APAGANDO O ESTOPIM

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Paulo Zifum

Três personagens: Davi, Nabal, um moço e Abigail

O primeiro era um cara muito machucado emocionalmente, mas nobre e resistente. O segundo era um homem rico e extremamente duro de coração. O terceiro era um funcionário capaz de enxergar além de suas funções. E por último, uma mulher bela e sensata que salva a história toda.

O livro de 1Samuel 25 conta esse tenso e redentor momento.

Davi era um herói que vivia um banimento, sofrendo a ingratidão do governo. Algo muito comum na vida de grandes homens que, num dia são amados por todos e no dia seguinte são perseguidos por intrigas, suspeitas e muita difamação. O país inteiro queria saber o que havia acontecido no Palácio e o que Davi tinha feito para fugir daquela maneira. Ele fugiu “sem lenço e sem documento”, caçado por seus próprios soldados.

Não demorou muito para Davi formar uma milícia, um destacamento de voluntários, de homens renegados (1Sm.22).  Em fuga, ficaram refugiados na Vila de Maon onde acamparam na propriedade de Nabal. Precisando de provisões para seus 600 homens, resolveu pedir ajuda para Nabal. Pediu de modo humilde, supondo que seu passado como herói nacional ajudaria.

Mas, a vida é assim. As coisas se configuram fora de nosso controle. Somos julgados e julgamos. Interpretamos pessoas e circunstâncias muitas vezes de modo parcial e reagimos de modo desproporcional. Diante de um “não” podemos ter reações compreensivas e humildes ou intempestivas e revoltosas. Diante do estouro de conflitos, podemos reagir com sabedoria e de modo pacificador ou de maneira negativa e indiferente.

Nabal disse “não”. Nesse “não” viu Davi uma agressão. 

É assim. Tudo depende do contexto. Somos capazes de conceder, doar tudo facilmente para alguém, mas também podemos negar de modo irracional, arbitrário e injusto. Tudo depende das barreiras ou preconceitos. Nosso “não” pode ter razão ou só dureza de coração.

É assim. Depende como o “não” nos pega. Somos capazes de receber humildemente uma rejeição, mas podemos criar uma tempestade emocional julgando que a negativa foi um rompimento. Podemos reagir de modo sereno ou com puro veneno.

Nabal é um caso humano que não tem jeito. A anatomia da maldade em uma pessoa pode tornar previsíveis suas reações. Não esperamos bondade de um coração amargo. Nós mostramos predisposição para negar as coisas dependendo de nosso julgamento. Nabal disse que Davi era um traidor fugitivo que andava com um bando de gente suspeita (1Sm.25.10-11).

Davi não conseguiu equilibrar-se quando recebeu a notícia de que o pedido de recurso fora indeferido. E nessa hora, ter o poder nas mãos é um perigo. O ser humano pode ser um perigo com uma arma, seja ela de metal, intelectual ou social. No caso de Davi, ele tinha um exercito sedento para lutar por ele pela primeira vez. E é nessa hora que a tentação fica mais perigosa. Davi acolhe a ofensa de Nabal, mas não como uma simples rejeição, e sim como uma declaração de guerra.

O mundo está cheio de intrigas. E os mais fortes ou os mais irados não reagem de modo proporcional. Não há justiça na ira do homem (Tg.1.20). Nosso planeta está sempre por um triz de voar pelos ares. Rompimentos e divórcios são muitas vezes reações desproporcionais.

A reação do moço

 

Um moço ouviu a resposta de Nabal. Sua inteligência o fez pensar rápido: Vamos morrer todos! Preciso fazer algo! Preciso falar com Abigail!

O mundo precisa de gente assim! Quantos veem a desgraça chegando e ficam passivos dizendo: “É! Fazer o que? Seja o que Deus quiser!” Quantos pais veem seus filhos tomando rumos de maldição e ficam calados como se a rebeldia fosse algo imutável. Quantos tomados de indiferença e covardia assistem o mal marchar sobre os outros e não se movem para interceder. Podemos notar naquele moço o mesmo espírito de Abraão que pediu por Ló (Gn.18) ou de Daniel que suplicou um prazo para salvar a todos os envolvidos (Dn.2).

A ação magnífica de Abigail

Ela não era apenas um rosto bonito, como muitas mulheres. Ela tinha força espiritual para tratar aquela urgência. Ela, sabiamente, mandou presentes para antecedê-la, depois ensaiou um dos discursos mais belos sobre o encorajamento do ungido do Senhor, fazendo também uma sutil exortação quanto a fazer justiça com as próprias mãos. A pregação que fez abalou a Davi.

Assim são muitas mulheres sábias que vivem salvando seus lares, seus maridos e filhos. Elas “correm” e agem com prudência resolvendo conflitos, acalmando ânimos exaltados e falando palavras que desviam a ira incendiária. Pessoas assim nos impedem de fazer  e falar besteiras. A pacificação é uma ação de salvamento que, todos os dias, tem livrado nossas casas de serem inteiramente queimadas.

Assim é a vida

Basta uma palavra, um “não”, um descuido e… o caos surge. Por isso, aprendemos com Nabal: Coração duro racha de insensatez. Alertamos com Davi: Receber um “não” faz parte da caminhada. Crescemos com o moço: Não fique aí parado vendo o mal chegar! E por fim, alçamos voo com Abigail: Use os recursos para pacificar e escolha as palavras corretas para aplacar a ira!

Os que observam isso evitam males e tornam-se nossos heróis.

*O Gif acima: Cena do filme A Lista de Schindler. O capitão ameaça matar a todos que não entregassem um suposto ladrão. Após matar a primeira vítima, o capitão pergunta mais uma vez e, antes que executasse mais alguém, um menino dá um passo à frente. -Foi você? Indaga o oficial. Trêmulo, o menino aponta para o morto ao chão. Amo essa cena que mostra o valor de quem sabe agir sob pressão para salvar os outros. Brilhante!

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2 comentários sobre “APAGANDO O ESTOPIM

  1. Hoje não quero falar a respeito das lindas passagens desse texto. Não quero fazer análises teóricas. Não quero refletir. Hoje, quero apenas falar da aplicabilidade do evangelho em minha vida. Ouvi, recentemente, uma pregação com esteio nessa passagem bíblica. Resolvi colocá-la em prática. Confiei nas orientações do Palestrante. O resulta foi melhor do que eu esperava. Evitei o mal. Reatei uma amizade. Construí uma relação de confiança. Entendam, meus Irmãos, o maior milagre não aprender o evangelho. O maior milagre é viver as escrituras.

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