SALMO 23 PROFUNDO

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Paulo Zifum

Uma pessoa pode estudar o Salmo 23 por anos, sem esgotar seus recursos, pode passear por horas em seu sítio que não poderá dizer “sei tudo”, pode mergulhar, mas, dificilmente achará o fundo.

A poesia está dividida, provavelmente pela própria experiência do autor. A primeira parte, Davi reparte os sentimentos de como é ser uma ovelha, na segunda parte, ele parece descrever Deus como suserano.

Ser comparado a uma ovelha não é nada elogioso, uma vez que o pobre animal é um dos mais tolos e indefesos. Ela tem pouco senso de direção, não enxerga bem, não tem meios de defesa (sem garras e dentes afiados) e muito vulnerável por assustar-se com facilidade. Tem facilidade de perder-se. Por isso, o pastor é quem dá toda provisão, direção e proteção.

A ovelha é um animal tratável, dócil e, nesse sentido, o elogio surge como valor para o cristão que deseja ser como Jesus, o Cordeiro. Há, inclusive, a frase “fulano é uma ovelha de presépio”, indicando que a pessoa é passiva (embora pejorativo) e conduzível. Mas, é bom destacar que ser “ovelha muda perante seus tosquiadores” não fala sobre passividade, antes, invocauma firmeza e coragem descrita no Sermão do Monte, onde submeter-se ao Senhor é um traço de coragem e força.

A dobradiça do Salmo é o verso 4, onde há uma descida ao famoso Vale do Sombra da Morte. O Salmista retrata a realidade da vida composta de momentos bons e maus. Lembra que descer a esse vale pode ser a última caminhada, mas mesmo assim, a ovelha do Senhor pode sentir-se segura.

Havendo possibilidade de subir desse vale, passando as provas da vida, há uma virada de sorte (Salmo 126). Neste momento Davi deixa a figura da ovelhaos remete outra relação: a de suserania. A ideia da “mesa na presença de seus adversários” lembra Mordecai no livro de Ester, quando o suserano resolve honrar publicamente seu vassalo. O reconhecimento, entretanto, segue a lógica do salmo, pois primeiro é necessário ser humilde como uma ovelha, tratável e obediente, para depois ser honrado. Primeiro é necessário perseverar com fé e confiança para depois ser celebrado (assim como Josué e Calebe perseveraram).

As garantias de vida e paz dentro do reino do Senhor nesse tratado de suserania parecem bem estabelecidas no salmo, de modo que, os que vivem no reino, sentem-se seguros, não em suas obras, pois os percalços do pecado tirariam todos nós da casa do Senhor, mas o Salmo 23 destaca a graça no final: “certamente bondade e misericórdia me seguirão”. Aqui podemos ver a obra redendora de Cristo, pois ele mesmo disse: “eu sou o bom pastor que dá a vida pelas ovelhas”. Jamais nosso mérito, mas desde o início do Salmo ele é o agente, ele é quem desceu até a morte, ele é quem venceu por nós o pecado, o diabo e a morte, nos preparando uma ceia, nos batizando com Espirito Santo, e, por fim nos garantindo “não se turbe o vosso coração, nunca te deixarei, você vai morar para sempre comigo”.

Profundo! Salmo inesgotável!

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