PERDER A VIRGINDADE

 

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Paulo Zifum

A virgindade é um estado. Não é necessariamente um estado de santidade, porque é possível ser virgem e imoral. É um valor, mas, em determinada idade o glamour pode desvanecer.

A expressão antiga “perder a virgindade” é popular e parece ser razoável. Mas, a palavra “perder” levanta uma suspeita. Todos “perdem”? Ninguém ao deixar de ser virgem, ganha?

Para os cristãos que acreditam em moral absoluta, o sexo após o casamento civil e religioso coloca a virgindade num pedestal perpétuo. Não há perda, mas uma honra a ser mantida.  A pessoa deixa de ser virgem para o outro apenas, mas sua castidade é preservada como uma roupa mística que poderá sempre usar. A exclusividade é um valor que não se perde (tratando-se da castidade voluntária).

Tudo bem. Isso parece exacerbadamente purista e com potencial de gerar culpa desnecessária, mas não é uma discussão semântica inútil. O assunto tem implicações sociais muito relevantes, mas a maioria dos jovens desconhecem.

Infelizmente, é forte a tendência de acolher o discurso liberal que diz: que mal há se os dois se amam? E além da inclinação indulgente de nossa natureza, há uma militância hedonista na mídia e na cultura  dizendo que todos são livres para escolher a pessoa, o local e a hora de “perder” sua virgindade. Alardeiam: “meu corpo, minhas regras” e defendem que exigir castidade é um tipo de maldade.

Mas, regras individualistas é que definem o que é certo e o que é errado? Dizer: “faça o que deseja, contanto que não faça mal a ninguém”, não define o que é mal. Schaeffer disse que “a finitude do homem é a sua limitação, e essa mostra que ele não consegue ser um ponto de referência suficiente para si mesmo” (O Deus que se revela, pg.66). O individualismo é um erro porque, depois de exaurido, mistura desesperança com sensualidade no famoso mote “comamos e bebamos, porque amanhã morreremos” (Is.22.13). Nesse espírito, manter a virgindade é um esforço inútil.

Sem um porto seguro a sociedade deixa que filósofos solteiros e artistas com vida amorosa suspeita, definam qual é a moral a ser seguida. A felicidade individual tolerável é posta acima da moral e passa a ser um fim em si.

O que você acha disso?

Se você é cristão ou pelo menos acredita no que Schaeffer disse, deve concordar que precisamos de leis que venham “de cima para baixo”. E podemos saber, por análise racional, quando essas leis “de cima” são compatíveis com o mundo externo. Podemos discernir leis que trazem ordem ao caos sentimental e, ao mesmo tempo, não neguem necessidades básicas do homem.

Sobre a virgindade, a lei de referência cristã está na Bíblia, que diz: “deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher” (Gn.2.24). A origem orienta uma moral universal onde o casamento é um rito de passagem (histórico) que exige exclusividade (monogâmico) e diversidade (heterossexual). O momento em que pessoas virgens “deixam pai e mãe” para “se unir” precisa ser preparado como ato de celebração de uma nova vida,  e não como um start do prazer. Sexo só após o casamento.

A castidade envolve a mística e valores elevados. O sexo é um marco único para os cristãos que acreditam que a virgindade não é perdida, antes se torna uma moldura de ouro na qual a santidade faz todo o sentido, seja no casamento ou no celibato.

Essa santidade não é uma exigência religiosa moralista. Ela está impressa na consciência de todo homem e mulher criados conforme à imagem de Deus. E é por isso que os cristãos  consideram que tudo é Coram Deo (vida integralmente vivida na presença de Deus).

Portanto, a virgindade, segundo a lei da liberdade (Tg.2.12) é um “leito sem mácula” (Hb.13.4), é “estado sem culpa”. Esse status é modificado pelo casamento, mas permanece sagrado até o fim.

*foto: Porque Colocamos Fechadura

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PÃO SEM VINHO

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Paulo Zifum

Ficava olhando para ele, que não segurava mais sua taça de vinho. Disse que não tomaria mais e não tomou, mesmo. Guardo no coração todas as vezes em que bebemos juntos, principalmente quando tomamos dois tipos de vinho na mesma festa. Foi um escândalo quando ele fez aparecer tonéis de vinho encorpado no casamento. Conversamos muito sobre tipos de uva e vinhas especiais.

