A NAZARÉ JURÍDICA DO BRASIL

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Paulo Zifum

Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?” Jo.1.46

Veja, no trecho abaixo, o clima tenso entre o juiz Moro e advogados de Lula:

“O juiz preside, o regime é presidencialista, mas o juiz não é o dono do processo. Aqui os limites são a lei. A lei é a medida de todas as coisas. E a lei do processo disciplina essa audiência. A defesa tem o direito de fazer o uso da palavra pela ordem para arguir questão de ordem ou se a vossa excelência quiser eliminar a defesa eu já imaginei que isso tivesse sido sepultado em 1945 com os aliados e vejo que ressurge aqui nessa região agrícola do nosso país. Se Vossa Excelência quiser suprimir a defesa então acho que não há necessidade nenhuma de continuarmos essa audiência”. Fala do advogado de Lula, tentando intimidar o juiz Sérgio Moro (audiência no MPF Curitiba, 21/11/2016). 

Note que ele usa a expressão “nessa região agrícola do nosso país” de modo pejorativo. Em outras palavras, disse que Curitiba não tem tradição de escola jurídica para dar lições de direito. E ele acertou! A região é a maior produtora de grãos e “prisãos” do país (forçar a rima por vezes é necessário). A cidade pode não ser um reduto acadêmico do Direito, mas é, sem dúvida, onde o Direito achou o caminho da justiça.

O Brasil acompanha roendo as unhas a Operação Lava Jato. Nunca na história desse país tantos políticos influentes e empresários ricos foram presos por corrupção, oriundos de diversos estados brasileiros. Embora o Ministério Público Federal esteja presente em todas as cidades do país, o trabalho do MPF de Curitiba se destaca pela coragem de encarnar uma frase específica do Hino Nacional: “nem teme quem te adora a própria morte”. Porque cantar no estádio de futebol é fácil, hastear a bandeira moleza, agora, enfrentar o crime organizado, é outra história.

E é exatamente, outra história, que essa equipe da Lava Jato está escrevendo. Décadas de acanhamento e omissão no Ministério Público estão sendo redimidas. Há juiz e há justiça, grita Curitiba.

O advogado brilhante que desprezou a “roça de toga” parece ter suas razões com relação a condução de ferro do juiz Sérgio Moro. Ele excede, sim, de vez em quando. Concordo. Mas…

É dessa cidadezinha de região agrícola que Deus está nos suscitando um “libertador” conforme o livro de Juízes. E parece-nos que o Senhor prefere usar sempre o improvável e o não qualificado. Poderia ser o garboso e erudito MPF de São Paulo, mas Deus quis que fosse os caipiras de Curitiba.

Vamos orar por eles. Se o ex-presidente Lula é, de fato, quem os “Procuradores Agrícolas” dizem ser, nós, brasileiros, precisamos saber.

http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2016/11/audiencia-com-testemunhas-de-acusacao-de-lula-tem-bate-boca.html

*Foto: Provocação: Quem deseja calar quem?

 

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AULA à SECO

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Paulo Zifum

Professor de teologia entra na sala e diz:

-Anotem! Cairá na avaliação oral*: Hamartiologia (doutrina do pecado). O pecado pode atingir os atos mais simples da vida diária, como comer e beber. As motivações podem alterar o valor dos atos. O pecado apresenta graus de feiura e impactos temporais. A definição de pecado é: “um mal orientado contra Deus, que envolve Ato (experiência pessoal-qualificado pela motivação ou ação), Natureza (condição herdada, inclinação para o mal, tendência)  e Culpa (condição imposta por antepassados e também por desconforto de atos próprios do passado). Leia os textos a seguir e prepare-se para fundamentar as afirmações acima. 1Co.10.31; 1Jo.5.17; Jó 19.11; Is.52.9; 1 Jo.3.4; 1Jo.1.10; 1Jo.3.6; Pv.28.13; Rm.7.15-17; 2Co.5.5-17; Cl.3.5-6; Rm.3.9-10; Rm.5.1; Rm.8.1.

*Exemplo de questões de prova oral: -Fundamente: Todas as situações em que podemos ajudar a alguém e não o fazemos, constitui pecado? Você pode vigiar suas motivações sempre? É possível viver sem pecar? Qual a diferença entre cometer o pecado e induzir ao pecado?

Dificilmente um aluno de teologia reclama de suas tarefas. São motivados pelos desafios que envolvem todos os juízos. Como soldados naturais, a guerra os atrai.

