SALVOS, MAS…

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Paulo Zifum

É possível ser salvo no finalzinho, depois de viver  horrivelmente egoísta. É possível ser salvo no leito do hospital, depois de resistir ao Evangelho por anos. É possível ser salvo estando em coma, depois de uma existência maluca. É possível. Manassés e o Ladrão da Cruz que o digam.

Por quê? Não sei. Parece que alguns crentes, depois de viverem de modo subcristão por toda a vida, serão chamados no último momento e receberão o mesmo céu.

Porém, não confunda a graça de estar com Cristo eternamente com o privilégio de viver por Ele nessa curta e sofrida vida aqui. A memória será um tesouro no céu que nem todos terão.

Devemos agradecer a bênção de sermos salvos e ainda poder oferecer ao Salvador um pequeno tempo de nossas vidas. Um incenso, uma mirra ou, quem sabe, algo mais sólido como um legado de ouro.

O Ladrão foi para o paraíso, mas, irmãos como Estevão terão sempre uma história para contar.

Eu quero aproveitar minha chance. E você?

ZAP de ANO NOVO

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Paulo Zifum

Nunca apreciei cartão de Natal. Bonito, mas sem beleza natural. Sempre preferi os garranchos e erros gramaticais vindos de pessoas queridas. Um bilhetinho escrito com aquelas palavrinhas quase infantis, me enchem o coração.

Agora cartão e correio estão ultrapassados. O Zap chegou! Cheio de efeitos, imagens e palavras redondinhas. Recebi dezenas iguais. É só copiar e enviar. Em 10 segundos toda a operação é feita e o amigo fica satisfeito com o “feliz natal”. Mas, eu não gosto.

Acho que devemos escrever: Queridos Marcos e Tati! Feliz Natal para sua família! Nós somos muito gratos pela amizade de vocês. Paz! 

Um bilhete pode nem ter uma mensagem completa, mas pode ser melhor  porque é coisa feita pela pessoa. Um recado pode criar um diálogo breve, enquanto mensagens prontas nos deixam calados.

Vamos lá, pessoal! Vamos mandar Zap de Ano Novo de “carne e osso”!

Escreve aí, pôxa! Uma linha só que seja.. Escreva os nomes das pessoas, diga qualquer coisa do coração. Vamos fazer no fim de ano o que, por preguiça, não fizemos no Natal!

PAI E FILHO: ODIADO OU REDIMIDO?

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Paulo Zifum

A Bíblia conta uma das mais belas relações entre um pai e um filho no primeiro livro de Samuel. Aliás, os dois livros de Samuel tratam da relação pais e filhos de um modo profundo.

Saul era um rei que tinha um valoroso filho: o príncipe Jônatas. O rapaz era corajoso e sensível. Mas, seu pai começou entrar numa fase muito sombria como monarca. Jônatas não sabia que seu pai tinha perdido a comunhão com Deus.

O rei tornou-se perturbado e, imaginamos o quanto o príncipe sofria ao ver o pai naquele estado de amargura. Não bastasse a depressão, Saul começou a agir de modo intempestivo, imprudente e violento.

Jônatas serve como modelo para qualquer filho cristão. Se você ler toda a história nunca verá o rapaz voltando-se contra o pai. Seu silêncio muito bem destacado nas situações tensas e seu tom de voz respeitoso nos momentos de ira, mostram o alto grau de honra que tinha com o pai. E Saul tornou-se um pai horrível ao descontrolar-se, quando agrediu Jônatas fisicamente e emocionalmente. Porém, o príncipe, nobre como era, nunca abandonou o pai. A história termina em  tragédia: os dois morrem no campo de batalha.

Existem dois tipos de relacionamento pai-filho: o Odiado e o Redimido. Falando de relações adultas, a relação Saul e Jônatas era Redimida por causa do amor e perdão de Jônatas. Muitos filhos mantém esse tipo postura com pais abusivos, bêbados e infiéis. Muitos pais sustentam seus filhos inconsequentes e odiáveis, mantendo a porta aberta.

Imagino que Jônatas gostaria de ajudar seu pai. Imagino a vontade de abraçar, mas não podia tamanha era a presença maligna que rondava o pai. Imagino que muitos pais querem abraçar a seus filhos e ajudá-los, mas, a revolta é como um furacão que destrói o pouco de afeto que resta.

O Amor é por vezes incompreensível e pode levar um pai e um filho a lutar juntos até a última batalha. A falta de amor, desconfio, nem precisa dissertar sobre o fim que anuncia. O mundo inteiro sabe.

Leia o link de Samuel abaixo, seguindo os capítulos 9 em diante:

https://www.bibliaonline.com.br/nvi/1sm/9

 

DAR AZO AO DIABO

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Paulo Zifum

É impossível não conversar com o diabo e inevitável não dialogar com ele. Indiretamente,  por meio de suas agências, estamos sem saída. Ele é um artista, um produtor, um diretor, um investidor, um facilitador, um empresário ricaço que patrocina beleza e criatividade. O sinistro é que muita gente contratada nem sabe quem “facilitou” as coisas para elas.