Agora, ele parecia diferente. Mas sua alegria nas refeições continuava a mesma. Ria gostoso na conversa, tirando a tensão que em nós se escondia. Tínhamos alegria, mas era medrosa, típica das refeições após o terceiro dia. Deixamos de lado o vinho, que agora sobrava. Eu fazia o gesto de pegar a taça e servir, mas ele empurrava de volta.

Ele aparecia de repente, e assim também sumia. Era como se dissesse: “não se apeguem ao que se pode ver”. Não iria ficar, só queria nos consolar.

Lembro-me das primeiras noites de Páscoa. Eu era encarregado de comprar o vinho. Ele experimentava e brincava: “ainda não superaram o que eu fiz”. Foram festas memoráveis! Ele nos explicava  a história da Páscoa desde o início com Adão, Abel e Abraão, ficávamos sem fôlego.

Porém, foi na última ceia de Páscoa que ficamos sem ar. Ao falar sobre o sangue do cordeiro derramado para a remissão, nessa noite ele transformou toda a ideia que eu tinha do vinho. Tomou a taça e falou de sua morte. A imagem da bebida escorrendo sobre o altar gelava nosso sangue. Depois desse dia não sabíamos mais tomar vinho e pensamos que a Páscoa seria nossa pior festa.

Mas, não foi isso que ocorreu. Ele nos resgatou dando significado elevado para o pão e o vinho. Nos liberou dos rituais e nos deu nova forma de tomar o suco da videira. Continuamos a desfrutar do cálice, porém, ele foi firme ao dizer que faria um longo jejum desse fruto. E era sério mesmo porque por mais de 40 dias não tocou em nenhuma gota. Comia apenas pão, sem vinho.

Prometeu que voltaria a beber comigo. Sinto saudade de comer com ele. Hoje, enquanto tomamos nossas ceias em nome dele, aguardo ansiosamente o dia em que voltará a falar de vinho. E, nesse dia, ele servirá seu melhor vinho e meu cálice transbordará.

O PALADAR QUE TEREMOS NO CÉU

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Paulo Zifum

Neurologistas dizem que a comida entra pelo cérebro como título de uma palestra. As papilas gustativas estão distribuídas na língua, no palato, na mucosa das bochechas, nas amígdalas, na úvula e na região superior da garganta, e são elas (receptores) responsáveis para identificar o “discurso”.

O prazer com o paladar novo, imagino, ocorrerá de modo misterioso, dependendo do perfil de “busca por conhecimento”. Nosso cérebro bloqueia o prazer caso associe o gosto com uma rejeição do passado ou medo futuro. Mas, convida todas as adições novas que se encaixem nas preferências já registradas. É complexo e místico.

Algumas coisas no ser humano tem um funcionamento mecânico e simples, cujas reações podem ser explicadas de modo racional. Outras desafiam a ciência, insistindo em mostrar a parte imaterial do homem. O prazer no paladar associado ao olfato é uma delas.

Mesmo ao comer de modo mecânico e distraído, apenas para repôr as energias,  o cérebro trabalha, mantendo os cálculos para provar se o sanduíche está normal. Somos capazes de fazer isso sem nenhuma emoção, mas, o paladar mantém todo o trabalho de avaliar o discurso até de um copo com água.

Agora, quando comemos e bebemos para existir, a metafísica aparece. É algo além do pasto comum. É um ato que nos diferencia de todos os animais. É uma comunhão. Não é apenas comer, é degustar, é lembrar, é viajar, é um prazer. Não podemos ser solenes assim o tempo todo, mas ninguém deve reduzir a alimentação ao ato de abastecer o tanque.

Nisso, algumas culturas se destacam, pois se negam a “encher o bucho”. Há algo mais elevado em comer, e essa elevação dispensa muita comida. Em alguns lugares do mundo, reunir 10 pessoas e oferecer 2 pizzas é mais que suficiente. A qualidade da pizza deve ser alta, não a quantidade. Em contrapartida, algumas culturas, qualidade não importa muito, mas precisam de, no mínimo, 4 pizzas. Se sobrar, se come frio pela manhã.

Voltando ao assunto, o paladar ativa a memória que busca o prazer de lembrar. A vida passa pelo paladar como um álbum de fotos boas. Às vezes, uma foto específica é procurada de modo inconsciente. A lembrança de infância ou um momento mágico da vida faz com que o ato de comer transcenda.

