CERCADO DE QUE?

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Paulo Zifum

Você deseja morrer cercado de amigos ou cercado de mosquitos?

Depende. Depois de ler a história do Rico e Lázaro, não prefiro nem um nem outro, mas, se a vida eterna me vier em meio às moscas, então, prefiro isso. De que me adiantaria um velório de amigos e não ser recebido por anjos?

ENTRE FALSOS IRMÃOS

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Paulo Zifum

Nossa vida é uma passagem entre pessoas.

Entre os incidentes descritos pelo apóstolo Paulo, um fala da trama do convívio (2Co.11.26). Acreditar nas pessoas é uma necessidade e as surpresas são constantes. Descobrimos “falsos irmãos” naqueles que conversam conosco, fazem compromissos juntos, comem em nossa mesa e que nos recebem em casa.

Às vezes, a descoberta do falso amigo não acarreta maiores problemas, além da tristeza. Porém, Paulo cita que viveu em “perigo” com algumas pessoas. Uma vez que confiamos, ficamos vulneráveis e abrimos o coração, sem saber se estamos diante de uma “bondade” com prazo de validade vencido.  A maioria dos pecadores “esconde o jogo” mantendo uma aparência educada e gentil. O perigo da traição ou da manipulação pode destruir a vida de uma pessoa.

Mas, Paulo fala como alguém que passou por todos esses perigos, sofreu, mas sobreviveu. Ele perdoou, mas ensinou que devemos nos afastar daquele que “se dizendo irmão” (1Co.5.11) tem comportamento desordenado.

Ninguém pode escapar de se equivocar, de confiar em pessoas erradas. O convívio com pessoas falsas faz parte da vida. Dependemos de Deus para nos livrar do mal causado por pessoas como Janes e Jambres (2Tm.3). Agora, se Ele não livrar, sofreremos o dano, a frustração e os prejuízos como Paulo narrou em sua própria experiência com Alexandre Latoeiro (2Tm.4.14).

Diante do assunto quatro conselhos surgem apropriados: 1-viver entre “falsos irmãos” deve nos deixar mais dependentes de Deus. 2-não é saudável nem aconselhável  ficar “esperto” o tempo todo. 3-jamais devemos perder a fé nas pessoas e o desfrute das amizades oferecidas. 4-é melhor correr o risco das relações que ter a segurança da solidão.

 

 

 

 

 

PARA QUE SERVE A FELICIDADE

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Paulo Zifum

Nesse mundo, talvez em nenhum outro, a felicidade é a única referência com a qual podemos ser solidários. E essa partilha faz o feliz perder parte de sua alegria. Absorver tristeza alheia pode ser um meio de repartir, mesmo que efetivamente não se consiga fazer o outro feliz.

Quem é feliz no amor,  na paternidade e na saúde, pode sentir compaixão por aqueles que não tem uma namorada, um filho ou algum carinho. E o que é a compaixão senão um corte de tristeza. Os saudáveis solidários “se adoecem” pelos doentes. A mulher bela partilha secreta compaixão da que não tem dotes. Os que vivem intactos  podem chorar pelos injustiçados.

A tristeza sem causa solidária é a versão cênica do egoísmo e a felicidade que não diminui com a dor alheia é patrocinada pelo mesmo circo. Nesse caso tanto o riso como o choro são da mesma raiz. Porém, somente a tristeza solidária pode advir de uma felicidade divina.

A tristeza alheia estraga a alegria do homem bom, e esse encontra propósito em ser feliz ao voltar para casa meio triste por alguém. Não deixa que a família e amigos saibam, porque isso seria roubar a alegria deles. Essas pessoas são pródigas com a alegria que possuem e dissipam o gozo que tem até com animais abandonados ou rios poluídos. Por amor aos pais, irmãos, esposa e filhos, disfarçam com niqueis de bom humor para poupa-los.

Esses felizes sentem-se atolados em dívidas com os fracassados, doentes, obtusos, de poucos dotes de beleza e inteligência. E não conseguem se alegrar com a tristeza de ninguém, e até no infortúnio dos inimigos com os quais podiam curtir alegria ao sol da vingança, sentem um calor danado que só refresca com compaixão.

É estranho, mas a felicidade é uma moeda para comprar solidariedade. Qualquer pessoa que guarda tudo para si, é a mais triste das almas. Enquanto vivemos nesse mundo, o segredo da vida boa é sermos partidos ao meio ou até em frações negativamente desiguais. Quem pensa assim? Desconfio que aquele que disse que “mais bem-aventurado é dar que receber” e que mais importa “servir que ser  servido”.

