CIPIÃO TINHA RAZÃO

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Paulo Zifum

Santo Agostinho (354-430) em sua obra Cidade de Deus afirma que haviam dois Senadores em Roma que discordavam quanto ao destino de Cartago (pag.181). Depois da 1ª e 2ª Guerra Púnica (264 a.C e 218 a.C.), Cartago, grande rival de Roma, foi vencida e humilhada. Mas, ainda atormentava Roma pelas lembranças do passado (Aníbal era como um fantasma e Cartago, um pesadelo).

Agostinho comenta:

Mas o dito Cipião, vosso pontífice máximo, considerado o melhor varão de todo o Senado, receava que sobre vós recaísse esta desgraça e por isso se opunha à destruição de Cartago, então rival do poder romano, e opunha-se a Catão que advogava a sua ruína. Receava a segurança como inimigo para espíritos débeis e via que para estes concidadãos, como se  pupilos fossem, era necessário o terror como o melhor tutor. Não o enganou este parecer. A realidade provou quão verdadeiro fora o que dissera. Efectivamente, destruída Cartago, isto é, afastado e desaparecido o grande terror da república romana, imediatamente começaram a surgir muitos males, como consequência da situação próspera: a concórdia fendeu-se e rompeu-se — primeiro por cruéis e sangrentas rebeliões e, logo depois, num maléfico encadeamento de causas, incluindo guerras civis, surgiram tais desastres, derramou-se tanto sangue, ateou-se tal selvagem cupidez de proscrições e rapinas, que os Romanos, aqueles que em tempos da sua vida mais íntegra temiam desgraças vindas do inimigo, agora, perdida essa integridade de vida, tinham que padecer dos seus próprios compatriotas crueldades maiores.

A própria ambição do poder — que, entre outros vícios do género humano, mais puro se encontrava em todo o povo romano, — uma vez vencidas algumas das principais potências, esmagou sob o jugo da servidão as restantes já desfeitas e fatigadas.    — vós que, viciados pela prosperidade não fostes capazes de vos corrigirdes na adversidade. Cipião queria atemorizar-vos com o inimigo para que não caísseis no desregramento; mas vós nem esmagados pelo inimigo refreastes a sensualidade. Perdestes a utilidade da desgraça, tornastes-vos nos mais desgraçados e continuais os piores.

Estaria ele certo? Seria uma providência Deus manter nossos inimigos nas fronteiras? Seria a provação uma espécie de proteção? A resposta dada pelo apóstolo Pedro parace assentir, pois diz “que sois protegidos pelo poder de Deus, por meio da fé, até a chegada da Salvação prestes a ser plenamente revelada no final dos tempos. Portanto, nesta verdade, exultais! Mesmo considerando que agora, e por algum tempo ainda, tenhais de ser afligidos por toda espécie de provação. Assim acontecerá para que a sinceridade da vossa fé seja atestada, muito mais preciosa que o ouro que se corrompe, ainda que refinado pelo fogo, resultando em louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado.” (1Pe.1.5-7).

Pedir “afastamento do cálice” até nosso Senhor o fez, mas tentar remover os inimigos totalmente é uma busca idólatra pela segurança terrena. Roma havia subjugado o mundo, mas, como bem disse Salomão: “quem teme ao homem arma ciladas” (Pv.29.25). Os romanos queriam se sentir seguros, mas Cipião “receava a segurança como inimigo”. 

Essa é uma perspectiva elevada. Devemos considerar que Deus, soberanamente, pode usar uma oposição, decepção, privação e até nossas fraquezas para nos manter em segurança, pois “quem teme ao homem arma ciladas, mas o que confia no Senhor está seguro”. Como bem disse Paulo: “o poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Cartago pode ser um espinho na carne, mas, ela nos faz buscar a estabilidade das coisas eternas.

Cipião tinha razão!

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