CASAMENTO SUBMISSO

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Paulo Zifum

O casamento foi projetado para formar uma unidade de submissão a Deus. Como um modelo de unidade na diversidade (homem e mulher), pessoas diferentes fazem juntas a vontade de Deus.

A unidade pode ser rebelde como narra Gênesis 11 ou organizada para mentir como Atos 5 tristemente nos conta. Essas uniões terminam de modo triste como um ocaso na escuridão. Mas, a amizade conjugal não foi projetada apenas para o prazer, procriação e empreendimentos nesta vida.

Segundo o apóstolo Paulo, o casamento é uma alegoria para nos mostrar o plano de Deus para toda a História humana. Ele nos fala que o marido representa Cristo que viveu em submissão ao Pai e entregou sua vida em favor da Igreja que é a reunião dos filhos de Deus. A esposa representa a Igreja que apresenta dificuldades para ser submissa à autoridade desde o início da História. A mulher submissa ao marido mostra a postura que a Igreja deve  ter para com Cristo (Efésios 5)

Ora, essa alegoria não faz o mínimo sentido para aqueles que não possuem uma cosmovisão cristã da história. Mas, para os casais cristãos, essa visão eleva o propósito do casamento, que não é apenas um acordo isolado entre duas pessoas, mas  uma unidade de submissão que apresenta ao mundo a verdade de que aliança conjugal, sexo, educação de filhos e trabalho de governo desse mundo são maneiras de obedecer a Deus, voltando para ele todas as conquistas dessa união.

O mundo precisa de lares submissos a Deus que sejam sal e luz numa sociedade onde famílias estão divididas e em processo de fragmentação.

 

 

AMOR DE MÃE

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Paulo Zifum

Tenho quase 50. Ela tem quase 90. Fiz uma viagem a trabalho que permitiu que a visitasse. Ela me recebeu com aquele sorriso de Deus, como se eu não a devesse nada. Agarrou-me e, com um beijo repetiu todo o gesto divino. Toda vez que chego no fim da tarde em seu portão, sinto-me tão pequeno e frágil. Ela coloca um anel em meus dedos e sandálias em meus pés, e me serve com melhor banquete.

Ao sair à noite para visitar um amigo, ela deu-me a chave e explicou na cozinha onde encontrar mais comida ao voltar. Quando voltei, uma cena tão simples envolveu meu coração. A cama arrumada, lençóis limpos e uma toalha cheirosa bem dobrada e até separou algumas peças de roupa de dormir.

Sou um dos filhos mais relaxados, daquele que quase não telefona pra ela. E como ela me trata? Igualzinho ao jeito que Deus me faz! Um rio de bondade imerecida.

Se o amor é mais forte que a morte, o de Carmelita é invencível!

VOCÊ TEM CERTEZA QUE AMA?

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Paulo Zifum

João, depois de 10 anos casado com Maria, sente-se pouco à vontade em casa. Maria cozinha muito bem, mas não consegue corresponder afetivamente com João.

Beto abraça seu pai e sente que o ama, mas não consegue conversar com ele. O pai esfrega seu cabelo sempre quando chega em casa, depois dá um soco leve em seu ombro, mas nunca pergunta como ele está.

Fernando ama sua namorada, mas percebe que não pode fazer certas coisas que gostava porque a família dela é muito tradicional. Sente vontade de convida-la para algumas festas, mas sente medo de perdê-la.

Joana ama seu filho e o acompanha em tudo, sendo muito exigente com os estudos e com a religião. Sente que o jovem disfarça aceitar tudo, mas acredita ser o melhor para ele.

Antonio trabalha dia e noite para dar o melhor conforto para sua família. Não tem tempo para ver as  filhas acordarem nem chance de coloca-las para dormir. Aos fins de semana joga bola com os amigos e dorme um pouco para voltar ao trabalho.

Quando um relacionamento depende unicamente dos sentidos (corpo), está empobrecido e reduzido às sensações materiais, que se liga apenas por parentesco, conveniências e compatibilidades. Falta alguma coisa. O afeto é pequeno, a entrega é cautelosa e o tempo é regulado.

Precisamos de um mediador que nos ajude a saltar do para o Amor, que não é uma ideia, mas uma Pessoa. O que falta aos homens e que lhes causa dúvida sobre seus afetos é o pecado que nos separa do Amor, que é Deus. E separados dele, quem pode amar de verdade?