Jesus Cristo que “tomou sobre si nossas enfermidades e nossas dores levou sobre si” (Is.53.4-5), ele nos ordenou a carregar as cargas uns dos outros. Ele, ao contar a parábola do Bom Samaritano mostrou que o amor não tem outra saída a não ser colocar-se no lugar do ferido, do faminto, do sedento, do preso, dos expostos e doentes (Mt.25.35-40).

A felicidade é um bem para repartir. Todo nosso sorriso, saúde, saber, talentos, bens e tempo encontram pleno propósito, não quando celebramos a vida com aqueles que também possuem o mesmo bem-estar, mas quando seguimos o princípio de “chorar com os que choram” (Rm.12.15). Assim fazendo, teremos nessa vida um naco da alegria de realmente ter feito algo decente.

 

VOTOS DE CASAMENTO

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Paulo Zifum

Os votos de casamento são protocolos da realeza. Talvez, seja o único momento que alguns cheguem a tocar a nobreza. Os votos são solenes e trazem o extrato da reverência devida ao amor fiel entre um homem e uma mulher. As juras de amor podem manisfestar, de uma só vez,  o belo, o bom e o verdadeiro, se ditas de forma reverente. E nesse sentido, bem disse um autor desconhecido: “digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula” (Hb.13.4).

Observe conteúdo dos votos cristãos abaixo:

Eu, João, recebo você Maria, por minha legítima esposa, para cuidar de você e proteger, promover seu cresicmento e aproximá-la de Deus. Desejo amar você como Cristo amou sua Igreja entregando sua vida por ela. Prometo ser seu fiel esposo até que a morte nos separe ou até que Cristo volte para nos buscar

Eu, Maria, recebo você João, por meu legítimo esposo, para cuidar de você e auxiliar, promover seu crescimento e aproximá-lo de Deus. Desejo lhe oferecer minha submissão assim como a Igreja, por gratidão, se entrega a Cristo. Prometo ser sua fiel esposa até que a morte nos separe ou até que Cristo volte para nos buscar”

Séculos de tradição estão envernizados nesses votos. A seriedade e objetividade, a ordem e consagração, revelam um elevado conceito. E as palavras que invocam a consciência de que o casamento é indissolúvel, causam muito temor. Noivos cristãos podem sentir que não possuem condições para financiar promessas tão elevadas, uma vez que acreditam em suas limitações. Por isso fazem da cerimônia em Culto para ali no altar suplicar a Deus sua bênção e auxílio.

*Infelizmente, algumas modas engraçadinhas do século XXI lançam um pano brega sobre o altar sagrado adicionando aos votos tradicionais gracejos e inovações. É um nonsense  na hora da cerimônia. Não há nada de errado com declarações de amor. Um casal pode surpreender a todos com palavras de amor escolhidas e até descontraídas, mas, os votos representam a parte tensa da cerimônia (o que garante equilíbrio). Tudo é mais belo dentro de sua moldura exclusiva.

 

 

O INCENSO DAS ORAÇÕES CURTAS

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Paulo Zifum

A pregação feita por poetas tem um rico conteúdo que passa despercebido da maioria dos ouvintes. Charles Spurgeon,  notável pregador inglês (1856-1892), não é chamado de “príncipe dos pregadores” à toa.  Leia com deleite poucas linhas de seu sermão pregado na manhã de sábado, 27 de maio de 1860:

quem nunca lutou com o anjo aqui em baixo, nunca será admitido ao Céu por esse mesmo anjo! Sei que falo para alguns, hoje, que não fazem orações. Você tem tempo de sobra para seu escritório de contabilidade, mas você não tem nenhum para o seu quarto de oração. Você não reúne sua família para orar, mas eu não vou falar sobre o culto doméstico. A oração particular é negligenciada. Você se levanta tão próximo da hora de honrar seus compromissos que mal tem tempo para ajoelhar. E o mesmo acontece com os convites adicionais de oração , onde você poderia fazer súplicas, mas nunca participa, pois, para você a oração é uma espécie de luxo para quem tem pouco tempo. Ah! mas, aquele que tem a verdadeira fé no coração, dispõe-se a orar durante o dia, quando está negociando, quando está em sua loja, e encontra espaço em seus afazeres, acha uma pausa para subir nos braços do seu Deus, e depois desce de novo, revigorado para continuar seu trabalho e tratar com as pessoas! Oh! Essas orações curtas e rápidas enchem o incensário com incenso da manhã e, durante  dia todo, lançam pequenos pedaços de canela e incenso, e sustentam  a vida do crente genuíno. Se tua fé não te faz orar, ela é totalmente inútil, livre-se dela, e que, Deus te ajude a começar de novo

