MEU IRMÃO JUSCELINO

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Paulo Zifum

Juscelino era um jovem pacato, de natureza semelhante a do pai. Discreto, mantinha a presença sem pressionar ninguém, porém, sua distância nunca era indiferente. Ele demonstrava afeto, quando estava por perto.

Eu me lembro de um fato curioso ocorrido em 1988. Juscelino era então o soldado De Paula. Estávamos numa reunião de oração da família que “forçava” os parentes, de modo gentil, a uma devoção que não lhes era própria. Donizeti, um dos mais místicos da família, começou a dizer em tom misterioso que o jovem soldado seria músico e compositor como Davi. Bem, eu ouvi e achei engraçado porque Lino Zói de Bomba não mostrava dotes musicais. Mas, ele tinha um perfil de homem manso e, também era militar como Davi.

Bem, um ano se passou e Juscelino começou a frequentar nossa pequena igreja, e logo se afeiçoou à música. Sua vida mudou. Nesse tempo tentou a carreira como jogador de futebol, mas sua vocação acabou  conduzindo-o à Polícia Militar. Anos depois tornou-se músico e compositor de cânticos. Suas canções começaram a ser executadas na igreja, o que é algo muito especial. E a profecia daquela noite de 88 se cumpriu.

Hoje, Juça é um músico refinado, esposo amável e pai dedicado. Entre os irmãos da igreja é uma referência de mansidão e estabilidade. Entre os familiares é um tipo de cópia do Sr. Vicente. Se você passar um tempo com ele, vai perceber como as águas correm lentas e calmas para o mar. Juscelino é um rio que vai musical para Deus. Nós desfrutamos às margens.

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HUMANIDADE COME JUNTO

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Paulo Zifum

Coloque uma mesa, ponha pão e manteiga e uma garrafa de café e espalhe as xícaras. De propósito coloque apenas uma colherzinha e uma faca para todos. O pote de açúcar deve ser pequeno. A realidade da refeição parca dá lugar para uma alegria farta quando a conversa mostra que comer é só uma desculpa para a humanidade aparecer.

 

PODE LEVAR!

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Paulo Zifum

E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa” Mt.5.40

Eu tinha um conjunto. Era uma túnica azul marinho com discretos detalhes verde-escuro. A capa em azul degradê tinha bordado preto nas pontas. Certo dia, um ladrão apareceu e forçou-me a dar a túnica. Em choque, entreguei olhando para aquela faca revolvendo o ar. Sem saber como, ainda tive tempo de pensar no conjuntinho azul. Chamei o larápio que se ia, tirei a capa enrolada em forma de turbante e dei para ele.

Apoiando-me numa parede, só com as roupas de baixo, fui amparado por um amigo. -O que houve? -perguntou aflito. -Levaram meu conjuntinho! -disse franzindo a testa. -Aquele azul? -espantou imaginando. -Sim! O azul! respondi rindo. -Por que você está rindo? quis saber meu amigo. Eu não soube explicar essa sensação gostosa de entregar a capa.

Moral da história: O sonho azul de segurar todos os bens pode desmontar sua vida. Não segure a capa! Não ouse ficar com ela! Prove que tem uma visão desprendida das coisas, sejam elas materiais ou não.

 

COISAS, SITUAÇÕES E PESSOAS

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Paulo Zifum

Quando sentimos que nosso mundo não vai ficar em pé, podemos correr e segurar. Mas, a vida é cheia de coisas, situações e pessoas impossíveis de preservar. Caem e quebram, criando em nós sensações de perda, culpa e vazio.

Coisas: Os bens nos deixam seguros e muito o contrário também. Situações: Os eventos  impulsionam o progresso e o revés também. Pessoas: Surpreendem com o amor e desistem dele também. Não podemos, o tempo todo, equilibrar esses três discos no ar.

Mas, preocupe, não!

Se você, recentemente ouviu um barulhão dentro de você, espalhando aquela insegurança em seu corpinho mortal, então, faça uma coisa, certa e rápida: Abaixe-se! Proste-se ao chão e solte uma prece curta e sábia: “Senhor, ainda bem, que estás aqui! Perdoa-me porque não dei conta dessas coisas, situações e pessoas. Ajuda-me achar um modo de juntar os cacos, e, senão, dá-me força para continuar, dessa vez, mais centrado em poucas coisas”.

A oração nem sempre muda coisas, situações e outras pessoas, mas você ficará bem.

*foto: nos metemos no show e depois, o número não pode parar

SE POSSÍVEL, LEIA DE NOVO OUVINDO “aquele alguém na multidão”

IDENTIDADE x STATUS

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Paulo Zifum

Um rei velho e esquecido, um príncipe metido e um ambiente político dividido. Enquanto um líder se omite, pessoas começam se mover nos bastidores, porque o poder não tolera o vácuo. Isso não acontece só no ambiente político e corporativo, mas em casa, entre casais, entre pais e filhos e também entre grupos de interesse.

