GNOSTICISMO

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Paulo Zifum

Homens excitados com ideias fantasiosas enchem o mundo e ofertam diversões curiosas para as mentes que dispõem de algum ócio. Ninguém os leva a sério pois acreditam ser “só um filme” ou, após lerem acham apenas divertida a aventura.

Porém, alguns homens surgem como oráculos e discursam de modo persuasivo usando a mística. E não querem divertir, querem esclarecer e ensinar. Não falam como um bufão, mas emponderam revelações, seduzindo os ouvintes a uma nova compreensão. E a novidade é a “sarça ardente” que usam para atrair as almas carentes de significado.

A palavra gnose significa conhecimento de onde se deriva o movimento do gnosticismo identificado nos primeiros séculos da era cristã.  Enquanto os líderes da Igreja lutavam para centrar a mensagem em Cristo somente a partir do Antigo Testamento (tradição juidaco-cristã), surgiram homens muito religiosos que não consideravam o cristianismo a única fonte de verdade. Esses gnósticos procuravam combinar doutrinas persas, egípcias, gregas e judaicas num sincretismo místico e filosófico.

Esses líderes causaram muitos males para a Igreja (até Santo Agostinho foi arrastado pelas atraentes ideias do maniqueísmo). Por causa dessas falsas doutrinas se levantaram os apologistas e polemistas da Igreja. Santo Ireneu foi um deles.

Em sua obra Contra Hereges, Ireneu combate o gnosticismo. E quais eram as ideias gnósticas daquela época? Praticamente a reinterpretação do conceito bíblico de um único Deus criador e de toda a gênese do mundo. Os oráculos combatidos por Ireneu defendiam a reinterpretação dos personagens bíblicos (como  a seita cainita onde Caim é herói e fonte de revelação).

O gnosticismo não trazia apenas um novo conhecimento, mas apresentava-se para corrigir ou explicar aquilo que ainda não foi entendido. Um exemplo mencionado por Ireneu foi o Evangelho de Judas onde Judas e Jesus agiam em mútuo acordo e mostra que Judas tinha uma estrela particular, um destino especial e uma compreensão espiritual superior à dos demais discípulos (em 2006, a National Geographic Society convocou a imprensa para anunciar o restauro e a tradução para o inglês da uma cópia copta do manuscrito original grego do Evangelho de Judas).

A bandeira gnóstica defende de que não há apenas uma verdade e sob suas asas seitas impulsionam a literatura e o cinema a lançar filmes como O Código da Vinci. Mas fica evidente que a ideia ao fundo não é trazer uma nova revelação, mas combater e contestar o cristianismo. A ideia de uma verdade absoluta e a redenção por meio de uma revelação apenas, incomoda. O cristianismo apresentado como  o único Caminho causa revolta naqueles que consideram ter algo superior para oferecer.

Ireneu falou aos gnósticos de sua época com humor cortante:”a teoria deles, que nem os profetas pregaram, nem o Senhor ensinou, nem os apóstolos transmitiram e pela qual se gloriam de ter conhecimentos melhores e mais abundantes do que os outros. Leêm coisas que não foram escritas e, como se costuma dizer, traçando cordas com areia, procuram acrescentar às suas palavras outras dignas de fé como as parábolas do Senhor ou palavras dos apóstolos, para que as suas fantasias não se apresentem sem fundamento” Livro I 8.1

Essas “cordas com areia” porém, eram ousadas e lançavam perigosas sugestões como a de que Demiurgo, o deus mau, aprisionou a alma dos homens no corpo, onde são subjugados pelas paixões da matéria, mas eles desejam voltar ao Pleroma que é o mundo de luz superior. Imagine o dano dessas reinterpretações onde o diabo é o criador do mundo e os homens são suas criaturas?

Os gnósticos diziam que “Demiurgo, a divindade inferior, gerou Cristo, um ser psíquico que passou por Maria como a água passa por um tubo. Sobre ele desceu o Salvador saindo do Pleroma em forma de pomba“.

Assim, as trevas (os demônios) tentam destruir a verdade, apropriando-se dela e adicionando fábulas de modo que os descuidados pensem tratar de um novo mistério. Bem disse o apóstolo Paulo: “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência” (1Tm.4.1-2).

É natural que esse post seja julgado como apenas uma defesa religiosa. Mas, deixamos o apelo para o leitor curioso: avalie que as ideias gnósticas do passado e de hoje são versões alternativas de verdades antigas. Todo aquele que acredita em religiões esotéricas cujas referências são extraídas do judaísimo e cristianismo, deveria estudar esses originais.

E onde encontrar os documentos plagiados pelos gnosticismo? A Bíblia é o livro que traz os manuscritos mais antigos eles tratam da gênese do mundo. Nela, Deus é revelado como um ser moral cuja a criação mostra ordem e propósito. E, diferentemente das fábulas gnósticas que tentam explicar a existência do mal, a Bíblia é o documento original que explica o mal de modo coerente narrando o conflito entre Criador e criatura.

 

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