Logo, o problema da insuficiência do afeto humano que parece não preencher os vazios, não encontra solução no esforço humano. A solução está nEle:

“Todavia, agora, em Cristo Jesus, vós que antes estáveis distantes, fostes aproximados mediante o sangue de Cristo. Porquanto, Ele é a nossa paz. De ambos os povos fez um só e, derrubando o muro de separação, em seu próprio corpo desfez toda a inimizade, ou seja, anulou a Lei dos mandamentos expressa em ordenanças, para em si mesmo criar dos dois um novo ser humano, realizando assim a paz,” (Ef.2.13-15)

A dúvida atormenta e aumenta com nossa incapacidade de sermos autênticos. E a falta de revisão de nossa vida pode ser um desprezo à busca por essa certeza. E qual a certeza? A de saber se amamos. Porque o que importa nessa vida não são as posses ou conhecimento que temos sobre pessoas ou coisas, mas se amamos de fato.

E somente Cristo pode remover essa dúvida e nos levar a amar de modo que tenhamos certeza disso.

 

Quid autem amo, cum te amo?

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não a beleza do corpo, nem a glória do tempo, nem esta claridade da luz, tão amável a meus olhos, não as doces melodias de todo o gênero de canções, não a fragrância das flores, e dos perfumes, e dos aromas, não o maná e o mel, não os membros agradáveis aos abraços da carne. Não é isto o que eu amo quando amo o meu Deus. E, no entanto, amo uma certa luz, e uma certa voz, e um certo perfume, e um certo alimento, e um certo abraço, quando amo o meu Deus, luz, voz, perfume, alimento, abraço do homem interior que há em mim, onde brilha para a minha alma o que não ocupa lugar, e onde ressoa o que o tempo não rouba, e onde dá sabor o que a sofreguidão não diminui, e onde se une o que a saciedade não separa. Isto é o que eu amo, quando amo o meu Deus“.

Santo Agostinho -Confissões Livro X parte 8

 

QUANDO DEUS NOS ATRAI PARA LUZ

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Paulo Zifum

Quando a luz divina ilumina o homem, esse percebe sua sujeira, porém a noção do erro, que traz culpa, apenas prepara para o juízo. Se Deus não conceder ao homem o afeto adequado (tristeza) para que se chegue ao arrependimento, a claridade apenas o condenará. A luz informa, mas não gera amor, ora, é o amor que faz com que sintamos pesar pela ofensa.

Há uma sensível diferença entre sentir vergonha por ser descoberto e lamentar por entristecer alguém (Gn.3.8-12). Adão, o homem nu, fez o que fazemos hoje: fugir ou fingir. Porém, esse não é maior problema. A grande revelação foi que, na audiência com Deus, Adão não foi capaz de se retratar com a pessoa ofendida. Deus pergunta: “você fez o que eu proibi?” e a resposta foi uma negação conforme está escrito: “Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram as trevas, e não a luz, porque as suas obras eram más. Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, temendo que as suas obras sejam manifestas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, para que se veja claramente que as suas obras são realizadas por intermédio de Deus” (Jo.319-21). Temos a impressão que Adão respondeu a Deus por trás das folhas, sem ir ao encontro dele assumindo sua nudez, sem confessar sua culpa. A luz, como a lei, condena o homem (Rm.7).

Entretanto, quando o Espírito Santo age sobre o homem “coberto de trevas” (Gn.1.2), o convence do pecado e do juízo (Jo.16.8). Foi o que ocorreu com Isaías, o profeta nu, pois a luz não trouxe apenas vergonha, não produziu apenas o temor do juízo, mas um lamento relacionado à pessoa de Deus, ou seja, amor por Ele (Is.6). Diferente de Adão, Isaías sentiu preocupação por perceber que ele e todos, estavam ferindo o caráter de Deus. O mea culpa volta-se para a pessoa santa de Deus em confissão. Nesse caso, Deus não apenas se revela, mas atrai para si.

Deus não concede essa percepção a todos. Jesus ao citar o profeta Isaías, diz:  “A vós foi concedido o mistério do Reino de Deus; aos de fora, entretanto, tudo é pregado por parábolas, com o propósito de que: ‘mesmo que vejam, não percebam; ainda que ouçam, não compreendam, e isso para que não se convertam e sejam perdoados” (Mc.4.11). E ainda exulta: “Eu te louvo, Pai, Senhor dos céus e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e cultos, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, pois assim foi do teu agrado.” (Mt.11.25-26).

