LIVRES, PORÉM PRESOS

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Paulo Zifum

“Chegaram a tamanha impudência de afirmar que lhes é permitido fazer as coisas
mais irreverentes e ímpias, porque, dizem, as coisas são boas ou más segundo a opinião
dos homens. Além disso, as almas, pelas passagens sucessivas nos corpos, devem experimentar todo tipo de vida e todas as ações, a menos que alguém faça tudo numa só
vez e numa só passagem, estas coisas que não somente nos são proibidas de dizer ou de
experimentar, mas até de pensar e de acreditar que possam acontecer com alguém que
vive nas mesmas cidades onde nós estamos. Portanto, como dizem os escritos deles, é
preciso que as almas, feitas todas as experiências da vida, ao sair dos corpos, não lhes
falte nenhuma, porque, se por acaso faltar alguma coisa à liberdade deles, serão
obrigados a voltar em outro corpo”. Ireneu de Lion -Contra Hereges – Livro I – pg.65

Nem todos consideram um problema o fato de lhes “faltar alguma coisa à liberdade”. Pessoas sensatas não pensam em liberdade total. Mas, há uma inquietação quando a moralidade nos quer privar de algum prazer. Os desejos do corpo, por vezes, podem se tornar o centro das atenções, gerando o tipo de coragem descrito acima.

E que grande foi o despudor dos gregos (Grécia antiga) ao desenvolverem uma cultura pedófila! Adultos, naquela época, tomavam crianças “ternamente” para seus apetites sexuais. Hoje. a pedofilia é algo inaceitável, porém tende-se a experimentar o homossexualismo como normal.

Por causa dos chamados conservadores, a ala liberal da sociedade não conseguiu instituir o mote “meu corpo, minhas regras”, mas a militância não desiste em chamar de arte as “pequenas safadezas”. A expressão do prazer sem culpa, para eles, deve ser pública e não privada.

Os hereges mencionados por Ireneu de Lion tinham desejos libertinos no fundo de seu discurso místico. Eram homens que bebiam da filosofia hedonista, por isso, embutiam a sensualidade em sua gnose. Normalmente, eram homens talentosos e corajosos, como o são os militantes liberais hoje.

O que se sabe da História é que, no pavilhão Desejo-Culpa, os presos trocam de cela. Ora estão presos no mais rigoroso ascetismo, ora obcecados pelo mais louco hedonismo. A liberdade, ora é perigosa demais, ora é um ídolo a ser absolutizado. E o corpo, que não é nem cela nem prisão, sofre pelo frio do legalismo e pelo inferno em chamas da sodomia. Uma desventura!

Por isso, os polemistas cristãos devem clamar: “Deus ordenou comer e beber e gozar a vida conjugal legítima”. O cristão deve crer que “a vida é mais do que corpo!” e deve ensinar que “o corpo é o sagrado templo do Espírito”. Nesse equilíbrio, todos devem “prestar contas a Deus de tudo que fizerem com seu corpo”.

Jesus disse que o conhecimento da verdade liberta. E a verdade sobre o corpo não está na vontade do homem, mas nos limites postos pelo Criador. Os hereges sempre limitam onde Deus não limitou e sempre liberam o que Ele proibiu, encerrando os mais fracos em algum tipo de prisão. Ireneu lutou um bom combate.

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