É muito difícil viver nesse mundo sem esbarrar nos domínios malignos. O apóstolo Paulo tinha uma visão sombria das regiões celestes (Ef.6) e São João confirma que tudo organizado pelo homem, na verdade, está embaixo da influência do Maligno (1Jo.5.19).

Mas, o  importante não é saber sobre abrangência do poder das trevas, e sim como atravessar o mal sem ser cooptado, sem tomar para si suas feições e dissonâncias. Viver no mundo com um rosto decidido como Daniel é um alvo para os cristãos (Dn.1). Passar pelas delícias e seduções e “não se deter no caminho dos pecadores, nem assentar-se na roda dos escarnecedores” é uma felicidade sem fim (Sl.1).

A ordem para os cristão é: não dê ocasião para ele! (Ef.4.27).

No mundo, ouça música, vá aos shows, coma comidas, faça amigos, faça negócios e dê aplausos ao belo, bom e verdadeiro. Agora, não pare! Não se detenha! Não se case em jugo desigual!

Para que você também possa dizer: “E eu fui libertado da boca do leão. O Senhor me livrará de toda obra maligna e me levará a salvo para o seu Reino” (2Tm4,17-18)

*Foto: O perturbador filme O Advogado do Diabo é uma obra onde o mal é revelado de maneira muito próxima da realidade.

BONDADE É PROVIDÊNCIA

 

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Paulo Zifum

A frase “Deus dá o frio conforme o cobertor” nem sempre pode ser aplicada. Deus, nem sempre dá o cobertor e, às vezes, saímos para o frio rigoroso por pura aventura. A Bíblia fala da providência divina, mas nunca apresenta Deus como um pai inseguro que procura tornar a vida dos filhos tão protegida quanto um quarto.

A providência pode ser o próprio frio ou a falta do cobertor. Porém, há quem só consiga ver bondade quando Deus carrega no colo e supre todas as necessidades. O sofrimento é inaceitável para algumas pessoas mais fracas, que acabam caindo em um dos sentimentos mais  desprezíveis que é a dó de si.

Eu acredito que a providência divina é mais do que livrar do mal. É também dar resistência diante das adversidades. Mas, parece que nossa confiança em Deus é como uma flor delicada que não suporta uma leve geada de problemas domésticos.

E qual tipo de providência Deus nos concede para suportarmos alguma privação? Qual recurso nos supre e ao mesmo tempo ajuda sermos resistentes?

É a bondade. Sim! A bondade é uma virtude que Deus concede aos homens a quem ele quer bem. Enquanto a maioria enfraquece na fixação de ser feliz, pessoas bondosas aceitam intervalos de tristeza e privação como uma forma de existir.

Sei que parece uma utopia, mas  buscar a bondade em vez de felicidade mostra-se um caminho mais virtuoso, que, por fim, trará uma estranha alegria.

Acredito que a providência divina dá aos homens tanto livramento como sofrimento. Dá talentos e riquezas, dá socorros e também apuros. Deus dá ao homem nobreza e serenidade como também permite que cresça rude. Dá temperamento polido a um e a outro diz que será como um jumento selvagem. E tudo conforme o divino propósito.

Não sei o que as pessoas pedem a Deus todos os dias, mas tenho sido persuadido a pedir algumas virtudes. Não sei se isso é uma boa ideia, porque dizem os sábios que a aquisição de virtudes associa o sofrimento como um tipo de pedágio. Mas, mesmo assim quero ser uma pessoa bondosa. Imagino que sendo poderei sustentar minha fé ante algum golpe repentino da vida.

*Foto: O  filme A Vida é Bela mostra como alguém pode ser forte mostrando bondade pelo outro.

FILHOS TEM SEGREDOS

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Paulo Zifum

filho meu, dá-me teu coração“Pv.23.26

Dizem os pessimistas: “pais tem os filhos que tem e os filhos que acham que tem”. Visões negativas são como relógio parado e pelo menos duas vezes do dia acertam.

Você conhece seus filhos? Existem dois extremos: um é achar que se sabe o suficiente sobre a identidade dos filhos e o outro é pensar ser impossível saber o que eles de fato são. Ingenuidade e pessimismo são bases ruins.

Pai espertos buscam o coração dos filhos por meio do respeito, conversa, amizade e uso adequado da autoridade. Nem liberalismo nem ditatura. A busca por proximidade mantendo a distância de segurança, é um modo sábio de relacionar-se com os filhos. Saber as coisas que rolam com eles, ditas por eles mesmos, é como uma medalha de “honra ao mérito” que os pais recebem. Ser digno de confiança é um feito valoroso.

Porém, receios e preconceitos podem fazer um filho ou filha guardar segredos de seus pais. É uma angustia quando os filhos percebem que seus pais não possuem maturidade para lidar com determinados temas. É difícil relacionar-se com pais distantes, temperamentais ou inseguros.