Quando Deus lança luz, o juízo está próximo, mas quando ele nos atrai para sua maravilhosa luz, a salvação é chegada. O homem sabe quando está sendo atraído pelas afeições que o direcionam para Deus. Embora haja luta com remorsos e constrangimentos, o homem nu que está sendo atraído, sente tristeza pela quebra do relacionamento com Deus e pela tristeza causada ao Amor. Essa luz, por fim, o levará à alegria do Dia Perfeito.

MONERGISMO-ELEIÇÃO

O CRENTE PENADO

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Paulo Zifum

PENADA: adjetivo substantivo masculino

que está penando, sofrendo pena

Cristão que não congrega é como uma mente sem corpo, como uma alma que, depois da morte, é separada do corpo, isto é, da igreja. Como um crente pode andar por aí assim? É um estado anormal. Cruz, credo… e outras doutrinas foram deixadas pra trás.

Saber a verdade, ser batizado numa comunidade de fé e viver distante da comunhão da Igreja não combina com nada de uma confissão cristã. Aqueles que não se envolvem com o Corpo, mas vivem como se estivessem livres e fora dele, precisam de uma ressurreição ainda nesta vida.

Que voltem para a Igreja! Porque, não há vida pior do que uma vida “penada”, mesmo que a alma seja cristã.

PERGUNTE E MORRA

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Paulo Zifum

Tenho dificuldade de pedir que me avaliem. Tenho horror quando alguém ameaça que vai apontar meus defeitos, nessa hora, tenho vontade de polarizar um outro assunto ou sair correndo. E nada mais desconfortável que ser julgado sem seu consentimento. Mas, nenhum pecador pode evitar isso.

Em contrapartida, por que sou diligente para corrigir as falhas dos outros? Sou negligente para ouvir uma crítica contra mim. Porque falar dos outros, nada me custa, o faço sem que ninguém me peça opinião. Mas, preciso fazer um esforço descomunal para permitir que outros me ensinem ou exortem. Sou, no mínimo, uma pessoa preguiçosa. Talvez porque subir e escalar sejam atividades dos bravos e guerreiros.

Essa minha natureza covarde precisa tomar a Cruz. Porém, me afasto do cálice como se possível fosse. Mas, não! Não continuarei assim. Não posso pedir ajuda a Deus para preservar minha vida. Farei a pergunta! Se morrer, morri! Se, não, continuarei tentando, porque sei que a vida, a verdadeira, está depois dessa morte.

VIDA OCULTA

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Paulo Zifum

A vida é feita de uma pequena parte aparente e uma enorme área invisível.  Tomando o iceberg como exemplo (90% submerso e 10% aparente), é possível que nossa vida esteja escondida de nós mesmos, a ponto de não compreendermos nosso modo de agir (Rm.7.15). Talvez seja essa insegurança que leve o homem a escaramuçar sua vida pública, com medo de alguém descobrir suas limitações e condições nada virtuosas.

É uma grande tragédia não poder ser autêntico. E é uma coisa rara encontrar alguém que seja. Aqueles que se dizem autênticos, pelo fato de dizerem, dificilmente o são. E quão infelizes são os que vivem em alerta social com medo da reputação cair em desgraça.

Nossa vida aparente pode ser a vida educada e contida, mas embaixo do terno do homem de bem e do vestido rendado longo da mulher recatada, há um verme que não sabemos o tamanho. Segundo a Bíblia a parte submersa do homem é carregada pelo mal. E isso cria angústia porque tentamos negar a parte submersa, mas não conseguimos nos libertar da incerteza e do medo.

O que fazer? E a quem podemos recorrer?

mas para ti, Senhor, diante de cujos olhos está nu o abismo da consciência humana, que haveria de oculto em mim, ainda que to não quisesse confessar? Na verdade poderia esconder-te de mim, mas não esconder-me de ti. Agora, porém, que os meus gemidos são testemunhas de que não me agrado a mim mesmo, tu refulges, e agradas-me, e és amado,  e és desejado, de tal modo que eu começo a ter vergonha de mim, e me desprezo, e te escolho a ti, a n~agrado, nem a ti nem a mim, senão por ti. Eu estou patente diante de ti, Senhor, em tudo aquilo que eu possa ser. E acabei de dizer com que fruto a ti me confesso“. Confissões de Santo Agostinho Livro X parte II

A confissão é o primeiro passo. Porém, ser verdadeiro não pode ser uma exibição de coragem do Homem do Subsolo de Dostoiévski que admitiu ser “um homem mau e desagradável” sem dar fruto de arrependimento.

