AVENTURAS DE ÔNIBUS

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Paulo Zifum

O homem desatou falar de sua vida pessoal. E, em menos de 10 minutos, contou os segredos mais cabeludos. Nunca havia me visto antes, mas eu parecia um anjo atencioso (nem sei se existe essa categoria). Arrependi ter sido atencioso, porque via a hora de contar-me algum crime terrível ou ser envolvido nalguma trama maluca. É difícil praticar a compaixão do outro enquanto se tenta salvar a própria pele.

Uma vez, um quarentão levemente bêbado, chorou comigo. Quase chorei também porque não é sempre que alguém se apaixona pela sogra e chora de modo suspeito no velório da mãe da esposa.

Aprendi a ficar de bico calado nessas viagens de ônibus. Mas, caio na recorrente tentação de perguntar com uma certa afeição sobre a família, para mostrar interesse. As famílias andam bastante, digamos, perigosas. Uma mulher contou que sua nora é bruxa e que a viu pular o muro de modo incomum. Eu arregalei o olho. Ninguém conhece uma Jeannie que é um Gênio fazendo mágicas. É só coisa sinistra que aparece.

Um rapaz pediu ajuda com sua mala, ajudei meio assim… sabe? Ele me olhava com olhos caramelados. Ser gentil é uma fonte de confusão. Certa vez uma vovó me deu um número de telefone. Nem quis perguntar nada porque com os cílios tremulantes ela dizia tudo.

Rodoviária é uma oportunidade de viver o novo. Não sei como, mas uma certa mulher arrumou guerra por causa de um assento. O ônibus estava quase vazio. Um passageiro subiu e pediu seu lugar. Isso liberou o “assento de Pandora”. A mulher em vez de levantar-se, ralhou e disse que tinha muito espaço no ônibus. O resto, você já pode imaginar: viagem para o Rio de Janeiro, mulher cheia de gíria e um paulistano todo certinho. Ficamos atentos a viagem toda esperando uma tragédia. Quê noite tensa! A  dona falava alto ao celular combinando vingança com alguma facção.

Ronco? Santa Periquita! Tinha uma mocinha do meu lado que roncava como o Hulk. Inacreditável!

Tive também um companheiro de viagem que falava dormindo. Falava coisas românticas e  eu gelava com medo de ganhar um afago.

Mas, nem tudo foi exótico, hilário ou perigoso. Vivi bons momentos tomando Dramim. 

Quem gosta de aventura, viaja. Se quiser mais adrenalina, vá de onibus para o Nordeste. Nem te conto as intervenções vividas!

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