QUAL É O GRITO QUE DERRUBA O MURO?

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Paulo Zifum

Dizer que alguém “ganhou no grito” significa uma vitória que não foi racional. Mas na Batalha de Jericó a estratégia foi muito bem preparada. Foi tudo muito bem organizado e, dar um grito no sétimo dia tornou-se uma arma extremamente disciplinada.

A muralha de Jericó tinha dois metros de espessura e dez metros de altura e o exército de Israel não tinha capacidade militar, equipamento nem treinamento para entrar. Josué, o comandante, ordenou marchar contra Jericó de um modo incomum:

Os sete sacerdotes que levavam as trombetas iam adiante da arca do Senhor, tocando as trombetas. Os homens armados iam à frente deles, e o restante dos soldados seguia a arca do Senhor, enquanto as trombetas tocavam continuamente. No segundo dia também rodearam a cidade uma vez, e voltaram ao acampamento. E durante seis dias repetiram aquilo. No sétimo dia, levantaram-se ao romper da manhã e marcharam da mesma maneira sete vezes ao redor da cidade; foi apenas nesse dia que rodearam a cidade sete vezes. Na sétima vez, quando os sacerdotes deram o toque de trombeta, Josué ordenou ao povo: “Gritem! O Senhor lhes entregou a cidade!” Livro de Josué 6.13-16

Os elementos dessa investida militar deixam claros que não era um modo comum e puramente humano de guerrear. Sacerdotes, utensílios de culto e misticismo eram comuns nas guerras. Invocar os deuses e fazer oferendas eram tradições que os povos seguiam, mas quais os elementos eram únicos?

Israel precisava cumprir a confiança em “seis dias trabalharás, mas ao sétimo descansarás” (Ex.34.21). Era como uma inversão do mandamento. Durante seis dias eles deviam caminhar ao redor de Jericó em silencio: “Não dêem o brado de guerra, não levantem a voz, não digam palavra alguma, até ao dia em que eu lhes ordenar. Então vocês gritarão! ” (Js.6.10). Era um trabalho de fé onde eles se arriscariam a falhar. Depois desse “esforço”, no sétimo dia apenas gritariam e assim, entrariam no “descanso do Senhor”. Deus faria todo o trabalho!

Quais são as “muralhas de Jericó” no caminho do  cristão? De que estamos falando? Qual o “grito” espiritual que faz cair muralhas?

A Igreja moderna tem sido adestrada para “saltar muros” da vida aqui, das questões particulares. As pregações comuns nos lideram para usar “a arca” da oração para vencer na vida. A superação é apontada para um triunfo histórico. A narrativa de Josué é reduzida ao bem-estar dos filhos de Deus, para otimizar os interesses existenciais e imediatos.

Sim, a Batalha de Jericó fala de um Deus que se interessa pelos negócios da terra, desde um exame num emprego até um diagnóstico ruim de saúde. Milhares de cristãos tem a fé estimulada por essa narrativa e aprendem a orar por suas necessidades  de modo não-convencional em brigas de esfera espiritual.

Porém, o interesse de Josué e  propósito da nação sacerdotal era muito mais elevado. A vitória jamais poderia ser reduzida ao mote “o meu Deus é maior que o seu”. O projeto com Abraão era uma missão mundial de abençoar todas as nações. Israel precisava se estabelecer como modelo ideal de governo teocrático.

Note que a ordem dada a Josué prova a elevação desse propósito: “A cidade, com tudo o que nela existe, será consagrada ao Senhor para destruição… fiquem longe das coisas consagradas, não se apossem de nenhuma delas, para que não sejam destruídos. Toda a prata, todo o ouro e todos os utensílios de bronze e de ferro são sagrados e pertencem ao Senhor e deverão ser levados para o seu tesouro” (Js.6.17-19).

Tudo deveria queimado. Imagine as riquezas de utensílios, roupas e silos repletos de grãos. Nada poderia ser tomado particularmente.

Infelizmente, semelhante às Cruzadas (séc.XI) a Era das Colonizações do século XV mostrou ao mundo a motivação materialista dos países cristãos. Esses não estavam preocupados em “buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça”. A Igreja de Roma e A Igreja da Coroa Inglesa não lideravam como Josué. Israel foi proibido de saquear Jericó porque o assunto era um julgamento da impiedade.

Hoje, muitos pastores não lideram como Josué. A avanço do cristianismo nas cidades nem sempre está associado ao Reino de Paz e Justiça.
Qual é o Grito? E qual o Muro?

Para Paulo a batalha do cristão jamais estava direciona para a vida aqui. Ele pensava na conversão dos homens e na rendição desses ao senhorio de Cristo. As “muralhas de Jericó” ele identificava com o sistema de pensamento que prende a humanidade na “caverna de Platão”. O grito de Paulo era “pelo Evangelho e por Jesus Cristo!” E, com “armas poderosas em Deus para desfazer fortalezas e sofismas” (2Co.10.4). ele buscava um triunfo, não o pessoal, mas o de Cristo.

 

 

 

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