TORRE DE BABEL

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Paulo Zifum

A palavra semítica  Babel בבל significa confusão e popularizou-se na experiência narrada em Gênesis 11.

Era uma vez uma comunidade que acumulava muitos recursos humanos e materiais. Experimentavam a prosperidade da união, onde a riqueza começa a sobrar. Provavelmente alguém levantou a necessidade de materializar o sentimento de orgulho desse ajuntamento de sucesso. Essa sugestão foi acolhida com entusiasmo, passando a reunir todos os talentos para idealizar o sentimento eleito: somos grandes!

E foi assim! Começaram a construir a Torre e ninguém sabe até hoje o tamanho desse ousado projeto. Só sabemos que a motivação era fazer algo digno, não para Deus, mas para eles mesmos.

Esse comportamento é a nossa marca na História. Tanto individualmente como coletivamente fazemos tentativas de novas Torres. E também, colecionamos fracassos em nossos empreendimentos, devido à misteriosos desentendimentos. Sejam governos seculares ou eclesiásticos, sejam ideologias ou metodologias, inexplicavelmente (para os céticos), Babel se repete. Nenhuma unidade humana com motivação semelhante conseguiu um sucesso duradouro. A História prova que jamais conseguimos concordar e andar juntos nessa linha de propósito e pensamento. Babel é um tipo de parábola.

Mas, por que o Divino não deixa a Torre ser concluída?

Ele não quer concorrência? Por isso sabota a obra de suas criaturas que poderiam se igualar a Ele? Bem, esse pensamento é tão tosco que deve ser descartado.

A resposta pode ser encontrada no capítulo 6 de Gênesis. O coração dos homens está carregado de maldade e a História nos conta que, quando alguém ou algum governo assume o poder, os resultados são sombrios. Há uma rebeldia que se revela no sucesso do tribalismo e a tendência do homem não é repartir generosamente os bens (recursos, conhecimento, tecnologia, etc.) que acumula, mas usa-los de modo vaidoso ou totalitário (sejam ateus ou religiosos).

Deus sabe disso e, para não fazer o mundo sucumbir em juízo precoce, ele continua “confundindo as línguas” e impedindo que as Torres subam até o fim. E esse julgamento se antecede porque muitos empreendimentos não visam a cura das nações, mas o poder para controlar e vender essa cura.

Quem está imune de começar a construir uma torre dessas?

Surge um ímpeto alegre e confiante de motivações muito suspeitas.

Os ricos caem na tentação de externar a riqueza. Pessoas belas são atraídas pelo imã da publicidade. O propaganda esconde o “somos deuses!”, mas a ostentação aparece nos bens, nas roupas, nas construções e nas artes. Sutilmente o modo de falar sobre cultura e maneira de palestrar conhecimento podem anunciar novas versões da Torre.

Quantos líderes religiosos nos últimos anos viram seus pequenos reinos caírem num emaranhado de confusão e escândalo? Quantos governos deixaram de dar a glória a Deus pelo sucesso e sucumbiram com uma pequena confusão interna?

A intervenção divina foi ruim para os investidores de Babel, mas foi benéfica para a humanidade. A República de Platão era uma boa ideia, mas só para os gregos. A Igreja Católica Romana seguiu o mesmo caminho para estabelecer um poder temporal, mas, perdeu sua hegemonia diante da Reforma Protestante. Hitler tinha boas intenções, mas eram exclusivas para a raça ariana, não para a humanidade.

Em outra dimensão, Deus permitiu que Lúcifer organizasse uma rebelião (Is.14.5; 12-15; Ez.28.16), mas interrompeu a obra dele no Céu e destruirá sua tentativa na Terra (Apo 20:2; 10). O Senhor permite que a Torre comece, pois também é um modo de nos disciplinar em nossa teimosia. Ele pode deixar um Titanic desatracar, mas não permitirá que intentos rebeldes cheguem a prosperar.

Ninguém duvida que somos terríveis como mulas. Não aprendemos com o fluxo da história. Se algum líder com discurso messiânico se levantar pedindo votos, elegemos pela promessa de dar paz pessoal e prosperidade.

Porém, graças a Deus que não nos entrega totalmente a nós mesmos. Por sua misericórdia, Ele desce, intervém e sabota nossos projetos megalomaníacos. Embora coisas boas tenham sido canceladas porque as motivações estavam endiabradas, não podemos negar que, a interrupção de  alguns intentos humanos foram grandes livramentos de Deus na História.

Soli Deo Gloria

*Foto: A maior torre do mundo está em Dubai. Os empreendimentos humanos mostram a glória de Deus. Obras concluídas, na perspectiva da defesa acima, provam que não houve ameaça, embora nenhuma obra humana esteja isenta de motivações erradas.

 

 

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Um comentário sobre “TORRE DE BABEL

  1. Que bela reflexão. A leitura desse texto permite que eu entenda, com maior clareza, o agir de Deus em nossa vidas. Compreendo melhor os motivos que me levaram a fracassar. Do mesmo modo, apreendo a valorizar as oportunidades de construir um mundo melhor (o meu mundo).
    Que os nossos projetos se coadunem com a vontade do Criador.
    Não quero construir um edifício de babel.

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