COMEÇA ROENDO UNHA

roer unha

Paulo Zifum

“um canibal começa roendo unha”

A probalidade de um brasileiro comum tornar-se ladrão é muito grande. O acesso à distribuição de dinheiro exige do sujeito: organização, caráter reto e uma noção clara de coletividade. Porém, nossa fibra lusitana é fraca no trato com moedas (talvez pelo tipo de gente que a coroa enviou para nos colonizar e atender os interesses usuários de Portugal).

A maioria dos brasileiros é honesta, mas sofre de um tipo de ansiedade: melhorar de vida rápido. Esse vício pode parecer inofensivo, mas não é. Primeiro se começa driblando a própria consciência (comendo a cutícula), depois vem os pequenos delitos de fraudar seguro, omitir informação de custo ou superfaturar, tudo em escala pequena (tascar mordida no próximo). Até que surge uma fome maior por vantagens. Quando desperta, já está como descreveu Salomão: “há quem ostente dentes como espadas afiadas, cujas mandíbulas estão sempre armadas de facas com o objetivo de devorar os fragilizados desta terra e os pobres da humanidade” (Pv.30.14).

Esses “dentes” que devoram o pobre, como hoje se vê, são funcionários públicos, secretários, vereadores, prefeitos, deputados, governadores, senadores, empresários, juízes e até presidentes. “Dentes” de direita e de esquerda, “comem” uma parcela pequena da população, deixando o restante na dispensa do próximo mandato. Essa “política antropófaga” que come seus filhinhos já se tornou um horror internacional.

E assim, o Brasil produz essa gente perigosa que enche as investigações da Lava-Jato. São brasileirinhos “canibais do erário” que, desde os tempos Brasil-Colônia, se apressam para melhorar de vida, criando uma cultura que abre mão da moral para se obter conforto e paz pessoal. Pessoas inclinadas a um ato corrupto ou a se calar diante dele.

Mas, graças a Deus, e, somente por sua misericórdia, esses predadores estão sendo presos! Graças a Deus, até os simples “roedores de unha” estão sendo confrontados!

Algo bom Deus está fazendo para curar nosso distúrbio. Ele está nos dando consciência desse traço danoso de ansiedade que cega a vida moral. E temos esperança de que, nos próximos anos, nossos jovens não pensem mais em triunfo material como finalidade da existência. Os rumos vão mudar!

Não porque colocamos a esperança no messias judiciário muito menos nos profetas da educação. Porque ensinar valores e criar um rigoroso sistema punitivo mostrou-se historicamente insuficiente para redimir o homem em sua natureza auto-destrutiva.

Acreditamos em mudanças porque o Brasil tem despertado para uma perspectiva transcendente. Ora, essa perspectiva está no Evangelho de Jesus Cristo, que pode libertar os brasileiros do hábito de idolatrar o dinheiro e o poder. Somente uma visão cristã de mundo pode substituir o visão viciada de só enxergar o útil e vantojoso.

Graças à oração da Igreja (mesmo com “unhas eclesiásticas comidas”), o ímpeto de corrupção tem sido aplacado. Mas. vamos continuar orando e vigiando, porque o espírito está pronto, mas a vontade de “comer unha” ainda é forte.

 

 

 

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