DE FRENTE PRO CRIME

de frente

Paulo Zifum

Sexta-feira de manhã, uma multidão de gente desocupada queria sujar as mãos pedindo a morte de Jesus. Pilatos, político, não queria, mas pela pressão popular manda executar Jesus e depois lava as mãos. Mas, a água não limpa o coração. Naquela sexta, estavam todos diante do crime, mas, para a maioria, a cena era só mais uma execução de alguém que vacilou diante da milícia romana.

João Bosco, cantor brasileiro, fez um samba intitulado De frente pro crime no qual retrata de modo eficaz como podemos nos acostumar com o crime e continuar nossas vidas sem sentir culpa. Veja a letra:

Tá lá o corpo estendido no chão
Em vez de rosto, uma foto de um gol
Em vez de reza, uma praga de alguém
E um silêncio servindo de amém…
O bar mais perto depressa lotou
Malandro junto com trabalhador
Um homem subiu na mesa do bar
E fez discurso pra vereador…
Veio o camelô vender anel,
cordão, perfume barato
Baiana pra fazer pastel
e um bom churrasco de gato
Quatro horas da manhã
baixou o santo na porta-bandeira
E a moçada resolveu parar, e então…
Tá lá o corpo estendido no chão
Em vez de rosto, uma foto de um gol
Em vez de reza, uma praga de alguém
E um silêncio servindo de amém…
Sem pressa foi cada um pro seu lado
Pensando numa mulher ou no time
Olhei o corpo no chão e fechei
Minha janela de frente pro crime.

 

Penso em Pilatos e naquela multidão que participou da morte do Senhor. Penso nas pessoas hoje que, ao ouvirem que Jesus morreu na Cruz, nada sentem. Todos, mesmo sabendo que houve uma morte, “tá la o corpo estendido na Cruz”, continuam suas vidas.

Imagino que muitos pensaram que Jesus se envolveu em algum crime, ou em todos os crimes que o acusavam. E como todos sabem, uma vez acusado, a maioria já acha culpado. E a atitude de fechar a janela de frente pro crime foi natural naquela capital impenitente. Jerusalém tinha fama de passar por cima do amor ofertado. Cidade violenta.

Vivemos num mundo semelhante, que ignora o sagrado e despreza a Paixão. E o camelô consegue vender ovos de chocolate fazendo da Páscoa apenas “um corpo estendido no chão”. O feriado religioso enche a mesa de cerveja juntando malandro com trabalhador. E ninguém quer saber de tristeza.

Eu e você estamos então, de frente pro crime. E nesse momento Deus nos vê. Ele sabe quem considera importante a morte de seu Filho. Sabe quem sente a culpa ao ouvir que o corpo de Jesus foi brutalmente morto pelos pecados de todos nós.

Abro minha janela e vejo a Cruz. Paro tudo e penso em meus crimes: Ele morreu por mim!

 

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