MENINO BRASILEIRO

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Paulo Zifum

Você entende o comportamento brasileiro?

Passei a infância jogando bola, pulando ribanceira, tomando banho de cachoeira e roubando… goiaba. Quando tinha 8 anos pedi a meu pai que me deixasse trabalhar como vendedor de balões em frente aos restaurantes, depois aos 9 resolvi transformar meu carrinho de rolimã em carreto de feira (um caixote com alça de empurrar). As senhorinhas pagavam bem e ainda davam pastel para o menino pobre (eu fazia cara). Fui pego roubando chocolate. Sr. Euclides, o gerente do mercado, levou-me até meu pai, dono de restaurante  ao lado. Como entender os meninos? As merendas da escola eram tão memoráveis quanto os professores nervosos. Cabulei algumas aulas. O portão era alto pra caramba! No inverno, as quermesses católicas enchiam os bairros da cidade com jogos e comidas típicas e as brigas que davam um toque caipira no ambiente urbano. Tive namoradinhas. Tive caxumba. Invadi propriedades abandonadas (casas e indústrias). Era uma aventura assustadora. -Que olho roxo é esse? Andou brigando na escola? E esse dente quebrado? Meu Deus! Como vou terminar de criar esse menino?  Mães fazem muitas perguntas. O técnico de futebol, velho e solteirão, queria me abraçar demais. Resolvi abandonar o time. Eu, aos 10 anos, saia sozinho para explorar os bairros à pé, e por horas dizia comigo: ‘por aqui nunca passei”. Perder-se era a adrenalina que buscava, ou temia. Meu irmão mais novo acendeu uma pata-choca (balão de papel enrolado com a mão) dentro do quarto e incendiou nossa casa. Quando voltava da escola vi aquele carro gigante do bombeiro. Só os álbuns de fotos escaparam. O Toninho e o Édão, traficantes locais, davam uma espécie de proteção para o negócio do meu pai, e diziam: “ninguém mexe com as filhas do Seu Vicente”. Minhas 5 irmãs eram boas pra mim e me levavam para a matinê no Carnaval. Minha mãe me conduzia para um Centro de Umbanda na sexta à noite e às missas aos domingos pela manhã. Apreciava mais o cheiro das velas da igreja. Passava o resto do domingo vendo Os Trapalhões na TV. O Circo? Eu tive infância, fui várias vezes. E lembro-me de juntar-me ao bando para “furar lona”. Fugi de casa algumas vezes. Até dar a hora da janta. Minha mãe me pegou fumando aos 11 e chorou. Não entendi. Pelo temperamento dela, imaginava o cigarro sendo esfregado na cara e depois o ritual de me fazer engolir. Aquele gesto me afastou não apenas desse, mas de todas as outras formas de ingestão não alimentares. Mudamos de bairro na hora certa.

Eu penso nessas coisas e entendo muitas outras.

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