INSATISFAÇÃO NO SALMO 37

Paulo Zifum

Quem mora no prédio da Insatisfação mora bem e ao mesmo tempo, mal. Localizado na Rua do Salmo 37, o edifício é um condomínio literário de luxo. Um lugar onde os moradores passam décadas e não conseguem visitar todos os espaços e recursos oferecidos. A ironia do nome Insatisfação é uma crítica inteligente porque, a maioria das pessoas insatisfeitas possuem mais do que precisam ou merecem.

O arquiteto desse prédio foi um rei acostumado com a vida palaciana, com uma vida abastada e cheia de glamour, riquezas e possibilidades. E essa informação torna interessante a abordagem dos conceitos de  inveja, insatisfação, ansiedade e ira no corpo da obra. Tudo de um modo sutil e belo. O prédio provoca mudanças.

Quando chegamos no hall de entrada nos deparamos com a Inveja. O pé direito altíssimo, o mármore gelado, afrescos e a ausência de mobílias nos faz sentir pequenos. O lugar gera um sentimento sutil, não admitido. A desconfortável recepção confronta nossa relação com o mundo ao redor.  Entretanto, é na galeria de retratos de pessoas famosas onde os visitantes são mais atingidos, ou porque não dizer, surpreendidos, pela inveja do pior tipo de prosperidade.

O projeto, típico hebraico, não esconde jamais sua base monoteísta. No saguão principal encontra-se o quadro escrito “Confia no Senhor”. Nesse saguão o visitante perceberá mais um pouco de enfrentamento da vida que se alimenta de vaidades e mentiras. As coisas que apreciamos nessa vida podem ser resultado da propaganda da qual nos alimentamos. Ali, encontramos um entalhe dizendo: “Toma o Livro e come”, fazendo alusão à Bíblia.

O estranho no prédio é que o elevador encontra-se no subsolo. Uma ampla escadaria de granito obriga o exercício de descer para subir. E o que encontramos no subsolo da Inveja? A Insatisfação! Com um carpete vermelho delineado por um cordão dourado, faz o visitante cuidar onde pisa, ao mesmo tempo que fascina. E ali, surge um shopping de produtos básicos para casa, com expositores de tecnologia, agência de carro e até imobiliária vendendo sonhos, não faltando salões de estética com clínicas de cirurgia plástica. Tudo para deixar um coração agitado, com atendentes bonitos e muita propaganda vibrante. Sem falar da música ambiente que causa um frenesi. É preciso passar por essa prova.

Antes de chegar ao elevador, mais quadros sobre Deus, com convites para conhece-lo de modo pessoal: “Somente o Eterno satisfará seu coração”. O elevador é outro capricho do autor, onde o visitante sente estar no estômago da Insatisfação. Dentro, um aviso orienta de modo simples algo extremamente complexo: “Os comandos desse equipamento obedecem ao ritmo da respiração. Não aperte os botões sem estar devidamente calmo”. O painel mostra andares tanto para cima como para baixo.

Os andares para baixo seguem na seguinte ordem: Ira, Furor, Ressentimento, Violência e daí por diante. Os visitantes descem devido a sentimentos de ansiedade. A falta de paciência leva aos andares ímpios, e à medida que desce um alerta diz:”certamente isso não acabará bem”. O autor experimentou esses fins de curso.

Você pode consegue imaginar esse Salmo? Consegue respirar nesse elevador que declina?  O trânsito de sobe e desce é bem agitado.

E, por curiosidade: Você visita esse prédio?

leia o Salmo

https://www.bibliaonline.com.br/nvi/sl/37

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