Pouco provável que os que ouviram a pregação no dia tenham notado o primoroso trabalho do pregador. Entre exortações diretas, em meio à fumaça do incensário, podemos perceber as notas de perfume, num misto de verdade e graça. Caso não tenha conseguido notar, leia novamente e se esforce, porque vivemos num mundo que nos destreina a perceber poesia.

Ouça o sermão na íntegra:

 

LULA e SAUL

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Segundo Calvino, políticos eleitos de modo legítimo são “magistrados civis” cuja nobre vocação é representar a Deus. Porém, a tarefa ornada de dignidade, pode ser manchada, não pelas falhas e limitações humanas, mas por manter a “aparência de piedade, mas negando a Deus o poder” (2Tm.3.5).

Quando um partido político deixa de ser súdito e passa a desejar o trono, começa a se “levantar contra tudo que se chama Deus” (2Ts.2.4). Entretanto, nenhum movimento surpreende o Soberano, antes tem ele os instrumentos bem seguros em suas mãos.

No Brasil, Deus capacitou o PT (partido dos trabalhadores) para socorrer os pobres (levantando a marca de uma nação cristã). E usou esse mesmo partido para mostrar a feiura causada pelo apego ao poder (que é símbolo de uma nação pagã).

O PT começou como o rei Saul, com humildade (1Sm.9.21), mas com o passar dos anos, passou a preocupar-se mais em manter-se no poder que servir a Deus (1Sm.20.30-33).

É claro que essa comparação não pode ser levada ao escopo da aliança que Israel tinha com Deus, porque o Brasil não tem essa consagração. Porém, a história de Saul é um aviso para todos que começam no poder.

O alerta fica na história: Não vá, nem para a direita, nem para esquerda. Siga em retidão, para agradar Aquele que concede aos homens tanto o dom como o poder. Pois todo aquele que o desagrada, terá o candeeiro arrancado das mãos.

 

ELEIÇÕES: O TIÇÃO TIRADO DO FOGO

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Paulo Zifum

A profecia de Zacarias fala de um “tição tirado do fogo”. Mas, por que se tiraria um carvão da fogueira? Uma das utilidades seria usar a brasa viva para fins de purificação, uma ação medicinal drástica para cicatrizar um ferimento, evitando inflamação e, consequentemente, o perigo de morte.

O Brasil está muito ferido, e não são medidas paliativas (pomadas ideológicas com discursos amenos) que irão curá-lo. Se faz urgente um tratamento que resgate a moral de uma nação que se diz cristã. E a figura do tição parece tão apropriada.

Deus acendeu uma fogueira no cenário político brasileiro com o fim de punir os servos maus, com um fogo que já queimou vários partidos. A Operação Lava-Jato é um machado nas mãos daquele que fere a raiz, como “nunca na história desse…”   – é muita lenha!

E agora? O que vai acontecer? Parece que Deus vai tascar do fogo uma brasa da direita. E, sabemos que escolherá um tição que, no momento, não se acha um deus.

Eleições são instrumentos do Soberano para manifestar sua vontade. A fogueira para outubro já está acesa e nossas mãos se estenderão para escolher. Porém, é Deus quem tira o tição. Aguardamos com apreensão.

*Foto: Zacarias capítulo 3 fala do “tição tirado do fogo”

 

 

SAÍDA PARA O HOMEM DO SUBSOLO

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Paulo Zifum

“Sou um homem doente…Um homem mau. Um homem desagradável. Creio que sofro do fígado. Aliás, não entendo níquel da minha doença e não sei, ao certo, do que estou sofrendo. Não me trato e nunca me tratei, embora respeite a medicina e os médicos. Ademais, sou supersticioso ao extremo; bem, ao menos o bastante para respeitar a medicina. (Sou suficientemente instruído para não ter nenhuma superstição, mas sou supersticioso.) Não, se não quero me tratar, é apenas de raiva. Certamente não compreendeis isto. Ora, eu compreendo.” Memórias do Subsolo (Fiódor Dostoiévski, 1864)

Dostoiésvski é magistral ao tratar nosso conflito interno. Acho, mesmo, que a maioria de nós tem esse mesmo problema do homem do subsolo. Somos teimosos para tratar o que realmente nos aflige e insistimos em dizer que é fígado.

