O PASTOR FICOU CANSADO

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Paulo Zifum

Não querer ser, fazer é um drama! O conflito da vontade é bem descrito na poesia abaixo.

O Poeta Ficou Cansado (Adélia Prado)

Pois não quero mais ser Teu arauto.
Já que todos têm voz,
por que só eu devo tomar navios
de rotas que não escolhi?
    Por que não gritas, Tu mesmo,
a miraculosa trama dos teares,
já que Tua voz reboa
nos quatro cantos do mundo?
Tudo progrediu na terra
e insistes em caixeiros-viajantes
de porta em porta, a cavalo!
Olha aqui, cidadão,
repara, minha senhora,
neste canivete mágico:
corta, saca e fura,
é um faqueiro completo!
Ó Deus,
me deixa trabalhar na cozinha,
nem vendedor nem escrivão,
me deixa fazer Teu pão.
Filha, diz-me o Senhor,
Eu só como palavras.

O conflito existe, pelo menos, para quem tem consciência. E o profeta Jonas (aludido por Adélia) tinha compreensão de sua tarefa essencial: pregar os desígnios de Deus. O problema é que Deus, nem sempre permite que seus arautos façam rotas próprias. O raciocínio de Jonas talvez foi: se a missão for condenar um povo duro e violento, então, avisar do juízo iminente, nada mudará. Talvez Jonas pensou numa rota diferente para chegar no mesmo lugar. Bem, quem conhece a história sabe, que o povo duro e violento de Nínive amoleceu imediatamente ao som da “voz que reboou” por meio de Jonas. O profeta estava errado.

Pastores envolvidos com todo tipo de tarefa na “cozinha eclesiástica” nos parece uma rebeldia. Estariam eles cansados de simplória tarefa definida por Pedro em Atos 6?

Deus insiste com o mesmo sistema antigo. Os pastores devem, sempre que possível, dedicar-se exclusivamente ao ministério da Palavra e da oração. Deus tem fome da Sua Palavra e das palavras de compaixão trazidas em audiência a favor do povo e, talvez, os pastores cansados, estejam a deixá-lo com fome.

Em João 6, os discípulos foram comprar comida e, quando voltaram, Jesus saiu com essa: “uma comida tenho para comer que vós não conheceis“. Eles, como a maioria de nós, nunca achavam uma aba para segurar as revelações de Jesus, e isso fica evidente quando disseram: “alguém deu comida para o Mestre“. Haja paciência! Ele completou: “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou“. E, se o Pai falasse naquela hora reboando o céu, talvez dissesse: “A minha comida, meu Filho, é minha vontade servida à mesa”.

Que os pastores não se deixem seduzir nesse mundo por rotas vocacionais alternativas. Podem reclamar e dizer que estão cansados, mas, devem obedecer o chamado de servir ao Senhor. E a fome dEle é da pregação do Evangelho e das boas obras que o seguem.

 

 

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