CULTO DOMÉSTICO e a 10º PRAGA

Image result for pascoa hebreus

Paulo Zifum

Era o ano 1250 a.C. e Deus escolhia a hora de todas as horas para interferir na História. Na terra Gósen, num assentamento dentro do império do Egito, os israelitas viviam escravos, oprimidos por Faraó que exercia sobre eles um controle muito além do físico (assim como todos os poderes que regem o mundo).

Considerado um deus, Faraó exercia sua vontade soberana, até que… Moisés aparece e anuncia uma pequena mudança. O soberano egípcio ficou muito irado ao ser informado que o Deus dos hebreus estava no Egito solicitando a libertação de seu povo: “Quem é esse YHWH*? Não conheço e não deixarei Israel partir”. Essa reposta foi suficiente para iniciar um dos resgates mais fantásticos da história.

Não houve batalha porque Faraó não poderia lutar com Moisés, que era apenas um velho de 80 anos. O que ocorreu, segundo Eugene Peterson, foi “uma demolição, reduzindo item por item o mito da invulnerabilidade egípcia, da soberania faraônica, sancionada por milhares de anos de superioridade que aturdia a imaginação. O Egito com seu poder e tamanho intimidador,  iria cair”. Faraó não podia lutar com o mundo invisível.

Embora YHWH  tivesse o poder de esmagar o Egito com apenas um golpe, ele age com um respeito elevadíssimo. Primeiro, não ordena, apenas solicita enviando um mensageiro inseguro e humilde com um pedido singelo. É claro que liberar mais de 2 milhões de pessoas para, a caminho de três dias adorarem no deserto era um outro jeito de dizer “tchau”. Sem a mão de obra escrava a economia do Egito quebraria.  Faraó jamais aceitaria esses termos. Mas Deus, de modo paciente, usa as pragas para comunicar a seriedade e urgência de sua vontade. Parece-nos que as primeiras pragas eram meios de misericórdia como se Deus estivesse dizendo: “vocês não precisam levar esse assunto para o lado pessoal”. Deus estava disposto a abalar apenas a economia egípcia e não executar pessoas como as guerras normalmente faziam.

Bem, se você conhece essa história dramática, sabe que Faraó, como todo o ser humano. tem extrema dificuldade de engolir o próprio discurso. É muito sofrido admitir publicamente que “eu não sou deus coisa nenhuma”.

Até a nona praga, nenhuma pessoa havia sido atingida mortalmente. Faraó estava assustado, mas irredutível. Ele tenta negociar. Moisés exige o espólio devido aos vencedores, mas Faraó se desentende com ele e a conversa termina num rompimento diplomático definitivo.  A 10º temível praga estava a caminho.

E mais uma vez,  YHWH não manifesta sua ira matando indiscriminadamente a população egípcia. Com continuado amor, Deus ordena que os primogênitos sejam sacrificados. Algo totalmente diferente de uma matança. Um golpe invisível da Morte. Dessa vez com dia, hora marcada e vítima escolhida. O que isso comunica?  Parece-nos que Deus estava apontando aos egípcios uma rota de escape. Durante as 9 pragas todo o Egito sabia que a vila dos hebreus não era jamais atingida. Correr para Gósen era a saída para aqueles que tinham fé. A misericórdia, o refúgio estava em Israel, e mais especificamente no ritual do cordeiro da Páscoa.

Para escaparem com seus primogênitos, os egípcios tinham que buscar socorro numa casa de hebreus. Assim como Moisés foi acolhido e protegido na casa da filha de Faraó no dia da matança, assim também os egípcios deviam correr para a casa dos hebreus. Uma família israelita deveria acolher uma família recém-convertida. Imaginamos a maravilhosa cena que se repetiu naquela fria noite. O preço da circuncisão não era muito alto para passar aquela noite de Páscoa, escapando do horror (Ex.12.48).

Bem, toda essa volta para falar sobre a importância do Culto Doméstico. Toda família cristã deve reservar tempo para uma reunião de oração. Nela poderá romper barreiras internas e forçar o tratamento dos pecados que surgem. Ademais, quando oram juntos mostram consciência de que os 3 inimigos da família (O PECADO, O MUNDO E O DIABO) devem ser enfrentados com oração. Ora, a oração muito pode por sua eficácia para ajudar um membro da família libertar-se de vícios (jogos, sentimentos, temperamentos), a vencer tentações (amizades, pressões) e resistir as ingerências do mal. A família cristã é um refúgio espiritual para seus membros, parentes e vizinhos.

Podemos notar essa reunião familiar na 10ª praga: “Digam a toda a comunidade de Israel que no décimo dia deste mês todo homem deverá separar um cordeiro ou um cabrito, para a sua família, um para cada casa. Se uma família for pequena demais para um animal inteiro, deve dividi-lo com seu vizinho mais próximo, conforme o número de pessoas” (Ex.12.3-4). Talvez, nossas famílias, mais do que nunca, estejam precisando dessa tradição tão bem explicada em Êxodo 12.

Sua família observa a atividade simples da oração que protege contra o materialismo e paganismo? Caso não, procure uma que o faça e junte-se a ela. Abrigue-se sob o Sangue do Cordeiro, pela confissão dos pecados, em nome de Jesus Cristo.

*YHWH: transliteração do nome de Deus. Tetragrama sagrado do “Eu Sou” revelado a Moisés, cuja pronúncia correta nem os judeus mais zelosos podem afirmar saberem hoje. Javé, Jeová são expressões usadas, mas a pronúncia gutural do hebraico é muito difícil de se fazer corretamente.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s