O livro de 1 Reis começa dizendo que Davi estava velho e, de modo muito discreto, o autor fala que ele não tinha um casamento decente com mulher nenhuma e que não se preocupava com os protocolos de sucessão do trono (Davi era um pouco extremado com esse negócio de não se apegar ao poder). Ele foi negligente, sim, mas Deus usou essa negligência para revelar e tirar a escaramuça do “trio calafrio” composto por Adonias, Joabe e Abiatar. Um príncipe sem princípios, um general perigoso e um sacerdote volúvel se juntaram para assumir o poder. E pensaram, por um momento, que o teriam, mas, na verdade, atraíram juízo para si mesmos.

A vida é assim. Milhares de pessoas esperam achar seu lugar no trama dos teares enquanto muitos reis no ocaso do poder deixam que os mais novos se engalfinhem. Extremos, onde uns se sentem ansiosos pelo futuro e outros nada responsáveis por ele.

Há gente besta que pensa conseguir identidade com facilidades e curtem amizade com pessoas sem caráter. Puro engano. O máximo que podem amealhar é um status. Identidade? Jamais. Adonias mostrou ser um bufão, Joabe provou ser um trevoso e Abiatar um profano. Queriam um reino rápido e perderam tudo da noite para o dia.

Eu, que vigio, fico atento porque também me confundo. Observo que desejos enchem meu coração de um tônus de vaidade, e esqueço de defender minha identidade. Adonias era um candidato ao trono como todos os outros príncipes, e não há nada de errado em fazer campanha e colocar-se à disposição do reino. O problema da humanidade não reside em mostrar potencial para comandar. O verme está em começar um reino pelo uso da força e dispositivos de manipulação.

Deus, quando vê o abuso diz: “Eles fizeram reis, mas não por mim; constituíram príncipes, mas eu não o soube; da sua prata e do seu ouro fizeram ídolos para si, para serem destruídos.” (Os.8.4). O Senhor está no controle tanto do coração dos reis como de nossas afeições mais discretas. Ele irá “julgar os segredos dos homens, por intermédio de Jesus Cristo” (Rm.2.16).

Seja qual for sua aspiração, pense bem se o que deseja é encontrar sua vocação ou alcançar status. Sua identidade pode estar em risco e você a um passo de formar conjunto com algum “trio” por aí.

SEJA PRÁTICO

Paulo Zifum

-É bem simples: você pega o dinheiro e compra! -Mas, não tenho dinheiro! -Então, dê um jeito e arrume! O menino saiu, foi até um ferro-velho e conseguiu quatro rolimãs e alguns pregos grandes, com  ajuda do amigo fez um carrinho com madeiras velhas. Tinha agora um carreto, sua primeira empresa. A feira de sábado ficava no alto e era a mais movimentada do bairro, lá o menino conseguia uns trocados levando as compras de mulheres e idosos. Os adultos expressavam um misto de dó e admiração com o esforço daquela criança. Chegando a oficina do amigo, mostrou o caderno, o lápis,  a borracha e disse: -Comprei, agora você me ensina? O mecânico com as mãos sujas de graxa levou o menino para a professorinha. Em pouco tempo já sabia ler e escrever.

O QUE VOCÊ FAZ SENTIDO

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Paulo Zifum

Falo com as plantas e com os cachorros. Perdi meu carrinho cheio de compras no mercado. Fazer uma compra econômica dá trabalho. Encontrei um amigo e notei que ele tinha no carrinho as mesmas coisas. Contei a ele do sumiço. Ele riu e disse que tinha inveja das compras que fiz, mas que nenhuma câmera o filmou porque é como um gato.

Costumo escrever agradecimentos para as pessoas. Acho que sou afortunado por alguém arrumar algo quebrado das minhas coisas. Depois de pagar o serviço fico feliz por essa rede de favores. Ajudar sapos a voltar para lagoa parece coisa de gente muito infantil. Falar bem das pessoas é uma maneira de fugir do mal.

Coloquei creme de barbear dentro do tubo de creme dental de um amigo. Minha amiga ofereceu-me uma colher de chá de algo delicioso que estava fazendo. Até hoje minha boca queima como o Hades. Ela ri eternamente. Eu deixei a gasolina do carro acabar várias vezes. Nunca me privei da aventura de ver até onde daria. Uma semana após andar a cavalo descobri que não tinha uma nova verruga. A coisinha tinha perninhas bem miudinhas.

Voltei para casa algumas vezes a pé, só com a chave do carro no bolso. Parece até que a gente voa quando começa pensar. Minha esposa muda tanto as coisas da casa de lugar que nunca terei Alzheimer. Paro para olhar flores e cato trecos na rua. Ferro velho, bazar e brechó são como shopping. Tem tudo que eu procuro.

Ainda sinto culpa por ser preguiçoso e por trabalhar demais. Por que não posso tomar mais de uma garrafinha de Yakult? Tenho vergonha de pensar que Deus riu quando o pernilongo surgiu. Um amigo diz que meus textos não são bem trabalhados. Eu disse que tenho preguiça de arrumar porque passo horas escrevendo.

Eu agradeço por você estar lendo e fico também sem graça por torrar seu tempo. Eu sou um embaraço. Mas, isso não faz sentido.

*Foto: Tarsio – primata noturno encontrado nas florestas do sul da Ásia