COISAS QUE DURAM

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Paulo Zifum

Das coisas que adquirimos, admiramos as que duram. Olha esse sapato! Tenho há anos! Esse móvel foi de meu tataravô.  Não se fazem mais coisas como antigamente! Resistência é um valor das pontes e prédios, e também das pessoas. Tem gente que dura bastante, o que, nem sempre, é motivo de alegria.

Existem cidades que são feias, e tão sólidas, que não há esperança de que acabem. Há algo profundamente triste quando o que é ruim dura muito.  Coisas más podem ficar a vida toda. Van Gogh disse que “a tristeza vai durar para sempre” e, quem pode duvidar disso ao olhar para a História?

Porém, assim como a tristeza pode ficar séculos na arquitetura e no corte social de algumas culturas, assim a alegria, também mostra-se durável em várias estruturas. O mundo criado por Deus tem grandezas de alegria, sólidas alegrias, abundantes alegrias, que o mal com toda sua escuridão não conseguiu tirar dos olhos. A lua, o mar e o céu, e depois o sol, dizem todos os dias que “a tristeza pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” ou também diz que “o sol pode lhe queimar o dia todo, mas a ternura e o descanso da lua virá à noite”. Há uma esperança na estrutura da criação.

Porém, o ser humano, tem um drama existencial descrito pelo poeta:

Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada:
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.

O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.

Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa, que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,

Existe, sim : mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos.

É possível viver triste numa estrutura que oferece felicidade. É possível ser amado e não desfrutar. É possível morar frente ao mar e não ver graça nem no pôr do sol nem no luar. E o pecado original faz “a tristeza durar para sempre”, mesmo que a chuva caia bela, escorrendo musical no telhado da pequena varanda. É um drama!

O mundo criado fala sobre Deus e seu amor, mas somos capazes de construir coisas sem significado e alterar a paisagem com estruturas duras, e infelizmente duráveis. Muitas coisas são como um Muro de Berlim. Permanecerão séculos enquanto não forem durrabadas.

E, no caso da estrutura do pecado, só Jesus Cristo, pode interromper sua duração. Ele é aquele que tem poder para “destruir a barreira, o muro de inimizade, anulando em seu corpo a lei dos mandamentos expressa em ordenanças… para criar em si mesmo, dos dois, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliar com Deus os dois em um corpo, por meio da cruz, pela qual ele destruiu a inimizade” (Ef.2.14-16).

Jesus é o único que pode tirar-nos da incoerência que Vicente de Carvalho desfia em seu poema Felicidade descrito acima. Ele pode nos dar sua alegria (Jo.15.11) e significado real, que permanece, mesmo que o mundo caia ao redor. Ele pode nos dar a alegria cuja estrutura é simples e firme, a alegria sustentável por sua Palavra.

*Foto: Queda do Muro de Berlim em 1989.

 

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