EU QUERO APARECER

Paulo Zifum

Aqueles que se esforçam mais para aparecer, normalmente, dão mais relatórios e postam mais. Quem no mundo não quer um naco de reconhecimento? Perguntaram a C.S. Lewis  sobre sua fama como escritor e se sofria a ameaça do paganismo de desejar receber louvores. Ele respondeu: “Não se pode ser tão cauteloso a ponto de não pensar nisso”.

Onde for, numa igreja pequena de interior, numa empresa, no âmbito político ou meio artístico, podemos encontrar o combustível do “ser admirado”. A maioria não se dá conta do grau de força que faz para ganhar louvores. É algo tão… tão… natural, que nem percebemos.

-Eu quero aparecer! -disse Eva. -Eu quero aparecer! -disseram os arquitetos de Babel. -Eu quero aparecer! -falou José com seus sonhos. -Eu quero aparecer! -reclamou Saul quando Davi o ameaçou. -Eu quero aparecer! -encomendou Davi quando contratou o censo. -Eu quero aparecer! -disse o jovem que morreu ao querer a fama por matar Saul. O que sentiu Salomão ao ser reconhecido pela rainha de Sabá?

É mais difícil que pensamos esse tal culto puro de dar “toda” a glória para Deus! Fazer algo altruísta sem pensar nos possíveis comentários bondosos, é algo raro em almas carentes. – Você deu toda a glória para Deus ou ficou com um pouquinho? Silêncio.

Quando Satanás levou a Jesus para o pináculo do Templo, disparou uma tentação muito ousada. Qual ser humano que não deseja um breve elogio? Seria um pecado querer só um pouquinho como Geazi (2Rs.5.20-27)? É possível viver, trabalhar, sacrificar, e não querer nada além de ser útil?

A verdade é que, fazer as coisas para aparecer estraga a arte de tudo. Deveríamos realizar coisas bem feitas para refletirmos a grandeza do que somos (imagem e semelhança de Deus) e não para tentar provar que somos.

A tentação de transformar pedra em pão nos parece mais sensacional que a tarefa ordinária de “debulhar o trigo, recolher cada bago do trigo, forjar no trigo o milagre do pão”. Aparecer é o fundo do drama de “ser ou não ser”.

Não somos tão cautelosos quanto a isso.

*foto: Peça: A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca, de William Shakespeare.

Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e flechas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provocações
E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. dormir: não mais.
Dizer que rematamos com um sono a angústia
E as mil pelejas naturais-herança do homem:
Morrer para dormir… é uma consumação
Que bem merece e desejamos com fervor.
Dormir… Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:

 

 

 

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3 comentários sobre “EU QUERO APARECER

  1. Penso muito a respeito.

    Penso qdo minha humildade, não é só o meu ego querendo aparecer. As vezes penso q até qdo digo q não quero aparecer, o faço pq quero aparecer.

    Sou mto cautelosa a respeito, mas é uma guerra, constante guerra. E eu vou lutar até só Ele aparecer.

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