Uma pessoa pode ser doente, má e desagradável sem, contudo, atingir verbalmente ou fisicamente a ninguém. Um sujeito pode chegar a essa conclusão por notar sua exagerada ansiedade de aceitação, por pensamentos sombrios e uma apatia acentuada para com tudo. Basicamente, o fingimento encerra alguém numa vida subterrânea.

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?”

Essa afirmação do profeta Jeremias (600 a.C.) dá apoio a Dostoiévski. E, por vezes, não entendemos “níquel” do fluxo confuso de nosso coração que ora ama, ora odeia ou que ora é confiante, ora covarde. Acordamos heróis com sentimentos altruístas, mas no fim da tarde somos bandidos. Somos capazes de enganar até o terapeuta.

Talvez, por essa necessidade, Nicodemos, príncipe dos judeus, foi impulsionado a conversar com Jesus. Mas, o encontro não poderia ser às claras por causa do preconceito que a classe nobre tinha para com o mestre popular. Jesus, de modo amoroso e direto diz a ele: “em verdade, em verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (Jo.3.3). Jesus evita elucubrações sobre filosofia ou ética rabínica. Ele vai direto ao ponto redentor, dizendo que para o homem caído no subsolo, só o milagre do novo nascimento. Nicodemos ficou atônito. Mas, quem não ficaria?

Toda a explicação do Evangelho insiste em parar o homem, persuadi-lo à confissão de seu pecado que não quer limites. Quando, cansado de viver no subsolo da verdade, o homem pode reconhecer sua impotência e pedir “Filho de Davi, tem misericórdia de mim”. Nessa hora, encontrará a saída.

*Foto: Leia na íntegra a conversa e o discurso

https://www.bibliaonline.com.br/acf/jo/3

SE NÃO FOR ELE…

Paulo Zifum

Por que gastar dinheiro naquilo que não é pão e o seu trabalho árduo naquilo que não satisfaz? Escutem, escutem-me, e comam o que é bom, e a alma de vocês se deliciará na mais fina refeição“. Isaías 55.2

“Para Santo Agostinho3, o ser humano só pode ser feliz se possuir o que deseja. Todavia, não adianta possuir o que se deseja, se a coisa possuída não for um bem, pois possuir algo que não seja bom é causa muito mais de infelicidade do que de felicidade. Assim, não é qualquer coisa que possibilita ao ser humano a felicidade e, ademais, é preciso que seja um bem e um bem imutável, caso contrário, estaria fundamentando a felicidade em algo passageiro, transitório, tendo sempre receio de perder a coisa desejada e possuída, estado este de medo que não condiz com a vida feliz. Nessa perspectiva, se o único bem imutável é Deus, então, só é feliz quem possui a Deus.” Joel Gracioso (Professor do Curso de Filosofia da Faculdade de São Bento – São Paulo – SP)

 

CONFUSÃO DAS AFEIÇÕES

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Paulo Zifum

Quem nunca confundiu desejo egoísta com amor? É uma chama que arde no peito e alguns não sabem distinguir a afeição nobre do amor com o desejo de possuir o outro. E quando negociamos valores ou os  confundimos, não amamos. E, ainda mais, quem venera um objeto, não necessariamente, o ama. Há suspeitas nas afeições e, até uma mãe pode desejar mais a afeição de um filho que a felicidade dele.

Essa dúvida é um convite, não à descrença em nossos sentimentos, mas à humildade. Não somos capazes de atribuir para cada objeto o grau de amor que lhe é apropriado. Quem poderia dizer que suas afeições são todas bem direcionadas por um juízo de valor sempre justo?

Mas, graças a Deus, na pessoa de Jesus Cristo, podemos receber o Espírito Santo! E, ele opera a redenção de nossas afeições, corrigindo nossas distorções, nos direcionando a um caminho sobremodo excelente, onde nossos desejos podem vislumbrar o Sublime. Nessa esperança, temos o ordo amoris do qual falou Santo Agostinho.

*Foto: Em nosso coração, as afeições formam valores.