ESTUPRO EM SIQUÉM

Paulo Zifum

“Siquém, filho de Hamor, o heveu, governador daquela região, viu-a, agarrou-a e violentou-a.”  Gênesis 34: 2

Pais e filhos em crise. Cidades Perigosas. Culturas afetadas pela luxúria. Soluções de paz em detrimento da honra. Negligência e silêncio dos líderes, seguida de ação inconsequente dos liderados. Violência e intolerância. Forja de cidadãos passivos e rancorosos, capazes de gerar filhos imorais e violentos.

O capítulo 34 de Gênesis não menciona a palavra “Deus” ou “Senhor”. A história narrada ali, é um retrato da humanidade que está sempre “comprando lotes” no lugar errado (Gn.34.18-19), desejando o que não precisa (da maldição sensual e erótica) , manipulando elementos incontroláveis (pessoas são imprevisíveis) e resolvendo tudo com diplomacia morna ou com execuções extremas.  E, sendo o mundo governado pelo sexo masculino, mulheres e crianças sofrem a oscilação de uma sociedade que, ora protege ora expõe.

Genesis mostra que, sem Deus, nosso comportamento é desastroso, inadequado e violento. Adão, Caim, Abraão, Rebeca, Jacó e tantos outros, mostraram como a passividade ou agilidade em direções erradas, podem atrair o caos.

O estupro de Diná? Sim, foi um desastre! A jovem ficou num “limbo” emocional, ao ver sua vida exposta com um possível casamento com o estuprador. Porém, foi surpreendida pela explosão de vingança de seus irmãos que mataram Siquém (o criminoso que se dizia apaixonado pela vítima). Pobre Diná!

O autor de Gênesis, como fazem os grandes escritores, deixa o leitor julgar os personagens. Diná, aparece acima de qualquer suspeita em seu passeio pela cidade nova. Siquém é o homem mal que se apaixona e busca redenção sem arrepender-se. Hamor e Jacó parecem aqueles bem intencionados que nunca tratam os problemas sociais em sua raiz. Os “meninos”de Jacó surgem na história como heróis, mas também como policiais com licença para matar.

A história acaba como terminam muitos debates da humanidade. Veja os últimos versos:

Então Jacó disse a Simeão e a Levi: “Vocês me puseram em grandes apuros, atraindo sobre mim o ódio dos cananeus e dos ferezeus, habitantes desta terra. Somos poucos, e se eles juntarem suas forças e nos atacarem, eu e a minha família seremos destruídos”. Mas eles responderam: “Está certo ele tratar nossa irmã como uma prostituta? “ Gênesis 34:30,31

Se a visão de Jacó era essa, o que esperar de seus filhos? Ele havia hesitado e seus filhos se precipitaram. Não havia como reparar o estrago. Por fim, ninguém reconhece os erros: fazer negócios no lugar errado, não tomar medidas cabíveis, matar pessoas inocentes. Não há arrependimento.

O estupro de Diná é uma fotografia, uma novela, um filme, uma notícia que parece terem sido lançados na mídia agora mesmo. Eu leio e assisto. Sinto um aperto no peito. Tomamos o rumo errado.

NOTA:  A Bíblia é uma obra literária sem igual, e Gênesis, seu primeiro livro, carrega narrativas impressionantes, cuja síntese obriga seus leitores a anos de estudo. Se você possui uma boa tradução do hebraico (como a excelente obra de João Ferreira de Almeida para o português), então, pode debruçar sobre o livro e exercitar sua fé, viajando em suas histórias. Gênesis, segundo Dr. Carlos Osvaldo Pinto, é um drama da “criatura rebelde sendo restaurada por seu Criador”. 

 

 

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