Comer e beber é uma ideia divina para a eternidade. Há um plano para Celebrar a História da Redenção e podemos constatar essa agenda nas palavras de Jesus: “Regozijemo-nos! Vamos nos alegrar e dar-lhe glória! Pois chegou a hora do casamento do Cordeiro… Felizes os convidados para o banquete do casamento do Cordeiro! ”
Apocalipse 19:7-9

Talvez esse pensamento ajude os cristãos a reverenciar o paladar do pão e do vinho. Há um universo de memória que nos une nesses elementos. Talvez você precise ser um pouco mais solene diante dessa e de outras refeições.

O paladar é uma benção e um tipo de encontro. É uma perfeita de ideia de Deus para celebrar a vida e o amor entre os homens. Talvez, seja por isso que deixar alguém passar fome cause impedimento de entrar no Céu (Mt.25.41-42). Mas, por meio de Jesus Cristo muitos desfrutarão a comunhão de mesa em mesa, de casa em casa, por toda a eternidade, por meio da fé acompanhada de boas obras (Mt.25.32-40).

Precisamos avisar aqueles que ainda não creram no Senhor, como ele nos mandou: “saiam pelos caminhos e valados…  pelas esquinas das ruas e convidem para as bodas todas as pessoas que encontrar, obrigue a entrar, para que a minha casa fique repleta.” (Lc.14.43).

 

 

O HOMEM HONESTO

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Paulo Zifum

Pilatos me pareceu honesto ao julgar a Cristo. Era um governador cruel, mas mostrou interesse em entender o sistema politico-religioso dos judeus. Certamente, como um romano de herança filosófica grega, percebeu que não havia sentido condenar a Jesus.

Ele fez perguntas ao réu e aos acusadores. Ouviu as partes e se afeiçoou a uma delas. Quando conversou com Jesus, percebeu ser ele um homem incomum. Pilatos queria ouvir: “sou inocente, me ajude, julgue com justiça”. Em vez disso, ouviu o silêncio. Enquanto os acusadores gritavam, Jesus permanecia calado. Pilatos insiste, pensando em advogar a soltura do rabino malquisto por seu povo. Mas sabia que,  Jesus não poderia escapar daquela fúria social.

O comportamento do governador romano é típico do homem honesto. Ele tenta julgar com justiça e tenta fazer o que lhe parece certo. Não podendo, busca salvar a si por meio da auto-absolvição. O homem honesto mostra que não concorda com o mal, e no final “lava as mãos” , dizendo: “eu tentei ajudar vocês”.

A honestidade é uma virtude. Muitos homens se esforçam para manter a coerência e lutam para não serem acusados de leviandade. De modo honesto procuram se eximirem da acusação de serem neutros. Tomam cautelosamente partido, e como Pilatos dizem: “não vejo culpa alguma nele”. Mas, ao lavarem as mãos, lavam mesmo?

Muitos políticos foram educados por pai e mãe honestos. Chegaram a ser eleitos de forma honesta, mas a água do cântaro na qual lavam as mãos não é benta nem santa. Juízes podem até mostrar transparência, mas o extinto de sobrevivência os faz providenciar uma sentença de escape. O “eu lavo minhas mãos” pode ser o mesmo que “eu não vou morrer por isso”. É uma saída honesta que inventa uma justiça própria. Pilatos desejou ser seu próprio redentor e, honestamente, tomou o rumo errado.

Pilatos ouviu a “rede social” postar: “se soltas este, não és amigo de César”. Bem, nessa hora, o governador se viu acuado, assim como todos nós. A tentação de “lavar as mãos” é um modo honesto de dizer: “não concordo com vocês, mas também não sou inimigo de César”.

Nosso mundo está repleto de pessoas honestas, mas isso não é suficiente para conter o mal. Honestidade é uma forma asséptica de viver, porém não é, necessariamente, uma forma santa. Pode um religioso ser honesto sem ser santo, mas é impossível ser santo sem ser honesto. A santidade é superior e, nesse caso “não” lavar as mãos é levar a honestidade até às últimas consequências.

Honestidade apenas não salvará a alma. Por isso, o Evangelho surge único entre todas as religiões, porque não apresenta as virtudes como meio de redenção. O Evangelho é como uma rua sem saída, maravilhosa senda sem saída. Lá, no final,  homens honestos encontrarão uma Cruz. Ali, os homens tem a oportunidade de serem identificados com Cristo em sua morte. O Cristianismo não é um escape existencial onde pessoas sinceras lavam as mãos. É único meio de pecadores alcançarem “mãos santas”, por meio do sangue de Cristo.

Coram Deo

*foto: O Pensador (1904) é uma das mais famosas esculturas de bronze do francês Auguste Rodin.

