A FEIURA DAS CASAS

Paulo Zifum

Algumas cidades não são apenas injustas, elas são feias. Quando passamos pelas ruas e construções podemos perceber claramente a ausência de beleza estética. À medida em que adentramos para o centro podemos notar uma total falta de vontade em arrumar ou concluir as casas. Milhares  de obras se acotovelam sem harmonia, compondo um conjunto brega de portas e janelas. A feiura nega a moradia. Seres humanos são preciosos e não combinam com algumas cidades.

Se a boca fala do que o coração está cheio, a estética segue o mesmo sentido. Seria a feiura das cidades um reflexo da alma? Seria a confusão e falta de padrão uma prova do relativismo e desencanto humano?

Não há dúvida que precisamos tanto de beleza quanto precisamos de pão. Porém, o pobre torna-se mais oprimido quando a ele é dito que sua cesta básica é só arroz e feijão. E mais cruéis tornam-se os promotores da indústria quando convencem os menos cultos a acharem que é status ter tecnologia sem ter uma casa bem acabada.

O ponto de ônibus é feio, as ruas são feias, o prédio da empresa é feio, e ambiente de trabalho é feio. E o que impõe aos trabalhadores a feiura, contribui para ideias feias, religião feia, amor feio, móveis feios, casas feias e prédios de igrejas nada belos.

Há um mau gosto imposto e a classe proletária tem sido acusada de produzir sujeira. Mas, quem pode fechar os olhos para a injustiça, cujo o efeito colateral é a feiura?

A beleza tem poder redentor sobre a sociedade. O ser humano precisa ver o belo para ser transformado. John Gruchy em seu ensaio sobre a “estética dentro de um mundo de feiura” faz menção da visão do profeta Isaías. Ver a Deus, ou a glória dele, causa transformação. Isaías descreveu a beleza e depois procurou adequar-se a ela, colocar-se em seu lugar (Is.6). A beleza carrega mensagens de ordem, verdade e bondade.

A feiura presente na arquitetura deve incomodar os cristãos que se preocupam com a redenção das pessoas. Oferecer um banho e roupas limpas ao mendigo faz parte da preocupação que o amor tem com a estética. O avanço do Evangelho nas cidades não pode deter-se numa afirmação da verdade separada da beleza.

Alguém pode pensar: De que adianta estar bonito por fora e podre por dentro? Sim. A hipocrisia é uma das piores feiuras. Porém, é de se esperar que a casa dos cristãos reflita a beleza de  Cristo. O cristianismo redime a estética.

Esse assunto pode parecer tão pequeno, mas, se prestarmos atenção ao andar pelas ruas, poderemos constatar que estamos desprezando demais a questão.

 

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