cordas do pecado e deixam pra trás a segurança desse mundo. Porque ouvem o Senhor chamar e sabem o que Ele quer.

Navegar é preciso, viver não é preciso“.

 

 

MEU BRASILZINHO

Paulo Zifum

Combustível fóssil sobe como míssil do pré-sal dando um salto na economia tupiniquim enchendo barris de grana que evapora no escapamento dos veículos de Brasília transportando parlamentares que pensam que jogam os dados porém são eles mesmos as fichas dos senhores desse feudo rico em minério e paraíso de consumidores que continuam comprando tecnologia para usar de modo cafona e mal sabem que eleição é um jogo de imagem e ação vencido pelo cão numa olimpíada onde o erário patrocina o superfaturado estadio de circo num estado de sítio muito suspeito

Ah! Meu Corcovado!

Se eu não tivesse fé, mudaria para o Canadá!