SEGURE SUA BENÇÃO

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Paulo Zifum

Eu, às vezes, quero as coisas na hora. A auto-gratificação é uma tentação e comprar sem ver o preço é uma loucura.

Veja essa:

Certa vez, quando Jacó preparava um ensopado, Esaú chegou faminto, voltando do campo, e pediu-lhe: “Dê-me um pouco desse ensopado vermelho aí. Estou faminto! ” Por isso também foi chamado Edom. Respondeu-lhe Jacó: “Venda-me primeiro o seu direito de filho mais velho”. Disse Esaú: “Estou quase morrendo. De que me vale esse direito? ” Jacó, porém, insistiu: “Jure primeiro”. Então ele fez um juramento, vendendo o seu direito de filho mais velho a Jacó. Então Jacó serviu a Esaú pão com ensopado de lentilhas. Ele comeu e bebeu, levantou-se e se foi. Assim Esaú desprezou o seu direito de filho mais velho.”  Gênesis 25:29-34

É incrível a coincidência. A história se repete: a humanidade tem uma fome que não pode esperar e sempre tem um Jacó com um fast food a nos aguardar. Todos os dias tem aperto de mão vendendo a castidade, a integridade, a família e até a saúde. E Jacó? É um iludido que achou que fazer negócios com esse preço tem algum valor. Pobre Jacó! Sua cobiça o fez mentir e perder sua paz. Não levou vantagem nenhuma no fim das contas. Todos perderam: Esaú perdeu a benção e o irmão. Jacó perdeu o irmãos e o convívio com os pais. A família perdeu a paz.

Pense bem. Se uma pessoa perde sua benção, todos nós perdemos também. Somos uma humanidade. Uma só. Estamos ligados. Não tem alegria quando o mal triunfa. Quando as pessoas se vendem ou compram o que não lhes pertence, o mundo todo cai. A criação geme com a atitude de Esaú ao desprezar a benção dos rios e das matas.

O roubo em uma prefeitura no canto do mundo subtrai a glória de uma nação inteira. Um pingo de tinta preta pode inutilizar uma folha em branco. Uma festa pode ir longe demais e o arrependimento não impedirá as consequências de uma noite de prazer (o Rei Davi que o diga). E, depois de profanar o sagrado, se perde o brilho dos olhos! A benção se vai.

É difícil manter a vida no alto como a do homem do Salmo 15 (reverente, fiel e bondoso). A tentação de vender, trocar e negociar é real e, todos os dias, sentiremos uma certa fome e pressa como a de Esaú. Todos os dias Jacó abre a loja como o que é gostoso, imoral e e engorda.

Há um suor na testa de jovens cristãos, cristãos casados e profissionais cristãos, que, segundo Romanos 7, é um verdadeiro sufoco. Essa luta grande, pode parecer rendida, mas por meio de Jesus Cristo, a benção jamais será perdida.

Sua benção? Não dê, não troque nem venda.

DINHEIRO, NÃO!

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Paulo Zifum

Há tanta coisa boa para fazer com o dinheiro. Depois de comprar algumas coisinhas para mim e realizar alguns pequenos sonhos, vou ajudar os outros. O problema é que estou com 80 anos e ainda o dinheiro não deu”   Bila, personagem de Viagem Sem Volta

Alguns filmes mostram pessoas dizendo “não” para o dinheiro e para a fama. Toda vez que isso acontece, me sinto pequeno diante da tela, principalmente quando o dinheiro é limpo e o personagem dá as costas ao sucesso por achar que riqueza não é tudo. A maioria de nós daria um rim por uma chance de ficar rico.

Abraão foi um cara desses na Bíblia. Quem assistiu o filme lendo Gênesis, sabe bem o momento em que acontece o “não”. Abraão dispensou um pagamento de gratidão dizendo: “não quero que ninguém diga que me enriqueceu”. Talvez, quem assistiu (leu) pela primeira vez pense que foi um orgulho, mas se prestar atenção melhor vai perceber que o contexto muda o dinheiro e quem paga pode definir as coisas. Abraão sabia que se aceitasse deixaria que suas motivações fossem preenchidas pelas pessoas (Gn.18).

O dinheiro é um instrumento que muda de função conforme a situação. Pode ser uma forma de poder ou amor. Receber dinheiro pode ser um ato digno e humilde. Mas, por vezes, pegar dinheiro faz Sméagol virar Gollum. Como saber qual a hora de receber e qual a hora de se esquivar e fugir? Tolkien em sua ficção Senhor dos Anéis, mostra a luta que pessoas de bem passam com a sedução e a cobiça.