 

A SOMBRA DE LIA

Paulo Zifum

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*Lia é uma mulher cristã que não sabe o que é uma planície há anos. Alguns vivem em lugares claros, planos e espaçosos, porém, não conhecem o Pastor tão bem quanto os que passam em vales. Apesar de todo aprendizado, peço a Deus que a tire de lá.

A INVEJA É UM MOVIMENTO

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Não tenho inveja. Só um pouquinho. Um certo desconforto por alguém mostrar uma ponta de brilho acima do meu fulgor opaco” Luigui Caterdian

Seria inveja a impulsão original que levou nosso pai Adão a comer o fruto proibido? Seria inveja o sentimento de comer também e conseguir também? Não! Segundo S. Tiago (1.14-15), a inveja é um descarrilamento pós-queda. Parece-nos que, o inocente Adão tinha algo infantil e descuidado já dentro de si: “que mal pode haver”?  Bem, os que conhecem a história de Gênesis 3 sabem que essa inocência foi perdida e a humanidade passou a sofrer com um “olhar gordo” para tudo a seu redor e, Caim é a mostra disso (Gn.4.1-10).

Eu sinto. E sinto, muito! Fico entristecido por sentir aquela pontinha de comparação que me causa tristeza. Fico envergonhado quando não consigo admirar os outros de modo livre. Fico abatido quando percebo um desejo secreto de estar no lugar do outro.

A inveja dilacera a solidariedade porque não celebra o sucesso do outro. Salvo a conquista injusta, todas as riquezas humanas podem ser festejadas como “nossas”. A inveja é um pecado que destrói a alegria de qualquer um. É um não-lugar, um limbo da alma. Ela pode ser grande, média, curta ou só uma “coceirinha”. Ela está lá em nosso DNA, como um fungo à procura de um pensamento escuro e frio. Por isso a placa do decálogo é grande: “não cobiçarás”.

Deus me livre! Hoje vi um bolor em minha memória! Ela estava lá, feiosa feito lepra. Credo!

Parafraseando o poeta: “Quem pode discernir suas invejas? Ó Deus! Absolve-me das que me são ocultas. Guarda o teu servo da inveja, que ela não me domine, então,  serei livre desse odioso pecado e ficarei feliz” Salmo 19.12-13

 

PESSOA CERTA

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Paulo Zifum

Existe pessoa certa*. É um erro escolher a pessoa errada. Mas, é um escapismo dizer que não era a pessoa certa depois que dá errado. Somos responsáveis por nossas escolhas, e, para alguns assuntos, incapazes. Tem gente que faz cada besteira!

Poderia circular nessas afirmações sem concluir nada. Porém, vou dizer: Deus é o único que pode avaliar e harmonizar vantagem e desvantagem, segurança e perigo em medida certa. Nós podemos julgar compatibilidades e possibilidades, riscos e valores, mas nunca conseguiremos calcular com exatidão o que seria uma “pessoa certa”.

Alguém disse que “o homem é necessário ao outro não exatamente pelo que é, mas pelo que não é”. Sendo assim, fica difícil escolher um namorado ou uma namorada. Quem tem maturidade para perceber valor em pontos negativos?

Há quem diga que fazer oração, depender de conselhos e sinais divinos é um tipo de reducionismo e exagero religioso. Porém, pessoas sábias temem a Deus e, antes de seguirem paixões e sonhos, pedem a Ele auxílio e direção.

Acredito que Deus nos criou com capacidade de avaliar e escolher. Somos um sucesso no campo de estratégia e cálculos. Mas, quem duvida que nossos “instrumentos de bordo” estejam avariados?

Pelas redes sociais está comprovado: o ser humano vê as coisas com tendência cultural cega, muita fixação estética e motivações erradas. Embora todos mostrem um coração esperto e cheio de planos,  na verdade, precisam reconhecer que a “avaliação correta vem do Senhor” (Pv.16.1).

Você deseja casar? Deseja contratar alguém? Escolher conselheiros? Então faça como o servo de Abraão fez ao buscar uma esposa para Isaque (Gn.24). Porque depender de Deus é a maneira segura de achar a pessoa certa.

*Tela: Eliezer encontra Rebeca e oferece casamento com Isaque

FARAÓ VEM ATRÁS

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Paulo Zifum

A libertação de Israel da escravidão do Egito é uma das histórias mais espetaculares da Bíblia. Os recursos didáticos são inesgotáveis para nos levar à fé em Deus. Entre os quadros, a travessia do Mar Vermelho é um dos preferidos.