Por outro lado, bons pais também são isolados por filhos imaturos e inseguros. É um sofrimento quando pais já idosos não conhecem seus filhos adultos. Sentam para comer, mas parece que o trato polido tornou-se o guardião de todos os segredos: “é melhor não saber”.

Se você tem filhos cujo coração é um tesouro escondido ou se você tem pais para os quais gostaria de entregar um precioso mapa, então, sugiro as seguintes orações:

“Senhor, não mereço que meus filhos entreguem a mim o coração, mas te peço: Capacita-me, dê a mim treinamento, e, quando o Senhor achar adequado, deixe-me conhecer meus filhos e alcançar uma amizade de confidência.Toca o coração deles também.”

“Senhor, não consigo entregar meu coração a meus pais. Não sei como. Tenho segredos que podem entristece-los. Tenho dúvidas sobre as reações deles. Ajuda a mim e a eles. Abre os nossos corações”.

Amém.

 

SISIFINHO NO NATAL

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Paulo Zifum

A mitologia grega apresentou-nos Sísifo, um condenado a rolar por toda eternidade uma rocha até o  cume de uma montanha, apenas para vê-la rolar abaixo e depois subi-la novamente. Albert Camus em O Mito de Sísifo, comenta esse drama da seguinte maneira: “um inexprimível castigo no qual todo o seu ser se esforça para executar absolutamente nada”.

Sisifinho, personagem brasileiro, foi até a 25 de Março em São Paulo. Exausto, depois de um dia inteiro de compras, comeu um lanche duvidoso mas gostoso e teve uma ligeira sensação de que valeu a pena. É uma vantagem ter força nas pernas e um razoável senso de direção até o topo do monte.

Nem todos sabem o que é isso, mas, a maioria desconfia.

 

 

 

VIGIAR O DRAGÃO

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Paulo Zifum

vigie o dragão com o olho que não se deixa enfeitiçar”

Pense em algo que te enfeitiça. Dificilmente conseguimos imaginar algo que não seja moral. Quando o alerta dispara “sede sóbrios e vigilantes”, avisa que o perigo é sorrateiro e algo em nós, traidor. O mal é feiticeiro e algo em nós, fraco e besta.

Talvez o maior problema das pessoas é a mania de ficar olhando de frente para coisas perigosas. As más conversações corrompem os bons costumes, mas, mesmo assim se continua o papo. A imagem salta da tela, mas os descuidados, segundo Salomão em Provérbios 7.7, não param de passar e olhar. -O negócio trará muita grana, diz o dragão. -A festa começa às 22h e será legal, diz o amigo do dragão. Algo forte nos atrai.

Mas, qual é o olho que não se deixa enfeitiçar? Bem, o cristão sabe muito bem ativar esse olhar determinado. E, também sabe “dar mole” olhando na varanda como fez Davi (2Sm.11). Olhe com o olho certo. O outro? Arranca-0 e lança-o de ti (Mt.5.29).

SEMPRE ACHO SOMENTE A MIM

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Paulo Zifum

É uma descoberta incrível! Como nós, de modo tão tolo podemos tentar modelar tudo à nossa imagem e semelhança! Se tivermos sucesso, tornamos nossa vida um tédio.

É muito suspeita a amizade que busca apenas afinidade. É muito estranho quando tudo fica simétrico como a Apple ou quando tudo fica anárquico como Picasso.

Deus criou o mundo em ordem cuja regra é a diversidade. Quando foi que os homens começaram com essa ideia fixa de criar um mundo limitado a eles?

Hoje em dia, uma pessoa pode passar a vida toda encontrando apenas a si mesma em sua casa, em seus programas, em sua música, em sua confortável igreja, em suas amizades e conversas e, em fim, em seus pensamentos [ad nauseam].

Jesus foi resistido quando disse: “e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo.8.32). Nosso mau gosto por mentiras é bem antigo, e a maior delas é acreditar que podemos, “como Deus”, criar um mundo para nos vermos nele, e assim sermos felizes.

A comunidade pós-dilúvio narrada em Gênesis 11 não queria, jamais, criar diversidade ou confusão (Babel). O relato mostra a fixação humana por criar algo que possa ver a si no espelho. E hoje, até quando se faz pesquisa científica, o homem tenta achar a si mesmo em evolução. É o vício que condena gerações inteiras às mesmas músicas sentimentais, sem sucesso de acharem nada extraordinário. E o homossexualismo é como Narciso, uma unidade sem diversidade. Não há desejo sincero pelo outro e a maioria busca um par para namorar a si [ad nauseam].

Por isso, a proposta feita pelo cristianismo é a conversão. A procura, não mais de si, mas de Deus. E é Deus a fonte de toda a diversidade que nos leva à felicidade de amar o outro e conhecer a verdade que liberta. Nossa redenção está no encontro com o “totalmente outro” (Karl Barth).

Eu quero me converter. Hei de encontrar-me nele e nele ser achado (Fp.3.9).