Imaginando um iceberg como uma grandeza tomada de pecados, podemos imaginar que o homem não pode mover-se em confissão sincera e humilde. É, por si, incapaz.  Por mais corajoso que seja, não conhece a verdade, por isso não pode fazer uma confissão cabal de si por faltar-lhe a referência adequada.

Jesus (o único homem cujos 10% aparente estava em perfeita harmonia com os 90% ocultos) disse: “e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” e “se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo.8.32,36). Assim que o pecador é convencido sobre a condição de seu coração. Só a partir dessa ação do Filho, consegue produzir o fruto de uma confissão não apenas verbal, mas uma rendição do coração.

Após a confissão há uma mudança profunda. Embora o iceberg continue lá, agora o homem sabe a verdade de sua miséria. Não tem mais uma vida oculta de si, ainda que permaneça para os outros, sabe a verdade.  E tem, em Cristo, a esperança redenção dessa condição atual.

*Foto: preste atenção na imagem!

COMO POR ESPELHO

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Paulo Zifum

Os olhos humanos fazem mediação entre o cérebro e a alma. Quando uma imagem é captada uma série de interpretações para se dizer se é conhecida ou nova. E a imagem pode gerar “discussões e debates” internos, onde colocamos nossas referências para dizer se o que vemos é bom, belo e verdadeiro.

Ao olhar o espelho temos o nosso reflexo e dependemos desse artefato para conhecermos nosso rosto. Há dois mil anos só era possível vermos o rosto num reflexo na água ou por um espelho de metal polido. Ambos causavam distorções, mas era melhor que nada. Poucos podiam pagar um excelente pintor para retratar seu rosto e os que não tinham acesso a um espelho podiam esquecer como eram (Tg.1.22-25).

Os espelhos de hoje são perfeitos e revelam com nitidez o crescimento e envelhecimento.  Mas, quando o apóstolo Paulo escreveu a famosa poesia em I Coríntios 13, os espelhos não eram referência da realidade vista a olho nu. Por isso escreveu:

Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido“. 1 Coríntios 13:12

Nosso conhecimento de nós mesmos não é final, não é perfeito. Tudo que sabemos é fruto de alguma mediação e isso deveria nos convencer do quanto somos dependentes. Nossa filosofia, nossa ciência e nossos vereditos podem ter boa direção, mas estão distantes de ter precisão.

Quando Paulo fala de conhecer face à face, ele se refere ao encontro com o Criador. E esse encontro não concederá um conhecimento pleno de Deus, mas dará referência precisa da imago Dei. Usando uma metáfora moderna, diria que nosso conhecimento é virtual e cria a expectativa de um encontro real.

Dr. Jonas Madureira discorre sobre isso com um “espelho melhor” em seu livro Inteligência Humilhada. Ao discorrer sobre a abordagem de Santo Agostinho sobre a limitação humana e expectativa cristã do conhecimento*, Jonas nos fala sobre um futuro onde nos será dado um conhecimento de si mesmos sem mediação, um saber adequado que corresponde ao que somos de fato.

* Tratando a frase “conhecer-te, ó conhecedor de mim” da obra Confissões de Agostinho. Leia Inteligencia Humilhada pag. 34-43.

 

NÃO CRIAMOS REALIDADE POR FALAR

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Paulo Zifum

Deus criou o mundo pelo poder de sua palavra. O homem cria cenários, mas não a realidade. Ao repetir várias vezes um cenário como plano de fundo da vida, o homem pode dar a sensação de realidade, mas não a cria base sustentável.

Quando um homem afirma que é uma mulher e passa a construir um cenário convincente,  não cria  a realidade negando a natureza.

Quando um filósofo tem sucesso em difundir uma ideologia, cria uma forma de ver mundo, de interpretar a vida, mas não oferece realidade. Porque, quando a questão do mal surge o cenário cai.

O positivismo  de Auguste Comte (1798-1857) criou grande impacto exaltando a ciência como prima-dona do conhecimento válido, mas a realidade lhe nega essa posição. Falar de modo racional e atraente é como um navio (ideia, constructo) que pode oferecer certa segurança no mar, mas essa embarcação não pode oferecer a segurança da terra firme (realidade).

Apenas Deus pode criar realidade com sua palavra.