Eu gosto de um quadro em particular: A hora em que Faraó reaparece. Ele surge com o exército para “desfazer a negociação” da libertação. É um momento dramático para um povo indefeso. Não eram apenas cavalos e seus cavaleiros, era uma coisa espiritual, um transe sinistro.

A ameaça do mal é uma realidade na vida do cristão peregrino, que, no meio do caminho se vê perseguido pelo passado, pela cultura e pressão social. Todo cristão tem um Faraó a seu encalço. E, se olhar pra trás verá suas agências poderosas fazendo aquele poeirão na mídia.

Essa narrativa de Êxodo oferece sobriedade e segurança para os crentes. Sobriedade porque a condição entre o livre “já”  e o “ainda não” é bem desconfortável. O Evangelho é muito honesto quanto ao processo. O cristão é livre, mas isso não parece nada oficial até a vinda do Senhor. Quanto à segurança, o texto bíblico garante que as ameaças reais e assustadoras desse mundo não podem separar o cristão do amor de Deus. A história diz que, no final, vai dar tudo certo. Os filhos de Deus vão escapar.

Creio nisso. Porém, ainda não posso evitar a aceleração de meu batimento cardíaco e a dilatação disforme das pupilas diante de um mundo maligno que se agiganta a meu redor. Estou na estrada para Canaã, e às vezes não lembro, se já atravessei o Mar Vermelho ou ainda estou do outro lado. Não é fácil! Tenho a sensação que Faraó é igual o agente Smith  do filme Matrix.

*Foto: se você não viu o filme citado não tem problema. A ideia é mostrar que o cristão vence lutas, mas o inimigo se refaz e se recria. É um horror!

EU DESCOBRI PORTUGAL

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Paulo Zifum

Essa terra fez brotar paixão em mim. Meu coração é português tupiniquim” 

Eu era um brasileiro ressentido. Ser Colônia, por vezes, causa uma horrível sensação de nunca ser um fim em si, mas apenas um meio.  O Brasil é um pouco mal resolvido com Portugal, e fala pouco sem promover a afeição. Visitam-se parcamente, numa relação que parece triste.

Quando cheguei a Lisboa, vi pelas ruas os que me descobriram. Vi suas casas e ouvi o fado que faziam. Confesso que fiquei com vergonha de minha ignorância. O que foi que aconteceu? Por que esse sentimento meu?

Abandonei meus conflitos assim que cheguei a Sintra. Vi tanta gente feliz que logo embarquei na alegria, ouvindo aquela língua materna, minha, mais rígida, menos sonora, com chiados e sons anasalados. Fiquei encantado!

E recebi tantos sorrisos portugueses que apaixonei. Introspectivo e amável, Portugal me falou pouco de si. E eu, também não quis fazer perguntas. Apenas fui convencido que sou filho, como num reencontro com um pai biológico. Tudo isso fez bem para minha psiquê.

Ao lado de irmãos portugueses e uma taça de vinho alentejano, molhei o pão no resto de azeite depois de muito bacalhau. Enquanto comia, pensava em Cabral. Como ele conseguiu atravessar o  Atlântico com aquela nau improvável? Só pode ter sido a vontade de Deus que descobrissem, e, agora, eu também descobri.

Andei pelas ruas e becos de bairros antigos. Nunca ouvi tanto fado. As poesias e parlendas me caíram tão bem que fiquei feliz por dias.

Estou curado e não direi mais coisas do tipo “seria melhor que tivessem sido os protestantes”. O Brasil hoje, é grande, fértil, criativo, dócil e malandro por seus valores e defeitos portugueses. Eu nunca havia me orgulhado de Portugal.

Obrigado patrícios! Obrigado Brissos, Susete, Tatiana, Fábio, Isabel, Lisah, Jael, Carlos e todas as crianças portuguesas que ensinaram-me a amar minha origem. Obrigado Elias e Fatinha, missionários brasileiros que amam Portugal. O desejo de voltar é imenso! Pena que a nau financiada pelo Real teme viagens muito frequentes.

Descobri Portugal e pretendo desfrutá-lo. Porque Foi Deus quem nos deu essa língua portuguesa. Cantarei com Alberto Janes, que não era teólogo, mas acertou em cheio ao escrever esta sensível canção.

Foto: Guitarra portuguesa. 

Nota: A Música Alentejana foi considerada patrimônio da humanidade pela Unesco.