Cobiça é um pecado que o profeta Eliseu venceu, mas, Geazi, seu ajudante, não conseguiu. Você pode assistir (ler) o filme Reis e perceber que Eliseu não aceitou o presente costumeiro dado aos videntes (1Sm.9.6-8). Ele discerniu o mesmo que Abraão. Algumas “ofertas” são um laço para o homem.

A origem do dinheiro pode até ser legítima, mas o coração pode estar cheio de uma “fome” perigosa, como a de Esaú (Gn.25.27-34) . A danada da cobiça, quando identificada como uma velha cobra, deve ser pisada na cabeça. E foi o que nossos heróis Abraão e Eliseu fizeram. E Moisés também foi condecorado por vencer o desejo de fama  e poder ao abandonar sua filiação egípcia (Hb.11.23-29).

Dizer “não” ao dinheiro é coragem, irmão!

Tem a hora certa. É uma hora rara, específica, que não pode ser confundida com preguiça e sossego. Tem gente que diz: “eu não preciso de dinheiro” só pra se encostar. Tem gente que deixa oportunidades passarem só para não arriscar. Isso é covardia.

O “não” valoroso envolve um discernimento que Jesus teve quando foi tentado pelo Diabo. Se você assistir (ler) o filme Mateus, verá Jesus falando sobre o dinheiro e mostrando, tanto na Tentação (Mt.4) como no Sermão do Monte (Mt.5-7) que o dinheiro é um deus (Mamom) que concorre com o amor ao Deus verdadeiro.

Paulo, dá para Timóteo um roteiro de santidade e alerta, mostrando que muitos não conseguem dizer “não” para o dinheiro e caem em muitos males (1Tm.6.10).

Você talvez diga: “nunca fui tentado a pegar um dinheiro ilícito”. Mas, vale pensar que o ilícito não se resume na ação de ganhar mais dinheiro. Ilícito e escandaloso é gastarmos todo nosso dinheiro conosco, privando o próximo de algum auxílio como fizeram o levita e o sacerdote da parábola do Bom Samaritano (amo ler esse curta metragem). Aquele camarada disse “não” para o dinheiro gastando no socorro do samaritano (Lc.10.25-37).

Dizer “não” para “um dinheiro”. Essa é a questão. Abraão era um milionário, mas percebeu que existem tipos de grana que não devem ser recebidas nem retidas. Tem dinheiro que estraga a boa conta.

*Nota: por favor, não me interprete mal, ideias como a de Jabez (1Cr.4.9) são brilhantes. Ganhar dinheiro não é pecado, dependendo do lugar onde for depositado no coração.

ACORDE! VOCÊ JÁ DORMIU O SUFICIENTE

Sem título
Paulo Zifum

A vida não tem dó do sono. Somos acordados desde o berço.

Vivemos a experiência de um solavanco, às vezes seguido de um balde de água fria.
Sem título

O que te acorda hoje?

A verdade pode ser uma mãe má que tira o menino da cama.

Mas, quem disse que acordar é ruim? Muitos estão felizes pelo favor feito. Ainda que alguns não querem sair da Terra do Nunca para assumir responsabilidades, devemos agradecer pela maioria não voltar pra cama.

Porém, quando a saúde nos acorda dizendo que vai embora, a vida parece o Teatro do Absurdo, onde somos chacoalhados: “Acorde! Você já dormiu o suficiente”. Depois dos remédios e tratamentos, um médico jovem nos olha nos olhos e diz: “Nada existe aqui”. Acordar assim não é bom.

Acordar com o fim de um sono bom, nos aflige. Mas o desespero vem quando não vemos sentido na vida aqui. Há um pessimismo no ar: Trabalhar para quê? Correr para quê? Estudar por quê? Resistir por quê? Lutar para quê? Recomeçar por quê?

Eu ouço a voz do médico. É a voz moderna que me diz: “nada existe aqui”. Porém, mesmo vivendo esse caos, mesmo que eu fique encharcado do balde de injustiças, ainda que eu perca grandes significados, com a graça de Deus, serei capaz de ouvir a voz antiga que me diz: “há muita coisa além daqui”. Vou me levantar e direcionar minha fé nas Escrituras.

Ora, se a nossa esperança em Cristo se restringe apenas a esta vida, somos os mais miseráveis de todos os seres humanos” (1Co.15.19)… o que é exposto pela luz torna-se visível… desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e Cristo resplandecerá sobre ti” (Ef.5.13-14).

A perspectiva é tudo na “hora de acordar”!