COMO POR ESPELHO

espelho-da-vida-640x335

Paulo Zifum

Os olhos humanos fazem mediação entre o cérebro e a alma. Quando uma imagem é captada uma série de interpretações para se dizer se é conhecida ou nova. E a imagem pode gerar “discussões e debates” internos, onde colocamos nossas referências para dizer se o que vemos é bom, belo e verdadeiro.

Ao olhar o espelho temos o nosso reflexo e dependemos desse artefato para conhecermos nosso rosto. Há dois mil anos só era possível vermos o rosto num reflexo na água ou por um espelho de metal polido. Ambos causavam distorções, mas era melhor que nada. Poucos podiam pagar um excelente pintor para retratar seu rosto e os que não tinham acesso a um espelho podiam esquecer como eram (Tg.1.22-25).

Os espelhos de hoje são perfeitos e revelam com nitidez o crescimento e envelhecimento.  Mas, quando o apóstolo Paulo escreveu a famosa poesia em I Coríntios 13, os espelhos não eram referência da realidade vista a olho nu. Por isso escreveu:

Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido“. 1 Coríntios 13:12

Nosso conhecimento de nós mesmos não é final, não é perfeito. Tudo que sabemos é fruto de alguma mediação e isso deveria nos convencer do quanto somos dependentes. Nossa filosofia, nossa ciência e nossos vereditos podem ter boa direção, mas estão distantes de ter precisão.

Quando Paulo fala de conhecer face à face, ele se refere ao encontro com o Criador. E esse encontro não concederá um conhecimento pleno de Deus, mas dará referência precisa da imago Dei. Usando uma metáfora moderna, diria que nosso conhecimento é virtual e cria a expectativa de um encontro real.

Dr. Jonas Madureira discorre sobre isso com um “espelho melhor” em seu livro Inteligência Humilhada. Ao discorrer sobre a abordagem de Santo Agostinho sobre a limitação humana e expectativa cristã do conhecimento*, Jonas nos fala sobre um futuro onde nos será dado um conhecimento de si mesmos sem mediação, um saber adequado que corresponde ao que somos de fato.

* Tratando a frase “conhecer-te, ó conhecedor de mim” da obra Confissões de Agostinho. Leia Inteligencia Humilhada pag. 34-43.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s