PARA QUE SERVE A FELICIDADE

Imagem relacionada

Paulo Zifum

Nesse mundo, talvez em nenhum outro, a felicidade é a única referência com a qual podemos ser solidários. E essa partilha faz o feliz perder parte de suq alegria. Absorver tristeza alheia pode ser um meio de repartir, mesmo que efetivamente não se consiga fazer o outro feliz.

Quem é feliz no amor,  na paternidade e na saúde, pode sentir compaixão por aqueles que não tem uma namorada, um filho ou algum carinho. E o que é a compaixão senão um corte de tristeza. Os saudáveis solidários “se enfermenfam” pelos doentes. A mulher bela partilha secreta compaixão da que não tem dotes. Os justos podem chorar pelos injustiçados.

A tristeza sem causa solidária é a versão cênica do egoísmo e a felicidade que não diminui com a dor alheia é patrocinada pelo mesmo circo. Nesse caso tanto o riso como o choro são da mesma raiz. Porém, somente a tristeza solidária pode advir de uma felicidade divina.

A tristeza alheia estraga a alegria do homem bom, e esse encontra propósito em ser feliz ao voltar para casa meio triste por alguém. Não deixa que a família e amigos saibam, porque isso seria roubar a alegria deles. Essas pessoas são pródigas com a alegria que possuem e dissipam o gozo que tem até com animais abandonados ou rios poluídos. Por amor aos pais, irmãos, esposa e filhos, tentam deixar em si níqueis de bom humor, para que a alegria alheia não seja tirada. Os felizes sintem-se atolados em dívidas com os fracassados, doentes, obtusos, de poucos dotes de beleza e inteligência. Não conseguem se alegrar com a tristeza de ninguém. Com os inimigos, podem até curtir alegria num pouco de sol, mas logo sentem um calor danado que só refresca com empatia.

É estranho, mas a felicidade é uma moeda para comprar solidariedade. Qualquer pessoa que guarda tudo para si, é a mais triste das almas. Enquanto vivemos nesse mundo, o segredo da vida boa é sermos partidos ao meio ou até em frações negativamente desiguais. Quem pensa assim? Desconfio que aquele que disse que “mais bem-aventurado é dar que receber” e que mais importa “servir que ser  servido”. Ele também disse que estava disposto a tomar nossas cargas e nos ordenou a carregar as cargas uns dos outros. Aliviar os outros envolve tomar coisas sobre si. Essa linha de raciocínio de colocar-se no lugar do faminto, sedento, preso, dos expostos e doentes, é um caminho que não trará alegria de realmente ter feito algo decente com nossa saúde e recursos físicos ou não.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s